Depois dos vinhos, grupo La Pastina quer virar referência também em destilados

Com a Inspirits, grupo responsável pela World Wine quer trazer rótulos diferentes para o mercado brasileiro

Grupo La Pastina
Rótulo Gunpowder de gim irlandês é um dos destaques do portfólio da Inspirits (Divulgação/La Pastina)

Por André Sollitto

 

Logo depois que Juliana La Pastina assumiu a presidência do grupo que leva o nome da família, em 2020, ela sentiu falta de uma divisão de negócios dedicada aos destilados. Como terceira geração responsável pelo Grupo La Pastina, criado em 1947 pelo avô, Vicente, como um pequeno armazém que logo começou a importar grãos, especiarias e frutas secas, ela já tinha sob seu comando a La Pastina, focada em alimentos e vinhos, a World Wine, dedicada apenas aos vinhos, e os restaurantes Enosteria. Assim, em 2023, surgiu a Inspirits.

 

Embora oficialmente tenha três anos, só agora a divisão de destilados do grupo está sendo lançado para o mercado de forma mais clara. No início, o trabalho era focado em provar as bebidas, entrar em contato com os produtores e selecionar o que faria parte do novo portfólio. O responsável por selecionar os rótulos é Mauricio Leme, executivo com experiência no mercado. Trabalhou para o Grupo La Pastina, depois passou por outros players importantes do mercado, como Casa Flora e Aurora Fine Brands, antes de assumir a posição de Head da Divisão de Destilados.

 

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Hoje, o portfólio tem 37 rótulos de 14 marcas, 11 países e sete categorias distintas. Começou com a cachaça Alzira. “Era uma categoria que não estava no nosso radar, mas acabou se tornando nosso primeiro produto”, conta Juliana La Pastina. 

 

O whisky Nomad começa a ser produzido na Escócia e é finalizado na Espanha (Divulgação/La Pastina)

Depois da Alzira, vieram outros rótulos, como o da cachaça premium Cê, com versões envelhecidas em três madeiras diferentes e outra que passa por barris de ipê roxo, madeira rara e nobre, pouco usada para o amadurecimento de destilados. A Inspirits trouxe ainda o Limoncello Pallini, o mais vendido do mundo, que sozinho detém 15% do mercado global, e é produzido com limões Sfusato, a primeira variedade reconhecida com uma Indicação Geográfica Protegida (IGP).

 

Uma área que a marca está apostando alto é em whisky. “Nosso objetivo sempre foi oferecer coisas diferentes. Por isso, decidimos trazer rótulos de países diferentes”, conta Mauricio Leme. A estratégia começou com o Nomad, que começa a ser produzido na Escócia, onde também é envelhecido, depois é enviado para a Espanha, onde repousa em barris de vinho Jerez na cidade de Jerez de La Frontera. 

 

Agora, Leme antecipou a chegada de outras marcas. Uma das principais é a americana Michter’s, que foi eleita a marca mais admirada de whisky no mundo pela Drinks Business por três anos consecutivos – a única a conseguir tal reconhecimento. Serão cinco rótulos, incluindo Bourbon, Rye (feito de centeio) e um sour mash, técnica em que parte do mosto fermentado do lote anterior é incorporado ao novo, de maneira semelhante ao sourdough dos pães de fermentação natural. 

 

Vodka Danska tem proposta de sustentabilidade (Divulgação | La Pastina)

Outros destaques incluem o whisky francês Alfred Giraud, referência principal no país, produzido na região de Cognac por master blenders de conhaque; o inglês Cotswolds, incluindo um rótulo produzido com barricas turfadas, método diferente, em que a bebida passa por barris que já envelheceram whisky turfado de Islay, e a escocesa Kilchoman, primeira destilaria instalada na icônica ilha de Islay em 124 anos e que detém toda a cadeia de produção da bebida, em uma estratégia que chamam de “farm to bottle”. Serão três rótulos da Cotswolds, dois da Alfred Giraud e dois da Kilchoman.

 

O preço médio ainda não foi divulgado, mas segundo Leme são produtos de tíquete médio mais elevado, já que são marcas com produções menores, que priorizam a qualidade dos produtos. 

 

A divisão trabalha ainda com outros destilados, como a vodka Danzka, de Copenhagen, vendida em embalagens sustentáveis de alumínio, o gim irlandês Gunpowder, os brandys Soberano e LePanto, e o vermute argentino La Fuerza, principal referência da recente escola latino-americana de vermutes.