Maycas e 57 Rocas comprovam qualidade do vinho chileno biodinâmico premium
Rótulos produzidos pela Emiliana, pioneira em vinhedos orgânicos no Chile, unem frescor, mineralidade e viticultura regenerativa

Por Celso Masson
Em visita ao Brasil para apresentar os vinhos que produz em duas regiões do Chile (Maipo e Limarí), a enóloga Noelia Orts ajuda a iluminar uma transformação importante no vinho sul-americano: a ascensão de rótulos produzidos sob práticas orgânicas e biodinâmicas, mas sem abrir mão de precisão técnica e identidade de terroir. À frente dos vinhos premium da Emiliana Organic Vineyards, Noelia, nascida na Espanha, fala com grande entusiasmo dos vinhos com sua assinatura, em especial o Maycas de Limarí Chardonnay 2022 e o 57 Rocas Cabernet Sauvignon 2021. Ambos têm obtido excelentes pontuações da crítca. O Maycas conquistou 94 pontos de James Suckling e o 57 Rocas teve a mesma nota do Guia Descorchados. São importados pelo grupo La Pastina, que tem na vinícola Emiliana seu maior best-seller: o Coyam, feito com um corte de até nove uvas que varia a cada safra.
Segundo Juliana La Pastina, CEO do grupo que leva seu sobrenome e que inclui a imporftadora World Wine, há um interesse crescente por vinhos orgânicos e biodinâmicos no mercaro brasileiro. “A Emiliana, por ser a maior produtora orgânica do mundo, se tornou sinônimo de segurança e credibilidade nessa categoria”, afirmou Juliana. A vinícola construiu sua reputação a partir de um modelo regenerativo implantado ainda nos anos 1990. Hoje, soma cerca de 900 hectares cultivados sem químicos, apostando em biodiversidade, compostagem natural e manejo integrado do ecossistema.
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Entre os vinhos apresentados no Brasil, o 57 Rocas Cabernet Sauvignon chama atenção pela elegância e pela leitura contemporânea do terroir do Valle del Maipo. Os vinhedos ficam bem próximos aos de ícones como Don Melchor e Almaviva, em Puente Alto, dos quais o 57 Rocas se beneficia de uma seleção massal originada dos históricos vinhedos percententes à família Guilisasti (também dona da Emiliana). O nome faz referência aos 57 rochedos alinhados em uma área da propriedade, situada entre 500 e 650 metros de altitude. “Boa parte da água que usamos na irrigação dos vinhedos passa por esses rochedos. Além do aspecto energético, que é vital na produção orgânica, há um simbolismo em relação ao espírito do fundador da Emiliana, José Guilisasti, que insistiu na conversão para práticas orgânicas e biodinâmicas, antecipando a tendência global de consumo consciente”, disse a enóloga Noelia.

Noelia Orts, enóloga da Emiliana: a mulher por trás do maior vinhedo orgânico do mundo (foto: divulgação)
A biodinâmica trabalha com os ritmos da terra e do cosmos. Os calendários biodinâmicos apoiam esta consciência e compreensão, fornecendo informações astronômicas detalhadas e indicações sobre os tempos ideais para semear, transplantar, cultivar, colher e usar as preparações biodinâmicas. No caso do 57 Rocas, que exibe no rótulo as fases da Lua, os ciclos de produção também obedecema um calendário ditado pelos astros. Após a fermentação, ele amadurece por 14 meses em diferentes recipientes — foudres, ovos de concreto e barricas francesas clássicas, usadas para lapidar os taninos sem mascarar a fruta. O resultado é um tinto de perfil fresco e preciso, marcado por frutas negras, notas de ervas e textura refinada, distante da extração excessiva que durante anos caracterizou parte dos tintos sul-americanos.
Já o Maycas apresenta outra interpretação do Chile. Seu nome vem do quechua e significa “terra de cultivo”, definição apropriada para um vinho profundamente ligado ao território do Vale do Limarí, cerca de 500 quilômetros ao norte de Santiago. Ali, na Cordilheira da Costa, o Pacífico exerce influência direta sobre os vinhedos. O clima é conhecido como “deserto frio”: quase não chove, mas um nevoeiro denso cobre diariamente as vinhas durante a tarde, trazendo umidade e preservando a acidez natural das uvas.
Os solos aluviais ricos em carbonato de cálcio ajudam a explicar a mineralidade e a sensação salina presentes nos vinhos da região — característica que frequentemente aproxima o Limarí de algumas áreas calcárias da Borgonha.
Junto às novas safras de Maycas e 57 Rocas, Noelia também apresentou os já consagrados Gê (da safra 2016) e Coyam, rótulos que consolidaram a Emiliana entre os nomes mais respeitados da viticultura sustentável contemporânea.


