Omakase do restaurante The Oriental Sushiya propõe viagem aos primórdios do sushi

Menu Nippon, assinado pelos chefs Caio Kanai e Vinícius Ikeda, revela técnicas tradicionais de preservação do peixe em interpretações atualizadas

No menu do Oriental Sushiya, sushis são feitos usando técnicas ancestrais (Divulgação/Alex Mitsuo Hirakawa)

Por André Sollitto

 

No pequeno balcão do The Oriental Sushiya, restaurante japonês no bairro da Saúde, em São Paulo, cabem apenas nove pessoas. De noite, os chefs Caio Kanai e Vinícius Ikeda também oferecem apenas omakase, um tipo de menu-degustação em que a sequência não é escolhida pelo comensal, mas segue uma proposta da casa. O menu atual, Nippon, de 16 etapas, é uma viagem pela história do sushi, com técnicas antigas, adaptadas para os dias atuais, e interpretações contemporâneas de preparos tradicionais.

 

A viagem começa no Período Edo (1603–1867), quando a influência dos jesuítas portuguesas, que não podiam comer carnes durante o período da quaresma, impulsionou a criação do tempurá, legumes fritos por imersão. 

 

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Depois, segue para os pescados. E falar de sushi, segundo o chef Kanai, é falar de técnicas de preservação do peixe. No início, sem refrigeração, a solução era usar arroz cozido para cobrir o peixe, que fermentava naturalmente e ganhava um sabor levemente avinagrado. A técnica, conhecida como funazushi, ainda hoje é usada em Shiga, uma das regiões conhecidas como prefeituras no Japão. Tradicionalmente, o arroz era descartado e apenas o peixe era consumido. Nessa etapa, o chef serve olho-de-cão, da família do pargo, de carne branca e sabor suave.

 

Ambiente do Oriental Sushiya (Divulgação/Alex Mitsuo Hirakawa)

Ambiente do Oriental Sushiya (Divulgação/Alex Mitsuo Hirakawa)

A sequência continua com um pudim salgado feito com ovos, dashi, caldo básico espessado com fécula de batata, edamame, a soja japonesa, e nametake, condimento à base de cogumelos. No Japão, o pudim salgado é tanto um prato servido em restaurantes sofisticados quanto uma receita do cotidiano. É também uma amostra do domínio sobre o preparo de ovos – algo necessário para que um profissional seja reconhecido como cozinheiro.

 

Outro método de preservação usado na elaboração do sushi ao longo da história é a conserva no shoyu. Na versão servida na casa, o atum yellowfin é marinado por três horas em uma base de shoyu e chega ao balcão com toque do sal e gergelim branco.

 

Ao longo do menu, o chef Kanai também apresenta duas de suas receitas de shari, o arroz japonês temperado com vinagre de arroz, açúcar e sal. Cada uma é mantida em segredo e ele é o único que sabe a proporção dos ingredientes. 

 

Outras etapas do menu incluem o arroz com chá, salmão grelhado e ovas de salmão, comfort food japonesa, e um temaki de inspiração coreana, com vieira peruana, alface romana e shari, que o próprio comensal monta no balcão. 

 

O Oriental Sushiya muda de menu a cada três meses, em média. O anterior era dedicado a brasilidades e a intersecção entre as cozinhas japonesa e brasileira. O próximo, que deve começar a ser servido entre o final de agosto e começo de setembro, será uma celebração dos quatro primeiros anos da casa.

 

Influência coreana: vieira peruana servida com shari e alface romana (Divulgação/Alex Mitsuo Hirakawa)

Influência coreana: vieira peruana servida com shari e alface romana (Divulgação/Alex Mitsuo Hirakawa)

 

O Oriental Sushiya fica na Rua Luís Góis, 1499, e funciona de terça a sexta, com Omakase às 19h ou 21h, e aos sábados, com Omakase às 13h ou 15h, no almoço, e também às 19h ou 21h, no jantar. O menu custa R$ 380 por pessoa, sem bebidas e com serviço cobrado à parte. Há uma carta de saquês com curadoria do chef Ikeda. É preciso fazer reserva.