Vinhos: duas novas preciosidades da Chapada Diamantina

Com vinhos de altitude e precisão, vinícola UVVA apresenta o branco Viognier, de um novo vinhedo a 1.280 metros, e o atraente blend tinto Bateia

Vinhos UVVA abre
Paisagem da Serra do Sincorá a partir da Vinicola UVVA: vinhos, arquitetura e gastronomia (Divulgação)

Por Celso Masson

 

Inaugurada em 2022 em Mucugê, cidade histórica da Chapada Diamantina, no coração da Bahia, a Vinícola UVVA rapidamente se consolidou como um dos projetos vitivinícolas mais audaciosos e contemporâneos do país. Com 52 hectares de vinhedos próprios, distribuídos na forma circular de um pivô central típico da agricultura do Cerrado, a UVVA se desataca não apenas pela implantação em um lugar privilegiado, com vista para as elevações rochosas da Serra do Sincorá, mas também pela proposta de combinar vinhos, arquitetura e gastronomia.

 

Situada a 1.150 metros sobre o nível do mar, a vinícola encontrou no microclima tropical de altitude da Chapada Diamantina o cenário perfeito para a produção de vinhos finos de alta gama. Segundo o enólogo Marcelo Petroli, que entrou no projeto em 2014, o grande segredo por trás do sucesso dos vinhos que elabora é o frescor natural, fruto das baixas temperaturas (sobretudo à noite), da luminosidade intensa e da maturação impecável de suas uvas, em um manejo de precisão. A colheita é de inverno, utilizando a técnica da dupla poda, respeitando o tempo da terra e valorizando a biodiversidade local.

 

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Os primeiros resultados chamaram a atenção, com o tinto Diamã 2019 conquistando 92 pontos no Guia Descorchados 2023 – mesma nota alcançanda no ano seguinte pelo Petit Verdot 2020 da linha Microlote, formada por diferentes varietais. Já o Merlot 2022  obteve ouro no concurso Vinales Internationales 2025, na França.

 

Uvva Viognier 2024

UVVA Viognier 2024 (Reprodução site)

Agora, a UVVA amplia as fronteiras de seu portfólio com dois lançamentos de peso que traduzem a excelência técnica da marca: o surpreendente Viognier 2024, primeira safra de um novo vinhedo a 1.280 metros, e o agradável blend tinto Bateia Corte 2023, batizado em alusão às peneiras usadas por garimpeiros. É uma verdadeira pepita.

O Viognier 2024 marca um momento puramente estratégico para a casa. O rótulo inaugura a exploração de um novo terroir localizado em uma cota ainda mais elevada, a 1.280 metros acima do nível do mar, e traz como inovação prática o uso do fechamento em screw cap (tampa de rosca). A escolha dessa variedade branca que no Brasil ainda produz poucos bons rótulos resultou em um vinho de pureza e vivacidade ímpares. O visual traz um límpido amarelo com toques esverdeados, brilhante. No nariz, entrega notas elegantes de flores brancas, nuances de frutas brancas e um sofisticado toque mineral. Em boca, exibe uma acidez viva e equilibrada, que culmina em um retrogosto focado nas frutas brancas com final persistente e altamente refrescante.

 

Complexidade e equilíbrio

Vinho UVVA Bateia corte 2023

Vinho UVVA Bateia corte 2023 (Reprodução | site)

Para os entusiastas dos tintos que pedem uma segunda garrafa, o Bateia Corte 2023 chega demonstrando a maestria da vinícola na arte dos cortes. Elaborado com uma composição precisa de Cabernet Sauvignon (56%), Cabernet Franc (32%) e Syrah (12%), passou por um cuidadoso processo de vinificação, incluindo 30 dias de fermentação malolática.

 

O grande trunfo do Bateia reside em seu amadurecimento duplo: metade do volume (50%) maturou em barricas de carvalho por seis meses para ganho de corpo e complexidade, enquanto os outros 50% estagiaram em tanques de aço inox pelo mesmo período, uma decisão enológica que salvaguardou o frescor e a energia da fruta. Visualmente vermelho rubi, o vinho abre-se em aromas de frutas vermelhas maduras, especiarias — com destaque para a pimenta rosa — e uma sutil nota floral de violeta. No paladar, mostra-se maduro e elegante, com taninos muito macios, acidez integrada e um final marcado por um agradável retrogosto de especiarias.

Combinando inovação, respeito ao ciclo da natureza e a assinatura de um território extraordinário, a UVVA reafirma que o Nordeste brasileiro tem muito a dizer na vanguarda da viticultura de precisão.