6 Horas de São Paulo: a estratégia da Peugeot para o Mundial em Interlagos

Em entrevista a Versatille, equipe de pilotos da Peugeot fala sobre os desafios para a etapa brasileira do campeonato mundial de endurance

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Peugeot 9X8, o hipercarro da fabricante francesa que compete no World Endurance Championship (WEC) (Divulgação | Peugeot)

Por André Sollitto

 

Poucas corridas são tão icônicas quanto as 24 Horas de Le Mans. Disputada na França, representa um teste de resistência para pilotos e carros, em que é necessário correr sem parar por um dia inteiro, levando ao limite a capacidade dos pilotos e as inovações tecnológicas dos mecânicos e engenheiros.

 

As 24 Horas de Le Mans fazem parte do cronograma da World Endurance Championship (WEC), o campeonato mundial da categoria, em que as equipes são compostas por vários pilotos que se revezam ao volante dos carros. E a próxima etapa do mundial acontece neste final de semana em São Paulo. A prova Rolex 6 Horas de São Paulo voltou ao calendário da cidade em 2024 e desde então vem atraindo fãs do esporte. Acontece no autódromo de Interlagos, com treinos livres realizados nesta sexta-feira, 10. A classificatória é feita no sábado, 11, e a corrida acontece de fato no domingo, 12.

 

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Ao contrário de outras disputas automobilísticas, há mais de uma categoria correndo na pista ao mesmo tempo. No topo estão os hipercarros, com um design esportivo, aerodinâmico e futurista. Mas também competem carros da categoria GT, um pouco menos velozes. 

 

Entre as equipes que vão entrar na pista nos próximos dias, a Peugeot tem uma longa tradição em corridas de endurance. A marca francesa competiu pela primeira vez em 1926, há exatos 100 anos. E venceu a disputada prova de Le Mans três vezes: em 1992, 1993 e 2009. Após alguns anos afastada das provas, retornou em 2022 com o protótipo 9X8, hipercarro que é usado hoje pela equipe na competição.

 

O carro Peugeot 9X8: montadora já venceu Le Mans três vezes (Divulgação | Florent Gooden | DPPI | Peugeot)

VERSATILLE sentou com os pilotos do carro 9X8 #94 da Peugeot TotalEnergies, o experiente francês Loïc Duval e os jovens Malthe Jakobsen, da Dinamarca, e Théo Pourchaire, da França, para falar sobre os objetivos para a prova deste final de semana, a sensação de pilotar em Interlagos e por que participar de competições automobilísticas é tão importante para as fabricantes de carros.

 

Ganhar a corrida é sempre um objetivo, mas quais outras metas vocês esperam alcançar como equipe nesta corrida em São Paulo?

 

Loïc Duval: É realmente importante sermos capazes de manter o ritmo em relação à maneira como paramos. Faz um ano que estamos fazendo corridas muito boas, sem erros, sem penalidades. Como equipe, executamos as corridas muito bem. E essa pista que nos cai bem. No ano passado, nos divertimos muito aqui, então espero que possamos carregar esse bom momento, mesmo sabendo que a competição é muito dura. E ainda temos trabalho pela frente para atingirmos o desempenho puro que queremos.

 

Malthe Jakobsen: Sempre fazer a melhor corrida possível. Essa pista é muito exigente para os pilotos e para o acerto do carro. É muito técnica, com muitas curvas fechadas e apertadas. E, claro, o clima pode ser um grande fator. Olhando a previsão do tempo para domingo, parece que vem muita chuva. Então, tudo isso entra em termos de estratégia.

 

Théo Pourchaire: O mais importante é trazer de volta a confiança para a equipe, porque a corrida de Le Mans foi muito difícil. Foi uma corrida longa e difícil mentalmente para os mecânicos, engenheiros, para os pilotos e para todos. Acho que temos que ser positivos.

 

Como é a sensação de correr em Interlagos, uma pista mais antiga, mas com um enorme legado no automobilismo mundial?

 

Loïc Duval: Comparo São Paulo um pouco a Imola, na Itália, no sentido de que são realmente pistas mais antigas, com uma herança, mas um pouco estreitas. Em termos de pilotagem em si, quando você está no carro sozinho, essas pistas são incríveis de dirigir. Mas então, quando você tem o tráfego com os GTs, fica mais complicado, porque é mais difícil fazer a diferença. É difícil, mas é sempre um prazer estar aqui. Eu me lembro de quando era criança assistindo ao Senna, ao Prost e a esses caras. 

 

Malthe Jakobsen: Para mim, a principal diferença é o fato de que mesmo a reta é composta por uma pequena curva para a esquerda. E na maioria das outras pistas, como Le Mans, que é provavelmente o melhor exemplo, você tem uma enorme quantidade de retas onde você pode descansar, reduzir a pressão do volante, tomar um gole de água do sistema de bebida, falar com os engenheiros no rádio e se comunicar. Aqui em São Paulo, é tão denso e tudo é muito intenso quando você está dentro do carro.

 

Théo Pourchaire: Vai ser minha primeira vez nesta pista. Estive aqui no ano passado como piloto reserva, fiz a caminhada pela pista, mas dirigir em Interlagos vai ser minha primeira vez. Vai ser um turbilhão de emoções, um sentimento especial no início, porque é uma pista lendária. Eu cresci assistindo Fórmula 1 na TV e jogando videogame nesta pista. É um lugar muito, muito especial. Não vejo a hora de completar minhas primeiras voltas lá.

 

Os pilotos Loïc Duval, Malthe Jakobsen e Theo Pourchaire, da equipe Peugeot TotalEnergies (Divulgação | Julien Delfosse | DPPI | Peugeot)

 

Como funciona a dinâmica da equipe? São três pilotos por carro e há um piloto mais experiente, Loic, e dois pilotos mais jovens, Malthe e Théo. Como vocês se organizam?

 

Loïc Duval: Acho realmente positivo termos personalidades diferentes. A diferença de idade também faz diferença. Há coisas que são mais naturais. Quando você quer impor algo, por exemplo, eu tenho um pouco mais de liderança, e isso é normal. Por outro lado, também sei que, pessoalmente, quero correr, quero vencer, mas não sinto que tenho nada a provar. Então, estou feliz que meus jovens colegas de equipe estejam fazendo a qualificação, para sermos capazes de ir até o limite. Acho que nessa configuração é muito fácil encontrar o equilíbrio. 

 

Malthe Jakobsen: Nossa dinâmica funciona muito, muito bem, porque, com o Loic e toda a sua experiência, ele consegue ensinar e guiar a mim e a Théo na direção certa. Mais importante, nos finais de semana de corridas, quando enfrentamos algumas dificuldades, lutamos com o acerto do carro e nos sentimos um pouco para trás, é muito bom ter um cara como o Loic, que está no jogo há tantos anos e sabe quando realmente se preocupar com as coisas, mas também não se estressar demais com detalhes pequenos que podem ser, de certa forma, apenas um ajuste. É bom ter alguém um pouco mais relaxado que possa dizer: “Ei, pessoal, vamos nos acalmar, vai ficar tudo bem”.

 

Théo Pourchaire: É um ótimo lugar para mim porque ainda estou aprendendo. Tenho um colega de equipe experiente como o Loïc e tenho outro companheiro de equipe que tem um ano inteiro de WEC, mas tem a mesma idade que eu, então nos entendemos muito bem. É uma ótima formação, temos um pouco de tudo, o que é ótimo. Sei o que preciso fazer, que é andar bem na pista, dar um bom feedback e não cometer grandes erros. Sinto que fiz um bom trabalho desde o início do ano e tento continuar trabalhando duro.

 

Como vocês veem a importância da Peugeot participar do automobilismo, especialmente das corridas de endurance? É algo que se reflete também na percepção do público sobre a marca?

 

Loïc Duval: Esse é o nosso lugar. Se olharmos um pouco para a história, este ano fez cem anos desde que a Peugeot fez suas primeiras 24 Horas de Le Mans. Então, a marca está aqui há muito, muito tempo. Já venceu Le Mans. É parte do DNA. Acredito que o endurance realmente se encaixa no valor da empresa, no esforço da equipe e na herança que temos. E com uma qualidade tão alta, acho que é ótimo ter um construtor como a Peugeot envolvida no endurance.

 

Malthe Jakobsen: É incrível para o público, fãs e espectadores do campeonato ver a ligação entre seus carros de rua e os carros que estão na pista. Eles reconhecem as luzes e as garras. Há uma identidade do carro de corrida nos carros de rua também. E para Peugeot, sendo uma fabricante francesa com a história de ter ganhado Le Mans três vezes antes, é ótimo estarem representados nessa corrida e não desistir, mesmo sendo uma corrida muito competitiva e difícil.

 

Théo Pourchaire: É uma equipe que venceu Le Mans e sabemos o quanto isso é especial. Como piloto francês, estou muito feliz por representar uma marca francesa, então é ainda mais especial. Quando vamos para Le Mans, onde há tantos franceses nos apoiando, sempre queremos fazer o melhor trabalho possível por lá.