Atto 8: entenda a performance do SUV de luxo da BYD que quer brigar com Mercedes

Utilitário híbrido Atto 8 tem quase 500 cv, acelera de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos e pode levar até 8 ocupantes com conforto

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BYD Atto 8 é o SUV mais potente da fabricante chinesa no Brasil (Divulgação/BYD)

Por André Sollitto

 

Quando começou a vender carros no Brasil, em 2021, a BYD adotou uma estratégia de valorização dos veículos chineses como produtos premium. Apresentou inicialmente dois modelos voltados ao público de luxo: o sedã Han e o SUV grande de sete lugares Tan, ambos na faixa de meio milhão de reais. Ambos continuam sendo comercializados por aqui, mas perderam espaço para outros modelos. Agora, a empresa está reforçando sua presença no segmento de SUVs com sete lugares com a chegada do híbrido Atto 8.

 

Apresentado inicialmente no Salão do Automóvel de São Paulo no final de 2025, o modelo chegou de fato ao mercado brasileiro neste ano. Além do porte – são 5,04 metros de comprimento, 1,99 m de largura e 2,95 m de entre-eixos -, é hoje o utilitário mais potente oferecido pela chinesa no Brasil.

 

São 488 cavalos de potência total. A plataforma DM-P combina combina um motor 1.5 turbo a gasolina de 156 cv e dois motores elétricos de 271 cv cada, um em cada eixo. Com isso, acelera de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos e alcança velocidade máxima de 200 km/h. Vem  equipado com uma bateria de 35,6 kWh de capacidade (para efeito de comparação, um Dolphin Mini, totalmente elétrico, tem bateria de 38 kWh) e autonomia total de até 900 quilômetros, ou 110 km se for usado apenas como elétrico.

 

Dentro da cabine tem uma série de itens voltados ao conforto: teto solar panorâmico, sistema de aquecimento, ventilação e massagem em múltiplos pontos tanto para os ocupantes da primeira fila quanto da segunda, luz ambiente e sistema de som com 21 alto-falantes. 

 

Interior do BYD Atto 8 valoriza o conforto (Divulgação/BYD)

 

Tudo isso representa uma experiência ao volante totalmente voltada ao conforto, ideal especialmente para viagens mais longas. Os bancos são confortáveis, a reprodução de música é de ótima qualidade e as tecnologias de navegação, por exemplo, são responsivas, incluindo o bom head-up display. Como outros carros chineses, tem um excesso de alertas sonoros e visuais que podem incomodar a condução no dia a dia.

 

A potência extra dá segurança em acelerações e ultrapassagens, mas a suspensão mais “mole”, uma característica dos veículos chineses, não convida a uma direção mais agressiva. Sua proposta é familiar e a cavalaria quase exagerada ajuda a impulsionar um carro de grandes dimensões, mesmo cheio. Pode levar sete pessoas, embora quem viaje na terceira fila vá um pouco apertado. Quem precisa carregar bagagens tem até 1.960 litros com os bancos rebatidos.

 

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Nesse segmento, a concorrência é tanto contra modelos de montadoras tradicionais, já bem estabelecidos, quanto com outros novatos chineses. Quem precisa de um carro maior pode recorrer ao Toyota SW4 ou Chevrolet Trailblazer. Mas ambos são projetos mais antigos, que não são atualizados há anos. Ainda mantém seu apelo pela tradição e pela robustez, mas pecam na falta de tecnologias. Há o Jeep Commander, com apelo offroad nas versões mais caras, mas que tem motor mais fraco para o tamanho do carro nas opções mais baratas. Entre as fabricantes de luxo, concorre com o Mercedes-Benz GLB, que também comporta até 7 ocupantes.

 

Por outro lado, há no mercado brasileiro modelos chineses na mesma categoria de SUVs para sete pessoas que custam bem menos e não ficam tão atrás do Atto 8. O Caoa Chery Tiggo 8 é um deles. Foi pioneiro no segmento e hoje é vendido tanto com motor apenas a combustão quanto em versão híbrida plug-in, na faixa de R$ 270 mil (leia mais no final). Vendido a R$ 399.990, o novo BYD é mais caro que seus concorrentes diretos (incluindo a Mercedes GLB), mas fica atrás apenas da SW4 e da Trailblazer, que passam de R$ 400 mil.

 

A GWM também oferece o Haval H9, que tem uma proposta fora de estrada e é equipado com motor 2.4 Diesel, o mesmo da picape Poer, sem versões híbridas, o que pode limitar seu apelo entre quem busca maior autonomia.

 

Comparativo: Atto 8 é bem superior que o Tiggo 8

 

Por Celso Masson

 

Para finalizar, vai aqui um comentário de quem está bem familiarizado com o Tiggo 8 PHEV:

 

Comprei o modelo híbrido plu-in da Caoa Cheryhá cerca de um ano (meu carro anterior era também um Tiggo 8, mas a gasolina) e já rodei mais de 12 mil km, em todas as condições possíveis: na cidade, em estradas boas e ruins, sob chuva, neblina, na terra… só não encarei neve. Com 317 cavalos na combinação dos propulsores e um excelente torque de 56,6 kgfm, é um carro veloz, muito confiável, econômico e seguro. Mas não se compara ao Atto 8 em termos de sofisticação – algo que se nota desde o acabamento externo até as respostas ágeis de uma tocada mais esportiva no BYD.

 

No Atto 8, apesar do tamanho avantajado que dificulta a entrada em certas vagas de estacionamento, a sensação ao volante é de estar no comando de um carro de dimensões bem menores, dada a boa relação peso x potência e a dirigibilidade precisa. A BYD acertou na calibragem da suspensão para o perfil brasileiro, ainda que com aquela maciez de sobra que pode incomodar alguns motoristas. A autonomia impressiona, com mais de 800 km na cidade (com tanque cheio e bateria 100% carregada).

 

Para quem necessita de espaço para sete ocupantes ou viaja com bastante bagagem, o Atto 8 atende perfeitamente e proporciona uma pilotagem prazerosa. Eu só não garanto que será meu próximo carro porque estou à espera do Tiggo 9, que talvez chegue com mais atributos para rivalizar com o novo SUV da BYD.

 

 

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