Punta del Este atrai brasileiros em busca de segunda residência e domicílio fiscal
Tradicional destino de verão ganha espaço como alternativa de investimento e diversificação patrimonial, impulsionado por benefícios tributários e por novos projetos como Cipriani, SLS e Agreste

Por Celso Masson
Durante décadas, Punta del Este ocupou um lugar bastante definido no imaginário dos brasileiros: destino de férias, especialmente no verão. Essa relação começa a mudar. A proximidade com o Brasil, a estabilidade institucional, a segurança jurídica e os benefícios oferecidos a novos residentes fiscais vêm levando compradores de alta renda a olhar para o Uruguai também como endereço de uma segunda ou terceira residência.
“Punta del Este sempre foi um destino muito procurado pelos brasileiros, principalmente para turismo. Pelas mesmas razões, eles começaram a procurar o país como segunda ou terceira residência”, afirmou Alvaro Marco Coelho da Fonseca, co-CEO da Coelho da Fonseca. Três projetos atualmente representados pela empresa ajudam a mostrar a variedade dessa oferta.
No topo do mercado está o Cipriani Residences Punta del Este, diante da Playa Brava. O projeto combina residências, hotel e cassino e recupera uma referência histórica da cidade: o antigo San Rafael, durante décadas um dos endereços mais tradicionais de Punta del Este.
As residências vão de aproximadamente 140 a 800 m² e todas têm vista para o mar. Segundo Álvaro, os valores estão na faixa de US$ 10 mil por metro quadrado. “O Cipriani é uma marca internacional muito forte. O empreendimento terá residências, hotel e cassino, com todo o conceito de serviço da marca”, diz. A previsão informada pela empresa é de entrega das torres residenciais no fim de 2027.

Ilustração de uma das unidades residenciais do Cipriani Punta del Leste (divulgação)
Como as unidades a partir de 200 metros quadrados custam mais de US$ 2 milhões, elas trazem uma vantagem adicional para o investidor: o regime fiscal vigente no Uruguai prevê um benefício tributário para novos residentes que façam aportes imobiliários superiores a 12,5 milhões de Unidades Indexadas, equivalentes a cerca de US$ 2 milhões. Nessa modalidade, determinadas rendas e ganhos de capital obtidos no exterior podem ficar isentos de tributação no Uruguai no ano em que a residência fiscal é adquirida e nos dez exercícios seguintes. “É um atrativo importante para quem busca domicílio fiscal no exterior”, afirma o executivo.
Bem mais acessível, o empreendimento SLS Punta del Este, com a chancela da rede Accor, procura transportar para as residências a atmosfera mais jovem e contemporânea da marca hoteleira. O empreendimento terá hotel nos primeiros pavimentos e apartamentos de cerca de 68 a 300 m², entregues com acabamentos, marcenaria e louças instalados.

Perspectiva ilustrada das varandas do SLS, com unidade a partir de US$ 3090 mil (divulgação)
Os preços das menores unidades começam em aproximadamente US$ 300 mil. Beach club exclusivo, serviço de praia e acesso à estrutura hoteleira integram o pacote. “As pessoas querem cada vez mais facilidade e os serviços que esse tipo de empreendimento oferece”, afirma Álvaro.
Casa no campo com vinho
O terceiro endereço troca a concentração urbana de Punta del Este por uma paisagem de campo. O Agreste, na região de Punta Negra, fica a cerca de meia hora do centro de Punta del Este e a poucos minutos do mar. Desenvolvido por empresários brasileiros em parceria com a família uruguaia Bouza, conhecida pela produção de vinho, o projeto oferece lotes de 4 mil m², com preços a partir de US$ 300 mil.
A proposta combina privacidade, vegetação nativa e grandes terrenos com acesso relativamente rápido à praia. “Você está na sua casa de campo e, ao mesmo tempo, está na praia. Em cinco minutos de carro chega ao mar”, resume o exercutivo. O empreendimento fica ainda a cerca de 15 minutos do aeroporto de Punta del Este e conta com o restaurante Las Espinas e uma vinícola ligada à família Bouza.
São produtos bastante distintos, mas que respondem a uma mesma transformação. Para uma parcela dos brasileiros de alta renda, comprar no Uruguai deixou de significar simplesmente ter um imóvel para passar o verão. Segunda residência, serviços de hotelaria, possibilidade de renda e diversificação geográfica passaram a fazer parte da decisão. Os valores dos imóveis comercializados pela Coelho da Fonseca no país vão de cerca de US$ 300 mil a US$ 10 milhões.
E a geografia continua sendo um argumento poderoso. “É mais perto do que ir para alguns destinos do próprio Brasil”, diz Álvaro. Segundo ele, paulistas e gaúchos estão entre os compradores mais interessados — estes últimos com uma vantagem adicional: podem chegar rapidamente ao Uruguai de carro.
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