Pininha: o bar escondido na Barra Funda que desafia a coquetelaria óbvia
Sob o comando de Gabriel Szklo e Gabriella Pássaro, o discreto bar tem balcão para nove pessoas, funciona só com reservas e foca em drinks secos, amargos e salgados

Por André Sollitto
Não há nenhuma indicação na fachada e a porta do Pininha está fechada para a rua. É preciso espiar pela cortina para ver o balcão de nove lugares do pequeno bar, que atende apenas de quinta a sábado, à noite, com reservas. A aura de mistério esconde um dos espaços mais criativos de São Paulo, que apresenta uma nova carta de coqueteis focada em clássicos e suas diferentes interpretações, assinadas por Gabriel Szklo e Gabriella Pássaro.
“Assim como a História, a coquetelaria é feita de apagamentos. Este cardápio é um arquivo, uma tentativa de organizar memórias para que elas não desapareçam. Por isso, aqui não temos os drinques-atalho. Não há um nome familiar para pedir sem precisar pensar.” É assim que a nova carta é apresentada. A dupla até faz uma brincadeira: em um quadro ao lado da estante de bebidas, eles contabilizam quantos dias estão sem preparar nenhum Fitzgerald, o drink da moda. “Queremos fazer o que quisermos, sem as pressões da indústria e das redes sociais”, afirma Gabriel Szklo.
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De cara, o que chama a atenção é a quantidade de variações de Bloody Mary, tradicional coquetel feito com suco de tomate temperado e vodka. São 21 interpretações, algumas bastante radicais. É o caso de Bloody Joseph, elaborado com uísque defumado nacional da Lamas, destilaria de Minas Gerais, suco de tomate, coentro e pimenta jalapeño. Já a Bloody Caesar leva jerez fino, clamato (mexilhão e suco de tomate), endro, raiz forte e pimenta preta.

Coquetel Pickelback, tem perfil ácido e salino, com cachaça envelhecida em umburana, picles e alho (Divulgação/José Eduardo Moreau)
O foco da carta é em opções de coqueteis secos, amargos e salgados. Não há nada muito frutado ou cítrico. O Pickelback, por exemplo, tem perfil ácido e salino, com cachaça envelhecida em umburana, picles e alho. Já o Garum Martini é inspirado no Garum, tradicional tempero à base de peixe fermentado, elaborado com jerez fino, saquê e extrato de aliche. Todos os coqueteis são preparados na frente dos clientes, elaborados com poucos ingredientes. “Me interesso mais pela técnica de execução do que pelo pré-preparo”, conta Gabriel. Por isso, só tem xarope de açúcar e os temperos do Bloody Mary feitos de antemão. O resto é feito na hora.
Para acompanhar as bebidas, o menu oferece petiscos saborosos e que fogem do óbvio. A pedida é começar com a tábua de charcutaria, feita com produtos artesanais da marca paulistana In Caneva. A mini berinjela recheada com castanha de caju é outra boa surpresa, assim como o sanduíche de língua, com maionese de tucupi preto e picles de maxixe.
O Pininha foi oficialmente inaugurado há um ano. Depois de algumas mudanças, assumiu seu formato atual, “definitivo”. Antes, tinha mesas, além dos lugares no balcão, mas elas foram retiradas. No fundo do espaço, uma pequena biblioteca reúne os livros de coquetelaria de Gabriel e Gabriella, bem como itens colecionáveis.
Além do Pininha, Gabriel Szklo e Gabriella Pássaro têm outros empreendimentos. O principal é o Pina, que está temporariamente fechado para reforma, mas deve reabrir em breve com uma nova proposta de coqueteis direto de torneiras, sem coquetelaria ao vivo, e preço máximo de R$ 30 por drink. A dupla também produz coqueteis e faz consultoria para outros restaurantes, como a cervejaria Trilha.
O Pininha Drinques funciona na Rua Brigadeiro Galvão, 549, na Barra Funda, de quinta a sábado, a partir das 19h30. É preciso fazer reservas direto pelo Instagram do bar.
