Obras e residência de Fulvio Pennacchi serão leiloadas após exposição inédita
A praça acontecerá on-line entre 6 e 8 de junho e a exibição permanecerá aberta até 5 de junho
Neste mês, serão leiloados de maneira virtual cerca de 350 trabalhos – entre telas e cerâmicas –, bem como a residência onde o pintor ítalo-brasileiro Fulvio Pennacchi passou sua trajetória artística. Sob o comando do leiloeiro James Lisboa, a praça acontecerá em 6 de junho, às 21 horas, e será transmitida pelo canal Arte1; e em 7 e 8 de junho, às 20 horas. Antes que toda a coleção seja vendida, no entanto, há uma primeira e única oportunidade de conhecer esse acervo: a família Pennacchi abre hoje (30) a casa a fim de exibir o espólio até 5 de junho, das 11 às 17 horas. As visitas devem ser previamente agendadas pelo site oficial do leilão (www.leilaodearte.com).
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Pennacchi nasceu na região da Toscana e chegou ao Brasil com 24 anos, em 1929, e aqui constituiu família e criou, além de obras de arte icônicas, projetos arquitetônicos que perpetuaram traços inconfundíveis em uma época em que a profissão de arquiteto ainda não era reconhecida. Era ligado ao grupo Santa Helena – coletivo de pintores que se formou a partir de meados da década de 1930, na cidade de São Paulo –, do qual também faziam parte Aldo Bonadei, Mário Zanini, Humberto Rosa, Francisco Rebolo, Alfredo Volpi e tantos outros. O pintor, ceramista, desenhista, ilustrador e gravador Fulvio Pennacchi exaltou a simplicidade do povo brasileiro e do italiano e a religiosidade por meio de sua arte e deixou seu legado em sensíveis e delicadas criações.
Tanto a Igreja da Paz, localizada na cidade de Glicério, quanto a própria casa, no Jardim Europa, são projetos assinados por Pennacchi e inspirados em sua terra natal, a Toscana. As características regionais podem ser percebidas nos arcos das portas de ambas as construções, no revestimento típico empregado nas paredes externas da casa e nos inúmeros afrescos, todos criados por ele nos dois projetos.
A residência ocupa uma área de 686 metros quadrados de um terreno de 2.756 metros quadrados, e os 15 afrescos que existem nela podem ser adquiridos na aquisição da propriedade. Um destaque é o ateliê do artista, que se encontra praticamente intocado e no qual algumas últimas criações inacabadas transmitem certa vivacidade mantida pelo tempo.
Para o leiloeiro James Lisboa, estar à frente de um leilão desse porte acarreta um amadurecimento do ato de “leiloar” em todo o Brasil. “Estamos falando de um acervo pessoal criado e guardado ao longo de várias décadas, e temos de levar em conta o fato de que a família acreditou que o leilão seria a forma mais democrática e transparente de colocar todo esse acervo à venda. São peças que nunca foram postas a pregão – peças exclusivas e inéditas colocadas à venda pela primeira vez.”
Lisboa destaca ainda a relevância de também vender a casa, uma vez que o artista nunca se mudou; portanto, a residência permaneceu como seu local de trabalho durante 65 anos de sua trajetória artística. “Além de construir a casa, Pennacchi sempre esteve ali, criando e trabalhando. Então o que realmente importa é a unidade do artista no sentido de espaço”, acrescenta.
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A decoração com afrescos, têmperas e cerâmicas, bem como os detalhes da arquitetura, permitem aos espectadores fazerem uma viagem no tempo e para outro continente. “Essa casa simboliza uma história diferente, tanto para mim, nossa família, quanto para a cidade. É uma história diferente, é a síntese do mundo dele”, diz Marcos Pennacchi, filho mais velho do artista.