Um loteamento na Mantiqueira para quem quer produzir vinho e café na própria casa de campo
Com proposta inédita no Brasil, Fazenda Sede terá 45 propriedades com vinhedos particulares em uma área histórica entre São Paulo e Minas Gerais

Por Celso Masson
Uma fazenda de 127 hectares na divisa entre Espírito Santo do Pinhal, em São Paulo, e Jacutinga, em Minas Gerais, dará origem a um empreendimento que procura associar segunda residência e atividade agrícola. Prevista para ser inaugurada no fim de 2028, a Fazenda Sede terá 45 propriedades nas quais os moradores poderão cultivar seus próprios vinhedos e participar da elaboração de vinhos.
Primeiro projeto da Campo, empresa dedicada ao desenvolvimento de espaços rurais, o empreendimento ocupa a antiga Fazenda Ranchão, produtora de café desde o século XIX. As glebas terão entre 20 mil e 25 mil metros quadrados e espaço destinado aos vinhedos. Os proprietários poderão participar de decisões como escolha das variedades, estilo do vinho e criação do rótulo, com suporte de uma equipe técnica.
A direção agrícola está a cargo do português Paulo Monteiro, natural da Região Demarcada do Douro e radicado em Espírito Santo do Pinhal. O crítico de vinhos Jorge Lucki participa como consultor especial do projeto.
Altitude
A localização acompanha a expansão da viticultura na região da Serra da Mantiqueira. A Fazenda Sede está a 1.115 metros de altitude, em uma área na qual produtores vêm utilizando a técnica da dupla poda para deslocar a colheita das uvas para o período mais seco do ano. Um levantamento realizado na propriedade identificou seis áreas com características distintas de solo e exposição, que orientarão a escolha das variedades plantadas.
A proposta, porém, não se limita ao vinho. O projeto recupera a vocação agrícola de uma propriedade historicamente ligada ao café e pretende aproximar os moradores da produção rural e das atividades econômicas da região.

Paulo Monteiro, Eduardo Carvalho, Jorge Lucki e José Humberto Teodoro (Crédito: Iana Porto/divulgação)
A Fazenda Sede surgiu a partir de uma iniciativa dos empresários Eduardo Andrade de Carvalho e José Humberto Prata Teodoro Júnior, amigos desde os tempos de faculdade. Carvalho tem cerca de duas décadas de atuação no mercado imobiliário e fundou a Campo; Teodoro construiu a carreira no agronegócio, com passagens por Terra Santa Agro, BrasilAgro e BRF.
Parte importante do empreendimento será a recuperação das construções da antiga fazenda. O projeto arquitetônico é da RADDAR, escritório dirigido por Sol Camacho. A Casa Sede será restaurada para receber restaurante e espaços para eventos, enquanto a antiga Tulha abrigará ambientes relacionados ao vinho e áreas de convivência. A Capela de São José também será recuperada, e o terreiro de café será preservado como referência à atividade que marcou a história da propriedade.
A estrutura comum terá ainda adega de vinificação, cozinha experimental, horta, pomar, empório, biblioteca, lago, quadras de tênis, trilhas e academia.
Segundo Eduardo Andrade de Carvalho, a intenção é evitar a lógica de um condomínio rural isolado de seu entorno. “A conexão com uma cidade pequena é uma experiência diferente da que temos na cidade grande. Não é melhor nem pior, é diferente. A ideia é estimular o convívio com o entorno, não o isolamento”, afirma.
Com acesso a vinícolas, produtores de queijo e pequenas cidades da Mantiqueira, a Fazenda Sede tenta explorar uma categoria ainda pouco comum no mercado brasileiro: a propriedade de lazer que mantém uma atividade agrícola efetiva, em vez de apenas reproduzir a estética da vida no campo.
Leia mais:
- Punta del Este atrai brasileiros em busca de segunda residência e domicílio fiscal
- Conheça os edifícios em São Paulo onde o metro quadrado chega a R$ 90 mil
