Isabella Fiorentino pelos olhos da irmã, Carol Fiorentino

Apresentadora, fashionista, ex-modelo, mãe de trigêmeos: como é ter esse monumento como irmã?

Uma vez, num salão de beleza em que havia uma revista com a Bella na capa, alguém me perguntou como era ser irmã de uma pessoa famosa. Foi engraçado, porque para mim ela continuava a ser – e ainda continua – a moleca que subia no pé de amora e ficava inteira suja, com a roupa toda roxa por causa das frutinhas. A mesma pessoa com quem eu dividia quarto, que me fazia de boneca e maquiava meu rosto. Que me entregou, na adolescência, ao descobrir que eu vinha cabulando aula em doses perigosas – ela sempre me protegeu, e hoje entendo que foi para o meu bem.

 

Receber da VERSATILLE a missão de escrever sobre a pessoa que o mundo conhece como “a modelo e apresentadora Isabella Fiorentino” trouxe de volta um monte de coisa boa, como essas memórias de que falei acima. Por isso decidi contar mais sobre a versão “só para a família”. Afinal, as revistas vira e mexe gostam de usar aquelas chamadas tipo “fulana de tal como você nunca viu”.

 

Uma coisa que costuma surpreender todo mundo é que a Bella ama filme de terror. Não só adora ver como faz umas brincadeiras em que imita um zumbi. Ela fica parada olhando para a parede, joga o cabelo para a frente, fixa o olhar na gente… Parece atriz, de tão convincente. As crianças ficam morrendo de medo. Até eu sinto um pouco, confesso.

 

 

Acho que o público, de modo geral, nem sonha com esse lado divertido. E eu entendo, porque a imagem dela que se consolidou na televisão e na mídia – em grande parte graças ao trabalho excepcional da minha outra irmã, Alessandra, que é nossa empresária – é a de uma superempresária, que não erra um look e consegue dar conta de tudo, da carreira bem-sucedida à rotina de mãe de trigêmeos. E ela, de fato, é todas essas coisas.

 

 

Como ela consegue? Eu já me perguntei também, principalmente desde que nasceu a Angelina, minha bebê que hoje está com 7 meses e que, não à toa, tem a Bella como madrinha. Porque não só ela toca tudo isso como acha tempo para ser uma excelente amiga. Pode perguntar a qualquer uma das amigas dela, que vai ser unânime: sempre que alguém precisa, ela se dispõe a ajudar. Em alguns casos, se mobiliza para dar uma força mesmo a quem não é tão próximo.

 

Acho que a chave para entender está no fato de que a Bella não se deixa vencer quando alguma coisa dá errada. Com ela, é sempre bola para a frente. Ela se permite, sim, sofrer ou sentir a tristeza. Não estou falando de fingir que momentos ruins não existem, não me entendam mal. Apenas que ela parece ter uma facilidade maior em tocar o barco, quicar no chão e se levantar depressa.

 

 

Também tem um ingrediente que a faz se destacar, penso. A capacidade de se focar no profissional. Em qualquer trabalho, sejam as fotos para esta reportagem, seja uma gravação de televisão ou uma cobertura de desfiles de moda internacionais, ela consegue desligar da visão o que não merece atenção naqueles momentos. Sempre foi assim.

 

Lembro da primeira vez que a gente foi com ela a uma agência de modelos, depois da aula. Eu fiquei no banco de trás do carro, ela toda animada. Depois ela conseguiu trabalho num showroom de moda, na Mooca. Ia depois do colégio, megadisciplinada. Foi uma vitória, principalmente para alguém que tinha trauma de ser magricela, usava três calças de moletom em pleno verão, e a gente a chamava de Olivia Palito. E de tricotovelo. (Um aviso: aconteça o que acontecer, não deixe o cotovelo da Bella acertar você! Gente, é muito pontudo! Vocês não imaginam quanto dói.)

 

 

A Bella me inspira de 1 milhão de formas. Centrada, correta, generosa, apaixonada pela vida, pela família e pelo trabalho. Com um bônus: nunca foi uma pessoa de se deslumbrar, de ficar encantada demais, se iludir ou perder a raiz. Como ela sempre foi muito pé no chão, nunca tivemos isso de “ah, ela é famosa”.

 

Ela tem essa coisa de ser de verdade, e eu sempre acho curioso como muita gente se aproxima dela com receio de ser julgada pelas roupas que veste – coisa que ela só faz profissionalmente, acho importante reforçar. É como se fossem surgir câmeras e aquela pes – soa fosse descobrir que ia participar de uma reformulação fashion como as que minha irmã faz na televisão. Eu não tenho esse receio, mas a opinião dela é fundamental, obviamente. Quando provo uma roupa que amo, tiro foto e mando pra ela, porque, se ela ficar orgulhosa do que escolhi, é sinal de que estou no caminho certo.

Ah, sim. Ela é muito criteriosa. Muito. Exigeeeeente! Com ela mesma, em primeiro lugar, o que acho que é algo que mudou um pouco graças à convi – vência comigo, que sou superdesenca – nada. Ela inspira as pessoas de uma for – ma para que se cuidem mais, não num sentido superficial, mas de se valorizar, seja pela elegância, seja ao mostrar que todo mundo tem de se amar mais, lutar mais por si mesmo.

 

Acho que irmãos vêm ao mundo para aprender juntos, e nessa jornada tive uma grande professora e me esmerei para ser ótima aluna. Quando comecei a fazer televisão, foi a ela que pedi con – selhos e diretrizes. Espero que nunca nos faltem chances de crescer mais ainda, lado a lado.

 

P.S.: e ela roía a unha do pé quando era pequena. Te amo, Bella, não me mata!

 

FOTOGRAFIA MICHAEL WILLIAN – STYLING JOÃO VICTOR BORGES – BELEZA ELIEZER LOPES – PRODUÇÃO DE JOIAS SHULY DABBAH – PRODUÇÃO EXECUTIVA AGÊNCIA ODMGT – ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA DIEGO SERRES

 

CAPA por Carol Fiorentino | Matéria publicada na edição 114 da Revista Versatille

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