O SUV chinês que tirou o sono do Toyota SW4
Ao superar o rival japonês em vendas, o GWM Haval H9 mostrou que a disputa pelo segmento de SUVs grandes entrou em uma nova fase

Por Celso Masson
Durante quase duas décadas, o Toyota SW4 reinou praticamente sozinho entre os grandes SUVs a diesel vendidos no Brasil. A chegada do GWM Haval H9, porém, começou a alterar esse cenário. Em maio, o utilitário da fabricante chinesa voltou a superar o rival japonês em emplacamentos — 1.220 unidades contra 1.187 — repetindo o resultado alcançado em março e consolidando uma disputa que parecia improvável até bem pouco tempo.
A notícia chama atenção porque o segmento sempre foi marcado pela fidelidade dos consumidores e pela força da reputação construída ao longo dos anos pela Toyota no Brasil. Em poucos meses de mercado, o H9 conseguiu romper essa barreira oferecendo um conjunto que combina preço competitivo, amplo pacote de equipamentos, garantia de dez anos e uma proposta claramente voltada ao conforto, sem abrir mão da capacidade off-road que se espera de um utilitário com chassi sobre longarinas.
Para entender o que está por trás desse desempenho, a reportagem da Versatille avaliou o modelo em aproximadamente 600 quilômetros de trajetos urbanos e rodoviários, entre São Paulo, São Roque, Campinas e Santos.

SUV tem porte e aparÊncia que lembram modelos como o Land Rover Defender, porém custando apenas R$ 335 mil
Os números do motor talvez não impressionem à primeira vista. O quatro-cilindros 2.4 turbodiesel entrega 184 cv, potência inferior à de alguns concorrentes. Ao volante, entretanto, a sensação é bem diferente. O torque de 480 Nm aparece cedo e garante respostas rápidas sempre que o acelerador é exigido. Em retomadas e saídas de cruzamentos, o H9 transmite uma agilidade superior à sugerida pela ficha técnica. As aletas atrás do volante permitem reduzir manualmente as marchas quando se busca uma resposta ainda mais imediata do câmbio automático de nove velocidades.
Sete lugares, sem aperto
O conforto é outro ponto que merece destaque. A suspensão absorve bem as irregularidades do piso, o isolamento acústico mantém a cabine silenciosa mesmo em velocidades de rodovia e os bancos acomodam confortavelmente viagens longas. O espaço interno também reforça a vocação familiar do modelo, com capacidade para sete ocupantes sem a sensação de aperto comum em alguns utilitários esportivos.

Interior Haval H9 (divulgação)
Apesar dos quase cinco metros de comprimento, o H9 não intimida nas manobras urbanas. O conjunto de câmeras, sensores e a ampla tela central facilitam estacionamentos e reduzem a sensação de estar conduzindo um veículo de grandes dimensões. A central multimídia concentra praticamente todas as funções do veículo e oferece boa resolução, embora alguns comandos do volante — especialmente os dedicados ao sistema de áudio — exijam um período de adaptação até se tornarem intuitivos.
Durante a avaliação, apenas dois aspectos mereceram ressalvas. O primeiro foi a estimativa de autonomia apresentada pelo computador de bordo, excessivamente sensível às mudanças de percurso. O veículo foi retirado com previsão de 742 km de alcance. Após menos de 20 km de trânsito urbano, a estimativa caiu em cerca de 100 quilômetros. Mais tarde, depois da viagem de ida e volta entre São Paulo e São Roque, voltou a indicar aproximadamente 720 km, apesar da longa distância já percorrida (mais de 70 km). Ao longo do teste, as oscilações continuaram desproporcionais ao consumo efetivo de diesel, tornando a informação pouco confiável para o planejamento das viagens.
Cuidado com o estepe
O segundo ponto diz respeito ao estepe, instalado sob a traseira do veículo. Embora essa solução seja tradicional em utilitários com chassi, ela o deixa mais exposto a furtos. O compartimento localizado na lateral do porta-malas, que à primeira vista poderia sugerir o alojamento da roda sobressalente, funciona apenas como um pequeno porta-objetos com capacidade para 10 quilos.

Câmbio futurista em estilo gamer e console central Haval H9 (divulgação)
A ficha técnica ajuda a explicar parte do sucesso comercial do H9. Outro fator é o preço. Com porte e visual que lembra o Land Rover Defender, o modelo é vendido no Brasil em versão única a R$ 335.000,00, valor que o torna bem atraente por tudo o que ele oferece. Se tudo isso não basta para entender o primeiro lugar no pódio, a experiência de uso esclarece o restante.
O modelo reúne atributos valorizados por quem procura um SUV grande — conforto, espaço, robustez, tecnologia e bom custo-benefício — sem transmitir a sensação de que está sacrificando desempenho ou refinamento. Não é por acaso que, em poucos meses, passou a disputar de igual para igual um segmento que durante anos teve um único protagonista.
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