Caminhos da prosperidade
O colunista Murillo de Aragão discorre sobre como o Brasil pode evoluir após as consequências pandêmicas
É extraordinário como eventos magníficos podem provocar memórias detalhadas. O casamento do meu filho Lucas me fez lembrar de seu nascimento, das idas à escola, de seus tempos de jogador de futebol, entre outras recordações maravilhosas. Ao fundo, como cenário do meu palácio da memória, o pôr do Sol espetacular de Brasília.
Ao presenciar a cerimônia e desejar que o futuro do casal seja tão brilhante quanto o seu passado, refleti sobre o país em que vivemos e o momento de transformações pelo qual passamos. Como será o Brasil daqui a 30 anos? Evoluiremos como sociedade? A resposta está nas decisões que tomaremos daqui para a frente.
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Até a pandemia, o Brasil tinha sido poupado de tragédias mundiais. Porém, com mais de centenas de milhares de mortos e a devastação na economia informal, nada será como antes – o que, no mínimo, impõe uma reflexão sobre como fazer com que o Brasil de amanhã seja melhor do que o de hoje.
A primeira reflexão refere-se à importância da economia informal na dinâmica do país. Pelo menos 39 milhões de brasileiros, ou mais, estão na economia informal, fato que motivou a adoção de auxílios emergenciais, iniciativa que impediu uma tragédia total. Paralelamente, o número de pessoas vivendo nas ruas aumentou 30%. Incorporar a economia informal ao mundo formal por meio de políticas específicas é tarefa crucial.
A segunda reflexão é que o Brasil deve muito ao Sistema Único de Saúde e à cultura da vacinação, disseminada entre nós. Sem o SUS nem a capacidade de vacinar, o impacto provocado pela covid-19 teria sido bem maior. Termos um sistema público de saúde robusto é essencial.
A terceira reflexão é que o Brasil pode ser muito eficiente com o trabalho a distância por conta da infraestrutura montada em nosso setor de comunicações, que não colapsou, apesar da sobrecarga de utilização. E evidenciou-se a capacidade de adaptação do brasileiro às circunstâncias adversas postas pela pandemia. Assim, devemos aproveitar o tsunami digital que o 5G poderá proporcionar.
Finalmente, a quarta reflexão refere-se à certeza generalizada de que o mundo não será o mesmo daqui em diante. E que a chamada “vida normal” será diferente do que até então era tido como “normal”. Sobretudo pelas consequências econômicas, sociais, urbanas e políticas decorrentes da eclosão da pandemia.
Em meio a essas reflexões, emergem algumas certezas de como o Brasil pós-covid deve se preparar para lidar com as sequelas da pandemia e com as diversas questões que já existiam e se agravaram depois da propagação do coronavírus.
O caminho é claro, mas difícil de ser percorrido por estarmos ainda arraigados a conceitos do passado. Países que têm carga tributária baixa e são desburocratizados apresentam elevadas taxas de emprego, melhor distribuição de renda e prosperidade. Afinal, não existe melhor política social do que a de geração de empregos. Em tempos de eleições, a melhora do ambiente de investimentos e de negócios no país deve ser a prioridade na agenda de candidatos e eleitores.
Por Murillo de Aragão, advogado, jornalista, professor, cientista político, presidente da Arko Advice Pesquisas e sócio-fundador da Advocacia Murillo de Aragão