África do Sul atrai brasileiros para intercâmbio com vinho

Programas que combinam aprendizado de idiomas, enoturismo e imersão cultural impulsionam o interesse por destinos menos óbvios entre viajantes adultos

Cape Winelands, região vinícola da África do Sul
A paisagem montanhosa e a rica cultura local tornam a região de Cape Winelands atraente para turistas e para quem quer aprender mais sobre vinhos (Divulgação)

Por Celso Masson

 

Quando visitei a África do Sul, uma ideia me passou pela cabeça. Por que não fazer uma especialização em vinhos na Universidade de Stellenbosch? Havia conhecido rapidamente o campus durante o trajeto entre Cape Town e uma das muitas vinícolas da região. Fiquei encantado com o ambiente, a paisagem e a possbilidade de aprender mais sobre uma área que muito me interessa e, ao mesmo tempo, melhorar a fluência no idioma inglês. De volta ao Brasil, fiz uma pesquisa e descobri que o Departamento de Viticultura e Enologia daquela universidade oferece programas de pós-graduação. Também descobri que não fui o único a ter esse desejo.

 

Dados da Student Travel Bureau (STB), empresa especializada em educação internacional, confirmam que a ideia de estudar inglês no exterior deixou de estar associada apenas a salas de aula e roteiros tradicionais. Cada vez mais brasileiros buscam programas que combinam aprendizado do idioma com experiências ligadas à cultura local, gastronomia, vinhos e natureza. Nesse movimento, a África do Sul vem conquistando espaço entre os destinos mais procurados.

 

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Segundo o STB, a busca por programas que unem idiomas e experiências culturais cresceu 48% entre 2023 e 2025. As viagens em grupo para adultos também avançam, refletindo um perfil de viajante interessado em vivências mais completas, que conciliem desenvolvimento pessoal, repertório cultural e turismo.

 

Historicamente, destinos como Canadá, Londres e os Estados Unidos lideravam esse mercado. Agora, a África do Sul passa a atrair atenção especialmente entre adultos que buscam experiências menos previsíveis e com ótima relação de custo-benefício.

 

Segundo a South African Tourism, 64 mil brasileiros visitaram o país em 2025, alta de 28% em relação ao ano anterior. O Brasil já figura entre os dez principais mercados emissores internacionais para o destino. Claro que apenas uma fração desses visitantes vão para estudar. Mas é interessante notar que entre as regiões que concentram mais viajantes está a área de Cape Winelands, próxima à Cidade do Cabo.

 

Vinhedo da Nederburg em Paarl África do Sul (divulgação)

Vinhedo da tradicional Nederburg em Paarl, na África do Sul (Divulgação)

Conhecida pelas vinícolas históricas como a Nederburg e pela produção de vinhos reconhecidos internacionalmente, a região combina gastronomia, enoturismo e atividades ao ar livre, incluindo trilhas, parques naturais e safáris. Além de Stellenbosch, fazem parte das Cape Winelands cidades encantadoras como Paarl e Franschhoek. Constantia, um distrito da Cidade do Cabo, também faz parte do roteiro de vinícolas da África do Sul.

 

A belíssima paisagem ajuda a explicar o fascínio crescente: vinhedos cercados por montanhas, estradas cênicas e a vegetação típica do fynbos, ecossistema característico do sul-africano. O cenário transformou Cape Winelands em um dos polos mais procurados por viajantes interessados em vinho e experiências de imersão cultural.

 

Nesse contexto, surgem programas que unem aulas de idioma a roteiros focados em vinho, gastronomia e lifestyle. A proposta atende principalmente adultos que enxergam o intercâmbio como uma forma de ampliar conexões, viajar com mais profundidade e explorar novos repertórios culturais sem abrir mão de conforto e boa infraestrutura. Confesso que aquela vontade de passar um tempo em Stellenbosch aprimorando meus conhecimentos sobre vinho voltou a ganhar força.