A estratégia do Grupo Fasano no mercado de luxo europeu

Empreendimento hoteleiro em Cascais e frota de iates na Sardenha aceleram expansão internacional da marca Fasano e transformam hospitalidade em plataforma de lifestyle

Fasano Cascais Fachada 2
Perspectiva ilustrada da fachada do Fasano Casacais, com projeto de Miguel Saraiva (Divulgação)

Por Celso Masson

 

Depois de redefinir o alto padrão no Brasil, a bem-sucedida estratégia da JHSF e do Grupo Fasano avança na Europa em duas frentes que ajudam a explicar a transformação do luxo global: a integração entre hospitalidade e mercado imobiliário em paralelo à expansão das experiências de alto padrão para além dos hotéis. Os novos movimentos incluem a chegada do Fasano a Cascais, em Portugal, e a criação do Fasano Yachts, operação náutica que estreia neste verão europeu na Sardenha, Itália.

 

Mais do que inaugurações isoladas, os projetos revelam uma estratégia de consolidar o Fasano como uma plataforma internacional de lifestyle. A marca criada em 1902, em São Paulo, pelo imigrante italiano Vitorio Fasano, transformou a gastronomia paulistana ao longo do século 20 até se tornar referência também em hotelaria de luxo. Primeiro, no Brasil. Depois vieram Uruguai, Nova York e Europa, onde já ocupa também o universo das branded residences e da hospitalidade embarcada.

 

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Em Portugal, o novo Fasano Cascais será instalado na Quinta da Marinha, área cercada pelo Atlântico, pelo campo de golfe Oitavos Dunes e pela paisagem preservada do Parque Natural de Sintra-Cascais. O projeto, previsto para 2028, terá 97 quartos e suítes, restaurantes, spa, áreas de lazer e o tradicional Baretto, bar que se tornou uma das assinaturas da marca.

 

A operação portuguesa também marca a entrada mais estruturada do grupo no mercado europeu de residências associadas à hotelaria. O empreendimento contará com branded residences comercializadas pela Portugal Forbes Global Properties, modelo que combina apartamentos privados com serviços permanentes de hotel cinco estrelas. É um segmento que vem crescendo em destinos de alta renda e atrai compradores interessados não apenas em localização, mas em curadoria de serviços e gestão patrimonial.

 

O projeto arquitetônico é assinado pelo português Miguel Saraiva, do atelier Saraiva + Associados. Os interiores levam a assinatura de Carolina Proto, do Estúdio Obra Prima, responsável por outros projetos ligados ao universo Fasano, como o Fasano Tennis Club e as Residências Cidade Jardim, em São Paulo. A proposta aposta em materiais naturais, integração com a paisagem costeira e linhas discretas, seguindo a estética que consolidou a identidade visual da marca.

 

Vista aérea do Fasano Al Mare Sardenha (divulgação)

Vista aérea do Fasano Al Mare, na Sardenha, Itália. Grupo desenvolve projetos hoteleiros em Londres e Milão (Divulgação)

 

Ao mesmo tempo, a JHSF amplia sua atuação na Itália com o lançamento do Fasano Yachts, iniciativa criada para operar a partir do Fasano Al Mare Hotel & Beach Club, na Sardenha. A novidade leva a hospitalidade do grupo para o mar, com uma frota de iates disponível para hospedagem e roteiros privativos ao longo da Costa Esmeralda.

 

A operação inaugura um formato híbrido entre hotelaria e navegação de luxo. Os hóspedes poderão permanecer embarcados em iates ancorados diante da Ilha de Tavolara e, ao mesmo tempo, utilizar toda a estrutura do hotel em terra, incluindo beach club, spa, academia e quadras esportivas. Os roteiros incluem destinos como Porto Cervo e o arquipélago de La Maddalena, além de enseadas menos exploradas da costa sarda.

 

Os primeiros iates foram desenvolvidos em parceria com a Azimut, uma das marcas mais relevantes da náutica italiana. A operação marítima ficará sob responsabilidade da BYS International, incorporada pela JHSF em 2025 e especializada em gestão de superiates, charter e suporte operacional.

 

Embarcação da frota Fasano Yatches (divulgação)

Embarcação da frota Fasano Yatches (Divulgação)

Os movimentos em Portugal e na Itália reforçam a mudança de perfil da JHSF nos últimos anos. Conhecida inicialmente pelo mercado imobiliário de alto padrão em São Paulo, a companhia passou a construir um ecossistema voltado ao público de alta renda que hoje inclui hotéis, restaurantes, shopping centers, aeroporto executivo, clubes, varejo de moda, ativos imobiliários internacionais e, agora, experiências náuticas integradas à hospitalidade.

 

Com projetos em desenvolvimento também em destinos como Londres, Miami e Milão, o grupo brasileiro avança sobre um território antes dominado por redes europeias e fundos globais de luxo. E faz isso apostando menos na ostentação tradicional e mais em um modelo que mistura serviço, privacidade, design e experiências personalizadas — uma lógica cada vez mais valorizada entre viajantes e investidores internacionais.