Tássia Magalhães: de quase advogada à chef de cozinha de prestígio

A trajetória de Tássia Magalhães, que trocou os planos de ser advogada para se tornar chef e proprietária de dois restaurantes em São Paulo.

 

Bairro paulistano famoso pelos reluzentes edifícios empresariais e residenciais de luxo, o Itaim Bibi também ganhou notoriedade pela considerável quantidade de bares e restaurantes com mesas disputadas. Pois foi ali que uma jovem ganhou destaque no meio gastronômico como a estagiária que virou proprietária. O tempo passou, o estabelecimento fechou, mas a chef Tássia Magalhães seguiu firme: hoje, aos 30 anos, recém-completados, é sócia-proprietária de duas casas – riso.e.ria e Fabbrica Ristorante.

 

Os primeiros momentos dessa história aconteceram em Guaratinguetá, cidade natal de Tássia, que, na adolescência, dividia-se entre o sonho de virar advogada e a paixão pela culinária. Sua referência era Palmirinha Onofre, cujas receitas tentava reproduzir em casa. “Dava tudo errado”, conta, rindo.

 

Com o tempo, venceu a gastronomia: ela entrou no Hotel Escola Senac, em Campos do Jordão. A princípio, queria ser confeiteira. “Quando entrei na cozinha, pirei. Sou muito agitada e me apaixonei por aquele ambiente movimentado.”

 

 

Estreou como estagiária em 2009, no Pomodori, comandado pelo prestigiado chef Jefferson Rueda (hoje dono da Casa do Porco). “Eu era muito caipira! Ele me abriu as portas desse universo, puxou de lado a cortina e me disse: ‘pode começar’”, lembra. Depois de quase um ano, decidiu ampliar seu repertório gastronômico na Europa. Passou por várias regiões da Itália, depois morou sete meses em Copenhagen, na Dinamarca, onde estagiou em restaurantes como Kadeau e Geranium e na confeitaria Summerbird.

 

Em 2011, voltou ao Brasil – e ao Pomodori –, agora como auxiliar de confeitaria. Cresceu e aprendeu até virar sub-chefe, quando Rueda deixou o restaurante. Dois anos depois, tornou-se titular e mexeu no menu, colocando pratos mais autorais, como o fusilli com ragu de linguiça, pancetta e polvo. Acabou comprando o restaurante, que, sob seu comando, ganhou prêmios – a própria chef entrou na lista dos 30 brasileiros com menos de 30 anos mais influentes, da revista Forbes Brasil.

 

Saiu em 2018 e passou a se dedicar a eventos e projetos autorais, caso do Le Segreto, de jantares com menu degustação de várias etapas. “Na época, meu pai adoeceu e minha mãe veio para São Paulo acompanhá-lo no tratamento. A gente fazia muito mexidão com arroz, comida de uma panela só. Daí surgiu a ideia de um restaurante com essa pegada.” Assim, em outubro, inaugurou o riso.e.ria com o marido, o empresário Danyel Steinle.

 

 

Em janeiro deste ano, os dois inauguraram o Fabbrica, com menu basicamente italiano. Mescla pratos que viraram marca da chef, como o carbonara, e novas receitas, como o nhoque de beterraba com picles também de beterraba e fonduta de parmesão, além da polenta servida na tábua, com linguiça e queijo grana padano. “Aqui apostamos no despojamento do ambiente, as paredes são pichadas, não tem toalha na mesa”, diz Tássia. “Mas a qualidade dos ingredientes e a execução das receitas continua a mesma. Por isso atendo muitos clientes que eram do Pomodori”, conta.

 

Tássia tem novos planos, mas segue com cautela. “Tenho medo de sair abrindo restaurante, pois, para manter esses dois, já tivemos de rebolar muito”, ri. Mas a chef desenha uma franquia do riso.e.ria. “Já temos uma pessoa organizando esse projeto, mas primeiro vamos ampliar a matriz, para ser o modelo do negócio”, diz. A empreendedora, porém, não deixa de lado a empolgação do início da carreira. “O que mais me emociona na cozinha é quando consigo trazer memórias afetivas do cliente. E esse sempre será um dos meus maiores objetivos.”

 

 

*Por Júnior Ferraro 

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