Triumph Thruxton 400: esportividade e estilo sem concessões

A nova café racer de cilindrada média da marca britânica oferece a exclusividade de experimentar o design que fez a fama dos rebeldes ingleses nos anos 60

Triumph Thruxton 400 (divulgação)
Com nome de uma pista britânica e DNA esportivo, a moto tem guidão baixo e banco único (divulgação)

Por Airton Seligman

 

A primeira coisa a levar em conta nesta Triumph Thruxton 400 é seu design: ela é uma café racer. Como toda café racer, modelo celebrizado nos anos 60 em rachas nas estradas inglesas, é uma moto de DNA  esportivo, com guidão baixo, banco único (com opção de carona), pedais recuados e suspensão mais firme que a usual. Um tipo de moto que não é para todo mundo. Como diz a comunicação da marca, é uma moto “criada para quem faz do estilo uma extensão da pilotagem”.

 

O estilo é você pilotar com o corpo arqueado, o peso do tronco depositado sobre as mãos, os pés levemente para trás em relação ao eixo do corpo. O motivo original dessa configuração era otimizar a aerodinâmica. Hoje? Aqui vai uma sugestão: vista uma jaqueta de couro preta, um jeans justo enrolado na bainha, coturno e capacete aberto e prepare-se para uma experiência exclusiva. Uma café racer é única. Ponto.

 

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O motor de 42 cv (a 9.000 rpm) é sensacional para uma 400 cc que pesa 176 kg (foto: divulgação)

 

A recém-lançada Thruxton 400 não muda o conceito, mas atualiza o estilo desse modelo de motos que fez a fama do movimento inglês. Suas antepassadas recentes, a Thruxton 900 e depois a 1200, tinham uma pegada mais próxima ao estilo retrô da Triumph original e das Norton e BSA que participavam dos pegas clandestinos entre os cafés das estradas ao redor de Londres, como o célebre Ace Cafe – hoje uma franquia com pontos em vários lugares do mundo. A roda raiada não aparece no novo modelo. O motor é menor, de 400cc. O guidão é no estilo clip-on (diferentemente de uma barra arqueada para baixo, são duas extremidades presas às bengalas do garfo). A carenagem cobre boa parte da frente, mas é presa ao quadro – ou seja, não muda de direção, como o pequeno quebra vento, preso ao farol, que vinha nas anteriores. E a suspensão traseira é monoshock (com ajuste para levar carona), não mais com dois amortecedores.

 

Dito isso, vamos à parte que realmente importa nessa pequena café racer: o motor de 42cv (a 9.000 rpm) é sensacional. Para se ter uma ideia, a chinesa Shineray Scrambler SHI 400sc com motor de 400cc (mesma cilindrada) fornece 26,5 cv (a 7.000 rpm) – pouco mais que a metade. E a Thruxton 400 ainda é relativamente leve (pesa 176 kg com fluidos e tanque cheio). O acelerador eletrônico (sem cabo) deixa a impressão de mais leveza ainda. A relação peso-potência, considerando o motor de cilindrada média, confirma a esportividade: você engata a segunda marcha, vira o punho e sente o motor encher rapidamente, dando aquela estilingada na moto. O ronco, que em baixa rotação parece um massageador de pés (provavelmente atendendo a pedidos da lei de combate às poluições sonora e química), soa musculoso e vibrante em alta rotação, deixando a pilotagem mais emocionante.

 

Há várias marcas lançando motos de cilindrada média, 350 cc a 750 cc. O objetivo é capturar um consumidor que quer um veículo para a cidade e, no fim de semana, dar um rolê nas estradas. A Triumph percebeu o movimento e lançou vários modelos de 400 cc (Tracker, Speed e Scrambler). A diferença, além do design, é que, entre outras coisas, elas vêm com guidão alto e suspensão mais macia, mais confortável.  E obviamente têm banco mais macio e esterçam mais que a Thruxton – cuja rotação do guidão rebaixado fica limitada pelo tanque.

 

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A linha Thruxton (nome de uma pista britânica) é icônica da Triumph e o lançamento de um modelo mais acessível, ágil e de design mais contemporâneo pode ajudar a trazer entusiastas para a marca. Claro, gente com certa familiaridade com a história do motociclismo e que valoriza estilo e sofisticação. Não é qualquer pessoa.

 

Ficha Técnica

  • Motor: Monocilíndrico de 398 cc, DOHC, com refrigeração líquida (Série TR).
  • Potência: 42 cv a 9.000 rpm.
  • Torque: 37,5 Nm (3,7 kgfm) a 7.500 rpm.
  • Câmbio: 6 marchas com embreagem assistida e deslizante.
  • Peso: 176 kg (com depósito cheio).
  • Tanque de combustível: 13 litros.
  • Altura do assento: 795 mm.
  • Suspensão dianteira: Garfos invertidos de 43 mm.
  • Pneus: Pirelli Diablo Rosso IV (aro 17).
  • Freios: Disco com ABS de dois canais.
  • Tecnologia: Acelerador eletrônico, controle de tração comutável e iluminação Full-LED.
  • Cores: Carnival Red e Phantom Black
  • Painel: combina velocímetro analógico com display LCD e porta USB-C.
  • Preço: R$ 34.990