Mansão Sierra, casarão centenário na Avenida Brasil, é novo endereço de design em São Paulo
Com projeto de Guilherme Torres, paisagismo de Alex Hanazaki e restauro de Pier Giorgio Sauris, Mansão Sierra abre as portas exibindo coleção assinada por Leo Maia

Por Celso Masson
Em uma avenida marcada por algumas das residências mais imponentes de São Paulo, um casarão do início do século XX acaba de ganhar nova função. Restaurado e conectado a uma construção contemporânea, o imóvel do número 1860 da Avenida Brasil passa a abrigar a Mansão Sierra, espaço de 3.200 m² criado pela fabricante de móveis fundada em Gramado, no Rio Grande do Sul. O projeto recebeu investimento de aproximadamente R$ 20 milhões, dos quais cerca de 30% foram destinados à restauração da construção histórica.
A intervenção reuniu diferentes nomes da arquitetura e do paisagismo. A curadoria do restauro ficou a cargo do arquiteto e historiador italiano Pier Giorgio Sauris, que participou de um dos trabalhos de restauração da Capela Sistina. Guilherme Torres assina o projeto arquitetônico, responsável por estabelecer a ligação entre a casa original e o novo pavilhão, enquanto Alex Hanazaki criou o paisagismo do jardim tropical.
A reportagem de Versatille foi recebida por Ali Youssef Majzoub, franqueado à frente da flagship paulistana da marca. Ele apresentou o percurso organizado em três partes. Começando pelos dois pisos do casarão restaurado, seguindo por um túnel revestido de madeira e chegando ao pavilhão contemporâneo, onde se concentra a maior parte do showroom. A terceira área, sob um pergolado voltado para o jardim, é dedicada às peças para ambientes externos. “Dessa forma conseguimos apresentar particamente tudo o que a Sierra produz, inclusive os pisos e as esquadrias”, disse Ali.

Vitral que foi restaurado para devolver à mansão o luxo do passado (foto: André Klotz/divulgação)
Segundo Gustavo Tissot, diretor executivo da Sierra, a ideia é fugir da configuração convencional de uma loja de móveis. “Queríamos erguer uma casa com identidade própria, e não apenas um espaço de exposição. Um imóvel histórico carrega memória, proporções e traços arquitetônicos que dificilmente seriam reproduzidos em um empreendimento comercial convencional.”
Do caderno de desenhos para a fábrica
A abertura também serve de cenário para a apresentação da Reencontro, coleção criada pelo arquiteto e designer Leo Maia para a Sierra. A parceria começou de maneira pouco programada. Durante uma visita à fábrica da empresa, Maia contou a André Tissot, fundador e presidente da marca, que mantinha havia anos uma série de desenhos de mobiliário. O empresário quis conhecê-los e, depois que o arquiteto organizou e apresentou os estudos, boa parte da coleção já estava encaminhada.
Os desenhos têm como ponto de partida uma referência frequente no trabalho de Maia: a natureza. Formas orgânicas, texturas e materiais foram transpostos para móveis de linhas fluidas, concebidos não apenas pela aparência, mas também pela relação física com quem os utiliza. Nos estofados, isso aparece em volumes que privilegiam conforto e relaxamento; mesas e outros elementos foram desenhados com a convivência em mente.
“É um marco na minha trajetória poder unir toda a bagagem que carrego ao universo do mobiliário, onde as formas da natureza ganham vida em uma linguagem fluida, tátil e convidativa”, afirma Maia. A estrutura industrial da Sierra permitiu, segundo o arquiteto, transformar os desenhos em peças produzidas em escala sem abandonar aspectos de acabamento e manufatura.
O encontro entre o casarão restaurado, a arquitetura contemporânea e a nova coleção acaba funcionando também como uma síntese da fase que a Sierra pretende inaugurar. Fundada em 1990, a empresa leva para um dos principais corredores residenciais de São Paulo um espaço em que o móvel deixa de ser apresentado isoladamente e passa a fazer parte de uma experiência que reúne arquitetura, arte, interiores e paisagismo.
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