Mostra reúne Marina Abramović, Maria Martins e retrato inédito de Tarsila

Com obras de 16 artistas mulheres, “Que afeto é esse?” ocupa uma casa nos Jardins e ganha programação de diálogos, performances e visitas guiadas

Marina Abramović: Um dos ambientes da exposição "Que afeto é esse?", inaugurada na quarta-feira (23), em São Paulo (divulgação)
Um dos ambientes da exposição "Que afeto é esse?", inaugurada na quarta-feira (23), em São Paulo (divulgação)

Por Celso Masson

 

O que Marina Abramović, Maria Martins, Sonia Gomes, Regina Silveira e um retrato de Tarsila do Amaral feito em Paris há mais de um século podem ter em comum? A resposta passa pelo afeto — entendido não apenas como sentimento ou vínculo entre pessoas, mas como uma força capaz de modificar a maneira como percebemos o mundo e nos relacionamos com ele.

 

É a partir dessa ideia que a 6ª Mostra Contemporâneas Vivara apresenta Que afeto é esse?, exposição aberta nesta quarta-feira (23), na Casa Conteúdo, no Jardim Europa, em São Paulo. Até 25 de outubro, o endereço, na Rua Groenlândia, exibe obras de 16 artistas mulheres, entre trabalhos de acervo, peças inéditas e instalações site specific.

 

Marina Abramović em 2025 (foto: Marco Anelli, cortesia Luciana Brito Galeria)

Marina Abramović em 2025 (foto: Marco Anelli, cortesia Luciana Brito Galeria)

A seleção atravessa gerações, linguagens e nacionalidades. Ao lado de nomes como a sérvia Marina Abramović e as brasileiras Sonia Gomes e Regina Silveira, aparecem artistas de gerações mais recentes, como Leandra Espírito Santo e Thix. Os trabalhos abordam memória, desejo, pertencimento, solidão, tecnologia, ancestralidade e identidade, entre outros temas.

 

Entre as participações especiais está Maria Martins (1894–1973), escultora brasileira que construiu carreira internacional entre Nova York e Paris e se aproximou do surrealismo. Outro destaque é um retrato até então inédito de Tarsila do Amaral, fotografada em Paris em 1921, às vésperas da Semana de Arte Moderna. A imagem, presenteada pela artista a um amigo em 1972, foi cedida para a exposição e inspirou um trabalho criado por Thix especialmente para a mostra.

 

Obra da gaúcha Thix (foto: Filipe Berndt)

Obra da gaúcha Thix (foto: Filipe Berndt)

Logo na chegada, o visitante encontra Maria, escultura-móvel humanoide concebida por D’Anunziata. Embora sua aparência dialogue com as discussões atuais sobre inteligência artificial, a obra não utiliza IA nem aprendizado de máquina: seus movimentos seguem uma coreografia previamente concebida. A artista parte da convivência crescente entre humanos e máquinas para investigar a tendência de projetarmos sentimentos, intenções e expectativas sobre aquilo que não sente como nós.

 

A direção artística é de Stefania Dzwigalska, que trabalhou com uma proposta de curadoria difusa e participação das próprias artistas. A pesquisa sobre o tema foi desenvolvida com D’Anunziata e teve consultoria artística de Marc Pottier. A curadoria da programação paralela é de Giuliana Bergamo.

 

Da arte à literatura

 

A discussão sobre os afetos ultrapassa as obras expostas. Durante pouco mais de um mês, a Casa Conteúdo recebe uma série de atividades gratuitas que inclui visitas guiadas, encontros literários e performances. Professores da Casa do Saber conduzirão visitas a partir de diferentes áreas do conhecimento. Entre os participantes estão Christian Dunker, Giselle Beiguelman, Ed René Kivitz, Luís Fernando Tófoli, Joice Berth, Hanna Limulja e Geni Núñez. Psicologia, psicanálise, urbanismo, tecnologia e teologia entram, assim, na conversa proposta pela exposição.

 

Na literatura, o ciclo “Afetadas” reúne escritoras contemporâneas em sete encontros mediados por Giuliana Bergamo. A partir de textos próprios e de autoras como Clarice Lispector, Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles, nomes como Aline Bei, Andrea Del Fuego, Natalia Timerman, Paulliny Tort, Mel Duarte, Amara Moira, Bianca Santana e Veronica Stigger discutem literatura, arte e as diferentes forças que interferem na experiência contemporânea.

 

Obra de Maria Martins (1894 - 1973) Crédito_Jaime Acioli

Obra de Maria Martins (1894 – 1973). Crédito: Jaime Acioli

A programação inclui ainda três apresentações de “Afé”, da multiartista Tatt, e a palestra-performance “A vergonha da vergonha: o que é ser uma pessoa”, de Sofia Nestrovski. Todas as atividades são gratuitas, com vagas limitadas e inscrição prévia pelo site da mostra.

 

Que afeto é esse?
6ª Mostra Contemporâneas Vivara

Até 25 de outubro de 2026, Casa Conteúdo — Rua Groenlândia, 1089, Jardim Europa, São Paulo. Terça a sexta, das 11h às 19h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h. Entrada gratuita, com reserva de ingressos.

 

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