Como o romance epistolar ‘A Correspondente’ tornou-se um fenômeno literário

Escrito pela estreante Virginia Evans, livro recém-lançado no Brasil tem história envolvente contada por uma advogada aposentada

A escritora americana Virginia Evans (Austin Joffe/Reprodução)
A escritora americana Virginia Evans, autora de 'A Correspondente' (Austin Joffe/Reprodução)

Por André Sollitto

 

O romance A Correspondente, livro de estreia da autora americana Virginia Evans, começou como um exercício. “Meu sogro estava doente, a COVID estava em curso e nós estávamos em uma situação difícil”, afirmou Evans ao The Wall Street Journal. “Comecei A Correspondente como um exercício, sem nunca planejar mostrá-lo a ninguém”, conta a autora. Ela já tinha escrito outros sete livros que nunca foram publicados e estava desanimada com o mercado editorial. Mas o romance epistolar (escrito no formato de cartas) foi escolhido pela editora Crown Publishing Group. Chegou às prateleiras em abril de 2025 e foi ganhando leitores até se tornar um best-seller improvável. Agora, o livro acaba de ser lançado no Brasil pela editora Arqueiro.

 

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A Correspondente acompanha a correspondência de Sybil van Antwerp, advogada aposentada e ex-funcionária de um juiz que mora em uma bela casa com vista para o lago em Maryland. Aos 73 anos, ela passa parte de seus dias escrevendo cartas para familiares, escritores que admira e outros interlocutores. O leitor vai descobrindo informações sobre sua vida a partir dessas cartas e e-mails, da carreira no Direito à sua relação com os pais, filhos e com suas famílias – adotiva e biológica. É uma leitura envolvente por não entregar a trama com facilidade e exigir do leitor o desafio de conectar os pontos.

 

Capa do livro 'A Correspondente'(Divulgação)

Capa do livro ‘A Correspondente'(Divulgação)

Embora não tenha sido selecionado para clubes de leitura famosos, como o da apresentadora Oprah Winfrey, A Correspondente foi conquistando espaço na lista dos livros mais vendidos graças à propaganda boca a boca. Nas redes sociais, leitores empolgados com o romance passaram a incentivar sua leitura, e em outubro de 2025 entrou na lista dos livros de ficção mais vendidos do jornal The New York Times. A Correspondente já vendeu mais de 2 milhões de cópias e foi traduzido para 30 idiomas.

 

Desde seu lançamento, também foi reconhecido com distinções importantes. Recebeu o prêmio PEN/Hemingway de Romance de Estreia, o Women’s Prize for Fiction e a edição inaugural do Prêmio James Patterson e Bookshop.org.

 

O sucesso do livro também ajudou a dar fôlego ao romance epistolar, modelo de literatura que se estabeleceu no século 18 graças a livros como As Ligações Perigosas, do francês Choderlos de Laclos (1741-1803). No século 19, dois dos mais populares romances de terror foram escritos nesse formato: Frankenstein, de Mary Shelley (1797-1851), e Drácula, de Bram Stoker (1847-1912). Mais recentemente, títulos como As Vantagens de ser Invisível, de Stephen Chbosky, de 1999, e Precisamos Falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver, de 2003, também revitalizaram o formato.

 

Em março deste ano, o estúdio de cinema Lionsgate Films anunciou que uma adaptação para as telonas será produzida com Jane Foster no papel principal.