JAMM Cigar: os novos charutos da Bahia que já conquistaram a crítica internacional
Do agronegócio baiano ao mercado global de charutos premium, a marca insere o Brasil no mapa dos melhores tabacos e conquista prêmios na InterTabac, maior feira do sertor na Alemanha

Por Cesar Adames
Em poucos anos, a JAMM Cigar deixou de ser uma curiosidade regional para se transformar em um dos nomes brasileiros mais comentados no universo dos charutos premium. Produzida em Alagoinhas, no Recôncavo Baiano, a marca nasceu da combinação entre agronegócio, paixão pessoal e estratégia de posicionamento internacional. Mais do que fabricar charutos, a JAMM tenta construir um conceito de luxo brasileiro ligado à experiência, ao terroir e à hospitalidade.
A história da empresa começa com José Antonio Martins Monteiro, conhecido como “Mr. JAMM”. Empresário ligado ao agronegócio, ele descobriu o universo da charutaria em 2005, durante uma viagem ao Canadá. Segundo relatos do próprio fundador, a experiência com um Cohiba Behike 56 apresentado por um amigo português despertou fascínio pelo ritual do charuto e acabou mudando o rumo de sua trajetória empresarial.
O nome JAMM surgiu justamente da união das iniciais de José Antonio Martins Monteiro e Joaquim Alfredo Mesquita Moreira, amigo que o introduziu ao universo dos habanos. O que começou como paixão pessoal rapidamente ganhou escala.
Inicialmente, José Antonio mandava produzir charutos apenas para presentear amigos, parceiros e convidados. O negócio tomou outro rumo quando percebeu que já havia distribuído dezenas de milhares de unidades de forma informal. Nascia ali a ideia de transformar o hobby em marca.
O terroir do Recôncavo Baiano
A base da operação está em Alagoinhas, na Fazenda FEANBE. Originalmente voltada para pecuária e agricultura, a propriedade passou a investir fortemente no cultivo de tabaco premium. O projeto busca valorizar o potencial do Recôncavo Baiano como terroir internacional para tabaco negro.
A JAMM aposta especialmente em variedades como Mata Fina e Cubra, utilizando sementes de origem cubana adaptadas ao solo e ao clima da Bahia. A empresa também destaca a presença de agrônomos cubanos acompanhando processos de cultivo, fermentação e desenvolvimento das folhas.
Essa combinação entre conhecimento caribenho e produção brasileira tornou-se um dos principais pilares do discurso da marca. Diferentemente das tradicionais fábricas baianas focadas apenas na herança artesanal, a JAMM trabalha fortemente os conceitos de terroir, experiência e internacionalização.
Os charutos da marca
A linha da JAMM reúne vitolas voltadas ao segmento premium e super premium. Entre os produtos mais conhecidos estão Maestro, Lancero, Robusto Premium, Super Premium e Culebra. Os charutos apresentam construção artesanal, capas selecionadas e blends desenvolvidos para competir diretamente com marcas boutique da Nicarágua, República Dominicana e Honduras. A empresa também investe fortemente em apresentação visual, utilizando caixas refinadas e forte identidade estética.
O Maestro tornou-se um dos maiores símbolos da marca após receber avaliação de destaque internacional. Já o Lancero reforçou o posicionamento da JAMM entre apreciadores que valorizam formatos mais clássicos e elegantes.

José Antonio contemplando a plantação de tabaco em Alagoinhas e a finalização dos charutos na fábrica: padrão internacional.
Reconhecimento internacional
A projeção internacional da JAMM cresceu rapidamente graças às avaliações da revista Cigar Journal, considerada uma das publicações mais respeitadas do setor.
Nos últimos anos, diversos produtos da marca alcançaram 90 pontos nas avaliações da revista, resultado expressivo para uma empresa brasileira relativamente nova no mercado premium. O Maestro recebeu destaque por notas de especiarias, frutas secas e excelente construção.
O Lancero também atingiu a marca dos 90 pontos, consolidando a percepção de consistência da empresa.
Outro reconhecimento importante veio através do selo “Best Buy”, concedido ao Super Premium por sua relação entre qualidade e preço.
A JAMM também ganhou visibilidade na InterTabac, principal feira mundial do setor, realizada na Alemanha. Durante o evento, a empresa apareceu entre os destaques do Cigar Trophy, premiação ligada à própria Cigar Journal. Entre os resultados conquistados estão posições de destaque nas categorias:
• Best Cigar Other Countries;
• Best Value Other Countries;
• Best Boutique Brand Other Countries.
Essas indicações e premiações possuem peso estratégico porque colocam a marca brasileira em competição direta com produtores tradicionais do mercado internacional.
Muito além do charuto
Talvez o projeto mais ambicioso da empresa seja o JAMM Farmer Experience, iniciativa que transforma a produção de tabaco em experiência de turismo premium. O programa leva convidados para conhecer todo o processo produtivo, desde a plantação até a fábrica. Os visitantes passam por sementeiras, áreas de secagem, galpões de fermentação e pela produção artesanal dos charutos.
Uma das experiências mais valorizadas é a possibilidade de enrolar o próprio charuto, acompanhando técnicas utilizadas pelas charuteiras da fábrica. O roteiro inclui ainda gastronomia, música, harmonizações, atividades rurais e experiências de lifestyle ligadas ao universo do luxo no campo. Com isso, a JAMM aproxima-se de modelos já populares em países como Cuba e Nicarágua, onde o turismo da charutaria faz parte da experiência cultural do produto.
A JAMM representa uma tentativa rara dentro do mercado nacional: criar uma marca de charutos premium baseada não apenas em tradição, mas em construção de imagem, experiência e desejo. Ao unir agronegócio, hospitalidade, terroir baiano e reconhecimento internacional, a empresa tenta posicionar o Brasil como um novo participante relevante no cenário mundial dos charutos premium.
Mais do que vender charutos, a JAMM vende narrativa: a ideia de que a Bahia pode produzir um tabaco capaz de competir globalmente sem perder identidade brasileira.
- Matéria publicada na Revista Versatille 142, disponível para download gratuito
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