Conheça os edifícios em São Paulo onde o metro quadrado chega a R$ 90 mil

Levantamento acompanha cinco empreendimentos residenciais de alto padrão na capital paulista, com valorizações de até 181% em quatro anos e meio

280 Art Boulevard (foto: reprodução) Edifício de Luxo
Imagem do site oficial do edifício 280 Art Boulevard, na Avenida Cidade Jardim, com cobertura de 1.300 m2 (reprodução)

Por Celso Masson

 

Um trabalhador que recebe salário mínimo precisaria guardar tudo o que ganha ao longo de cinco anos para comprar um único metro quadrado em um edifício no Jardim Europa, na capital paulista. Claro que e a comparação é totalmente fantasiosa. Além de ser impossível viver sem gastar um centavo por tanto tempo, não existe apartamento de um metro quadrado. Mas existem coberturas de 1.300 m². Então imagine quantas vidas seriam necessárias a esse mesmo trabalhador até juntar o suficiente para pagar entre R$ 50 milhões e R$ 117 milhões em um imóvel. Incalculável.

 

Para quem pode fazer um investimento dessa monta, porém, a boa notícia é que a valorização tem sido surpreendente: em quatro anos e seis meses, ela chegou a 181,3% em um dos cinco empreendimentos de alto padrão analisados em levantamento inédito realizado pela MBRAS.

 

Vista do Jardim Europa até no nome

 

Esse recorde de valorização acumulada pertence ao 280 ART Boulevard, na Avenida Cidade Jardim. A torre de 105 metros, já descrita como “escultura habitável”, terá apenas 22 residências, com metragens entre 572 m² e 780 m², além de um apartamento garden de aproximadamente 1.000 m² e uma cobertura de 1.300 m². O projeto reúne arquitetura de Gensler e Zien, interiores de Yabu Pushelberg e paisagismo de Alex Hanazaki. Quatro pavimentos serão destinados às áreas comuns, com spa, piscinas, saunas, sala de pilates e quadra de beach tennis. Além da localização, ele tem vista para o Jardim Europa, cujo conjunto urbano recebeu proteção municipal.

 

“O comprador de luxo não paga mais pelo metro quadrado. Paga pelo que não se refaz. Vista verde permanente, terreno grande e um prédio afastado da rua são características que São Paulo dificilmente consegue produzir novamente”, afirma Lucas Melo, sócio-fundador da MBRAS. Some-se aos terrenos amplos e com vista preservada as poucas unidades, a arquitetura assinada, os serviços de hotelaria – tudo isso somado eleva os preços às alturas. Quanto mais difícil reproduzir essas características em uma cidade adensada, maior o valor atribuído.

 

Também voltado para o verde do Jardim Europa, o Arbórea Vista Jardim Europa terá uma residência por andar e apenas 30 apartamentos, com áreas de 484 m² a 1.102 m². Na Rua da Mata, o empreendimento reúne Jacobsen Arquitetura, Lissoni & Partners e Alex Hanazaki. A estrutura de bem-estar inclui spa, piscina com raia de 25 metros, academia, sauna e banhos de imersão. O metro quadrado subiu de R$ 38 mil para R$ 65 mil em dois anos e meio, avanço de 71,1%, ou 24% ao ano. A conclusão está prevista para o início de 2029.

 

Jardim, novo projeto da JHSF (MBRAS/Divulgação)

Reserva Cidade Jardim, novo projeto da JHSF (MBRAS/Divulgação)

 

Já o Reserva Cidade Jardim registrou crescimento anualizado de 30,6%, o maior da amostra. Em dois anos e meio, o metro quadrado passou de R$ 40 mil para R$ 78 mil, uma alta acumulada de 95%. As quatro torres ocupam um terreno de 20 mil m², com unidades entre 455 m² e 1.300 m², heliponto, concierge e acesso privativo ao Shopping Cidade Jardim. A arquitetura é de Pablo Slemenson; os interiores, de Sig Bergamin e Murilo Lomas; e o paisagismo, de Maria João D’Orey. A entrega está prevista para 2028.

 

Em Pinheiros, o Faena São Paulo acrescenta outra variável à formação de preço: a operação hoteleira. O complexo, em um terreno de aproximadamente 20 mil m² na Rua Diogo Moreira, terá duas torres de 155 metros, hotel com 99 quartos, centro cultural e residências entre 286 m² e 1.024 m². Desenvolvido pela Even em parceria com o Faena Group, o empreendimento contará com hotel operado pela Accor, spa, piscinas e duas quadras de tênis. A arquitetura é assinada por Brandon Haw e Jonas Birger, com interiores de Gui Mattos e Peter Mikic e paisagismo de Alex Hanazaki. O metro quadrado avançou de R$ 35 mil para R$ 55 mil em dois anos e meio, alta de 57,1%, correspondente a 19,8% ao ano. A inauguração está prevista para 2029.

 

CAPANEMA - FOTO_ MBRAS

Perspectiva ilustrada do Edifício Capanema, nos Jardins (MBRAS/Divulgação)

O quinto empreendimento, Edifício Capanema, nos Jardins, ainda não foi lançado. As informações disponíveis indicam apartamentos de aproximadamente 500 m², terreno amplo, vista livre e quadra de tênis. Segundo a MBRAS, as referências de preço subiram de R$ 35 mil para R$ 44 mil por metro quadrado em um ano e meio, valorização de 25,7%, ou 16,5% ao ano.

 

É importante destacar que o levantamento considera uma amostra específica de cinco projetos e não representa o mercado imobiliário paulistano como um todo. Os percentuais refletem a evolução nominal das referências de preço e não descontam inflação, impostos, comissões, correção pelo INCC ou outros custos envolvidos na compra e na venda dos imóveis.

 

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