Dia do Rock: cinco lançamentos que provam que o gênero vive uma ótima fase
Lançamentos de bandas tradicionais do gênero, como Rolling Stones e The Black Keys, e novidades da nova geração mostram vitalidade do rock

Por André Sollitto
Celebrado em 13 de julho, o Dia do Rock muitas vezes é visto como uma homenagem a um gênero que já teve seus momentos de glória, mas vive agora graças à nostalgia de sucessos do passado. Não é verdade.
Há grandes nomes do rock produzindo trabalhos respeitáveis, a exemplo de Rolling Stones e The Black Keys, mas há também uma nova geração mostra que o gênero ainda tem muito a dizer.
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Versatille separou cinco lançamentos – e uma novidade que chega às plataformas nos próximos dias – para mostrar que o rock segue vivo, instigante e necessário.

Foreign Tongues, lançamento dos Rolling Stones
Rolling Stones – Foreign Tongues
O 25º disco de estúdio da banda britânica que está há 64 anos na ativa mostra que mesmo com mais de 80 anos seus integrantes ainda têm muito a mostrar. A produção de Andrew Watt é moderna e limpa, mas a sonoridade das canções remete aos primórdios dos Stones, com as guitarras no centro da mixagem destacando a influência do blues. A voz de Mick Jagger continua excelente, e as bases e solos de Keith Richards e Ron Wood mostram porque o grupo se tornou referência incontornável no rock. Após a morte do baterista Charlie Watts (1941-2021),o músico Steve Jordan, que já tocou com Richards em seu projeto paralelo X-Pensive Winos e gravou o disco anterior, Hackney Diamonds, assumiu seu lugar e vem fazendo um trabalho excelente. Foreign Tongues é uma prova de que o rock – e os Stones – continuam vitais.
The Molotovs – Wasted on Youth
Nem só de nomes tradicionais vive o rock hoje. Os irmãos adolescentes Matt e Issey Cartlidge montaram o The Molotovs inspirados no amor pelo rock inglês, de The Kinks e Small Faces, referências dos anos 1960, a grandes bandas de outras décadas, como Sex Pistols, Pulp, Oasis, The Specials e The Libertines. O primeiro disco, lançado em janeiro deste ano, é composto por faixas curtas de pop movido a guitarras, com energia punk, mas sonoridade moderna. A crítica especializada tem sido generosa com o trabalho dos irmãos. As canções são bem-feitas e cativantes e mostram enorme potencial.
Gong – Bright Spirit
Um dos principais nomes da cena psicodélica de Canterbury, na Inglaterra, no final dos anos 1960 e começo dos anos 1970, a banda Gong perdeu seu fundador e líder Daevid Allen (1938-2015) há pouco mais de uma década. Isso poderia significar o fim do grupo, mas os integrantes remanescentes se reorganizaram e vem lançando ótimos discos. O responsável por essa nova fase da banda é o guitarrista brasileiro Fabio Golfetti, conhecido pelo trabalho à frente do Violeta de Outono, grupo fundamental do rock psicodélico nacional. Bright Spirit dá sequência a uma trilogia que começou com The Universe Also Collapses, de 2019, e continuou com Unending Ascending, de 2023. O clima espacial e psicodélico remete aos primórdios do Gong, mas Golfetti e o guitarrista Kavus Torabi criam improvisações que dão um toque mais contemporâneo à sonoridade do grupo.
The Black Keys – Peaches!
Em meados dos anos 2000, a dupla Dan Auerbach, nos vocais e guitarras, e Patrick Carney, na bateria, foi responsável por dar novo fôlego ao rock baseado no blues com álbuns como The Big Come Up, de 2002, e Thickfreakness, 2003, com uma sonoridade crua inspirada em nomes menos conhecidos do blues, como Junior Kimbrough e R.L. Burnside. Depois, alcançaram fama mundial, venderam milhões de discos e Auerbach se tornou um dos mais cobiçados produtores do mercado. No novo trabalho, Peaches!, retomam às origens, com canções focadas em guitarra e bateria e riffs de blues simples e eficientes. Em algumas faixas, contam com metais e outros instrumentos, mas o foco é em rock de garagem direto e bruto.
Maromaro – Full Moon
O músico polonês conhecido como Maromaro ficou popular nas redes sociais ao gravar covers de clássicos do rock em versões “soviéticas” com sonoridade dos anos 1980 e 1990, cheias de reverb e echo, efeitos populares nessa época. Agora, colocou no mundo seu primeiro trabalho solo, Full Moon, álbum instrumental em que a guitarra é protagonista. O som é nostálgico, inspirado em grandes nomes do pós-punk, mas atualizado para o momento atual. O single “Moonlighting” é um sucesso nas redes e no YouTube, com quase 4 milhões de visualizações, mas o restante do disco é igualmente original e divertido.
Faixa bônus
Papangu – Celestial
O terceiro disco de trabalho da banda paraibana Papangu, Celestial, só chega às plataformas de streaming no dia 7 de agosto. Mas vale a pena conferir as primeiras faixas já divulgadas do álbum, como “Calado (de Olho)”, “Colosso”, “Taxidermia”. Misturando rock progressivo, jazz, heavy metal, MPB e forró, o Papangu vem se consolidando como uma das vozes mais originais do rock brasileiro dos últimos anos. O grupo tem turnê marcada pela Europa e já foi recomendado até pelo jornal inglês The Guardian, mostrando que a originalidade quebra barreiras.



