Vinhos: Menin Company eterniza as diferentes expressões do Douro
Grupo do mineiro Rubens Menin reforça presença no mercado nacional com rótulos que mesclam tradição e inovação em um dos maiores patrimônios vitivinícolas de Portugal

Por Celso Masson
Em uma região historicamente associada a grandes cortes e a séculos de tradição, a Menin Wine Company vem construindo sua identidade a partir de uma leitura contemporânea do Douro. Fundado em 2018 pelo empresário brasileiro Rubens Menin, dono da construtura MRV, do Banco Inter e controlador da CNN Brasil, o grupo reúne as vinícolas Menin Douro Estates, no Cima Corgo, e H.O Horta Osório, no Baixo Corgo, administrando mais de 250 hectares de vinhas, muitas delas centenárias, em algumas das áreas mais valorizadas da região.
A estratégia de expansão no Brasil ganhou novo impulso com a apresentação de parte do portfólio premium da companhia em São Paulo. O encontro reuniu a CEO da Menin Company, Fásia Braga, e o premiado enólogo Tiago Alves de Sousa para mostrar diferentes interpretações do Douro, dos vinhos brancos e rosés aos tintos de guarda e os raros exemplares de Porto envelhecidos por 50 e 80 anos.
LEIA MAIS
- Depois dos vinhos, grupo La Pastina quer virar referência também em destilados
- Vinhos de Portugal: terroir e tradição nos rótulos do ‘Produtor do Ano’

O enólogo português Tiago Alves de Sousa (Divulgação)
O Brasil ocupa posição estratégica nos planos da empresa. Com um mercado cada vez mais interessado em vinhos de origem e em histórias autênticas, a companhia vê espaço para ampliar sua presença sem abrir mão da identidade construída no Douro. “Não queremos apenas vender vinhos. Queremos ser reconhecidos como uma empresa que entrega qualidade, autenticidade e deixa uma marca na história dos consumidores”, disse Fásia.
Entre as novidades que chegam ao Brasil está o Menin Gouveio 2024, primeiro monocasta da variedade lançado pela empresa. A uva já desempenhava papel importante como componente de outros vinhos da casa antes de conquistar espaço próprio. “Percebemos que havia algo muito especial ali que justificava um vinho varietal”, afirmou Tiago Alves de Sousa, hoje considerado um dos melhores de Portugal e eleito Top 100 Master Winemakers of the World (The Drinks Business). “É uma casta rara em versões monovarietais, normalmente utilizada em cortes, e acreditamos que apresentá-la sozinha é uma forma de mostrar ao mundo toda a identidade e personalidade das variedades portuguesas”.
A degustação prosseguiu com o H.O Matrona Rosé 2022, um vinho que desafia conceitos tradicionais da categoria. Produzido a partir de vinhas velhas do Baixo Corgo e amadurecido em barricas de carvalho francês, o rosé foi concebido para evoluir ao longo dos anos. “Não procurávamos fazer um rosé convencional. Procurávamos fazer um grande vinho. O Matrona foi pensado para envelhecer e evoluir durante décadas”, diz o enólogo.

Vista aérea das encostas onde estão os vinhedos da Menin Company (Divulgação)
A mesma busca por profundidade aparece no Menin D. Beatriz 2020, um dos rótulos mais emblemáticos do grupo. “Encontrámos um património extraordinário: 11 hectares contínuos de vinhas velhas com cerca de 130 anos e 54 castas diferentes. O D. Beatriz nasce da procura pelo melhor dos melhores dentro desse universo único”, explica Tiago.
Outro destaque foi o H.O Pontão 2022, um Grande Reserva elaborado a partir de vinhas centenárias do Baixo Corgo. O vinho homenageia a quinta histórica da família Horta Osório e traduz uma forma ancestral de viticultura, baseada na convivência de dezenas de castas em uma mesma parcela. “O Pontão mostra a sabedoria empírica dos nossos antepassados. A diversidade de castas cria não apenas resiliência na vinha, mas também uma harmonia extraordinária no vinho”, afirma.

Menin Porto Branco 80 Anos, à venda por R$ 20 mil (Divulgação)
A apresentação culminou com um dos exemplares mais raros produzidos pela companhia: o Menin Porto Branco 80 Anos, que chega ao Brasil custando R$ 20 mil. Elaborado a partir de lotes envelhecidos durante décadas em cascos antigos, o vinho simboliza uma categoria que só recentemente passou a receber a mesma atenção dedicada aos grandes Portos tintos.
Para Tiago Alves de Sousa, trata-se de uma verdadeira mudança de paradigma. “O reconhecimento dos grandes Portos Brancos é, provavelmente, o acontecimento mais importante do século XXI para o vinho do Porto”, destacou. “Durante décadas, estes vinhos estiveram escondidos e subvalorizados. Hoje percebemos que representam uma das expressões mais fascinantes e promissoras do futuro do vinho do Porto.”
Ao valorizar a região do Douro em suas múltiplas possibilidades, a Menin Company comprova sua filosofia que combina respeito pela herança duriense e visão de longo prazo. “Na Menin, buscamos equilibrar tradição e inovação, conscientes da responsabilidade de cuidar dessa herança que nos foi confiada e, ao mesmo tempo, prepará-la para as futuras gerações”, afirmou Fásia Braga.



