Ancestralidade e construção: nova exposição une história indígena e arte contemporânea em SP
A exposição "Alicerces", de Andrey Guaianá Zignnatto, fica em cartaz na Janaina Torres Galeria até o dia 25 de julho

Por André Sollitto
Com obras em coleções importantes, como a do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Espanha), do PAMM – Pérez Art Museum (EUA) e do Museu de Arte do Rio (MAR), o artista plástico Andrey Guaianá Zignnatto inaugura a exposição individual Alicerces neste sábado, 23, na Janaina Torres Galeria, em São Paulo.
O recorte de obras do artista paulista de origem indígena – Dofurêm Guaianá e Guarani – e italiana, a partir de um olhar para os últimos 10 anos de produção, é feito pelo curador Alexandre Araujo Bispo. São peças que propõem um olhar sobre o construtivismo brasileiro a partir da mescla de arquitetura, design e escultura.

“Bicho Brabo” faz referência a “Bicho”, de Lygia Clark (Divulgação/Filipe Berndt)
O trabalho de Andrey Guaianá Zignnatto é marcado por suas experiências pessoais, como o período entre os 10 e 14 anos de idade em que trabalhou como servente de pedreiro ao lado do avô. Há referências sobre sua ancestralidade indígena e italiana.
Esses elementos convergem em obras que usam como matéria-prima elementos como barro, tijolo baiano, vigas de cimento, ferro, urucum, cerâmica, chassis de quadros, jenipapo, tecido, missangas e ferramentas de construção civil. Com esses materiais, dialoga com a arte brasileira contemporânea, a exemplo de Bicho Brabo (2022), referência a Bicho de Lygia Clark (1920-1988), que substitui o metal articulado da proposta original por uma placa de demarcação territorial indígena, feita pela FUNAI.
Leia também:
- Galeria Zipper inaugura duas mostras em São Paulo
- Mostra na Japan House exibe carpintaria japonesa de encaixes
“De um lado estão as forças físicas como gravidade, energia, massa, peso, volume, equilíbrio e, de outro, as forças temporais que incidem no espaço como a memória e o esquecimento, finalmente, as injunções sociais que transformam os “lugares próprios” – um determinado endereço – em “lugares praticados” ou modificados pelas ações dos usuários”, afirma o curador Alexandre Araujo Bispo.
A mostra faz parte das comemorações de 10 anos da Galeria, inaugurada em 2016 com a proposta curatorial de discutir questões geográficas, políticas e sociais.
A exposição fica em cartaz até o dia 25 de julho na Janaína Torres Galeria, localizada na R. Vitorino Carmilo, 427, Barra Funda. Os horários de visitação são de terça a sexta, das 10h às 18h e sábados, das 10h às 16h.



