Galeria Zipper inaugura duas mostras em São Paulo

Fio D'Água, de Laura Villarosa, mostra uma mescla de pintura e trabalhos têxteis, e Mega Hair, de Romy Pocztaruk, aborda a ruína

Obra de Laura Villarosa que está na exposição individual Fio D'Água
Obra de Laura Villarosa que está na exposição individual Fio D'Água (Divulgação | Galeria Zipper)

Por André Sollitto

 

A Galeria Zipper, em São Paulo, inaugura neste sábado, 16, duas novas mostras em seus espaços expositivos.

 

A primeira é Fio D’Água, de Laura Villarosa, artista que nasceu em Palermo, na Itália, msa vive e trabalha em Niterói, no Rio de Janeiro, desde os anos 1980. Trata-se de um conjunto inédito de trabalhos em que a artista constrói paisagens imaginadas onde pintura e bordado se constituem mutuamente.

 

“Ao fazer da pintura uma prática atravessada pelo fio, Laura retoma uma história antiga de gestos transmitidos e reinventados. Tecer, costurar, bordar e entrelaçar são ações cotidianas, recorrentemente associadas à produção feminina, mas também potentes modos de exploração do sensível. Nessa fusão de labores, a artista aproxima imagem e matéria, visão e tato, superfície e profundidade”, escreve a pesquisadora e curadora brasileira no texto que acompanha a mostra.

 

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Villarosa já teve outros trabalhos expostos na Zipper. Começou trabalhando com pintura e cor, mas desde 2017 passou a incorporar práticas têxteis em sua produção autoral, além de cerâmica fria para modelar nuvens e diferentes texturas para compor suas paisagens imaginárias. 

 

A segunda mostra que também entra em cartaz neste sábado é Mega Hair, da artista Romy Pocztaruk. A exposição individual reúne esculturas inéditas feitas de concreto e fibra sintética (material industrial utilizado em apliques capilar) e marca uma nova fase na produção da artista, na qual questões antes investigadas na fotografia são deslocadas para o campo escultórico.

 

Obra da mostra Mega Hair, de Romy Pocztaruk (Divulgação/Galeria Zipper)

 

Pocztaruk construiu uma obra dedicada a explorar vestígios de projetos que falharam. Durante duas décadas, fotografou temas como Fordlândia, cidade que Henry Ford ergueu na Amazônia nos anos 1920. A instalação Bombrasil (2017) reconstituiu a memória do programa nuclear secreto da ditadura militar brasileira.

 

Com Mega Hair, deixa de fotografar ruínas para construir as próprias. Na mostra, usa a mesma técnica de alongamento capilar que dá nome à exposição e os mesmos materiais, mas substitui a cabeça humana por blocos de concreto. Segundo Renato Rezende, que assina o texto crítico, as esculturas de Pocztaruk representam “um ponto de incidência e demonstração”.

 

Mega Hair integra o Zip’Up, projeto da galeria criado em 2011, um ano após a abertura da casa, voltado a novos artistas e a propostas curatoriais experimentais. O programa seleciona e acolhe projetos expositivos que ocupam a sala superior da galeria.

 

SERVIÇO

  • As duas exposições ficam em cartaz na Galeria Zipper até o dia 13 de junho.
  • A Zipper fica na Rua Estados Unidos, 1494, no Jardim América, em São Paulo.
  • Abre de segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados das 11h às 17h.
  • Entrada é gratuita.