SP-Arte 2026 se firma como termômetro do mercado da produção visual

Programação da SP-Arte, que vai até domingo, incorpora debates, premiações e ativações que atravessam o campo da cultura contemporânea

Beatriz Milhazes, Fleur de la Passion Maracujá, 1995–1996, acrílica sobre tela, estande da Almeida & Dale :copyright: Photo Thomas DuBrock / Beatriz Milhazes Studio
Beatriz Milhazes, Fleur de la Passion Maracujá, 1995–1996, acrílica sobre tela, estande da Almeida & Dale (Foto: Thomas DuBrock / Beatriz Milhazes Studio)

Por Celso Masson

 

Em sua 22ª edição, a feira SP-Arte 2026, que vai até o domingo (12) no Pavilhão da Bienal, reúne artes plásticas e design destacando o papel de São Paulo como polo cultural de alcance internacional. São 180 expositores — entre galerias, estúdios de design, museus e editoras — em uma programação que incorpora debates, premiações e ativações que atravessam o campo da cultura contemporânea.

 

Território de convergência entre artistas, galeristas, colecionadores e instituições, a feira mantém sua vocação de vitrine de tendências e, ao mesmo tempo, de termômetro do mercado, influenciando agendas e curadorias ao longo do ano. Para Fernanda Feitosa, fundadora e diretora executiva da SP-Arte, a edição 2026 marca um momento de maturidade: a convivência entre nomes históricos e novos agentes reflete a vitalidade de um ecossistema em constante transformação.

 

LEIA MAIS:

 

Peças de mobiliário e design assinado no espaço da Etel (c) Celso Masson

Peças de mobiliário e design assinado no espaço da Etel (Foto: Celso Masson)

Um dos eixos mais evidentes desta edição é a consolidação do design como linguagem central. Com 64 expositores — incluindo 19 estreantes —, o segmento ganha densidade e protagonismo, refletindo a maturidade de uma cena que dialoga com tradição e experimentação. A novidade fica por conta do Design NOW, setor dedicado à produção autoral brasileira independente, com estúdios que operam em pequena escala e exploram materiais e técnicas diversas. “Chegamos à 22ª edição da SP-Arte com a consagração do design dentro e fora da feira, com a presença de novos estúdios e daqueles que estão conosco desde o começo”, afirma a fundadora.

 

Nesse contexto, a exposição “Existe uma árvore” propõe um olhar singular sobre o mobiliário moderno e contemporâneo no Brasil, colocando a madeira como fio condutor de uma narrativa que atravessa história, território e sustentabilidade. Cada peça exposta funciona como um fragmento dessa investigação, conectando design, natureza e memória.

 

Tarsila do Amaral, A feira II, 1925, óleo sobre tela, estande da Almeida & Dale © Sergio Guerini

Tarsila do Amaral, A feira II, 1925, óleo sobre tela, estande da Almeida & Dale (Foto: Sergio Guerini)

 

No campo das artes visuais, a feira mantém sua densidade histórica e contemporânea. Galerias apresentam desde nomes consagrados do modernismo brasileiro até artistas que tensionam questões sociais, políticas e identitárias. A presença de obras de figuras como Tarsila do Amaral (com uma obra avaliada em R$ 20 milhões) e Lygia Pape convive com produções que exploram novas materialidades e linguagens, reafirmando a diversidade da cena.

 

A dimensão internacional também se fortalece, com galerias da Europa, América Latina e Estados Unidos ampliando o diálogo transatlântico. Essa circulação de olhares e repertórios contribui para posicionar a feira não apenas como um evento local, mas como um ponto de articulação global.

 

Além das exposições, a programação de talks ganha relevo como espaço de reflexão. Com curadoria de Marcello Dantas e Tamara Perlman, os encontros abordam temas como colecionismo, mercado e interseções entre diferentes áreas do conhecimento, aproximando públicos e ampliando o debate cultural.

 

PRÊMIOS

 

Novidade desta edição, o Prêmio MECA SP-Arte ABACT 2026 oferecerá a um artista brasileiro, selecionado em mais de 40 inscritos,  residência artística na sede do Instituto MECA, um conjunto arquitetônico histórico dentro do Estaleiro Mac Laren, em Niterói (RJ).

 

Também seguem ativas outras três premiações lançadas em 2025: o Prêmio Artefacto SP-Arte Melhor Design; o Arauco SP-Arte de Inovação e Sustentabilidade; e o Sauer Art Prize.

 

Parâmetro do interesse de agentes do mercado imobiliário na feira, a incorporadora RFM promove conversas com art advisors em seu espaço no terceiro andar, onde a LN Urbanismo, empresa do Grupo Luan, marca presença pelo terceito ano consecutivo na feira com um lounge forrado de obras de artistas consagrados. Segundo o CEO do Grupo Luan, Adrian Estrada, a presença reforça os vínculos da marca com clientes e com o ecossistema das artes plásticas, um ativo importante em empreendimentos como a Fazenda Vista Verde, condomínio de alto padrão em Araçoiaba da Serra (SP) que terá o primeiro hotel da bandeira Vik no Brasil.