Wimbledon: top 3 momentos fashionistas

Como as estrelas reinventaram, este ano, o branco clássico nos gramados de Wimbledon, o torneio de tênis mais tradicional do mundo

Wimbledon
A textura rendada de Marta Kostyuk, o brilho milionário da alta joalheria de Aryna Sabalenca e a reinterpretação do quimono de Naomi Osaka: quebra de paradigma (Reproduções Instagram)

Por Karina Hollo

 

O torneio de Wimbledon é mundialmente conhecido por suas tradições centenárias, pelo silêncio respeitoso das arquibancadas e, acima de tudo, por seu rigoroso código de vestimenta que exige que os atletas joguem vestindo estritamente branco. No entanto, o Grand Slam britânico de 2026 provou que o tradicionalismo não é um obstáculo para a criatividade, mas sim um pano de fundo perfeito para a alta-costura esportiva. Longe de se limitarem ao básico, as principais atletas do circuito transformaram as icônicas quadras de grama em verdadeiras passarelas. Unindo tecnologia de alta performance, ancestralidade cultural e o brilho da alta joalheria, as tenistas consolidaram o fenômeno do tenniscore no topo do mundo da moda. A seguir, destacamos os três momentos fashionistas mais marcantes e comentados desta temporada.

 

Reconhecida por suas entradas triunfais e pela coragem de usar as quadras como plataforma de expressão, Naomi Osaka assinou o primeiro grande impacto visual do torneio. Em sua estreia contra Elsa Jacquemot, a atleta japonesa não decepcionou e cruzou os portões de Wimbledon com uma obra-prima sob medida. Desenvolvido em parceria com a estilista @_HanaYagi, baseada em Tóquio, o look de entrada foi uma reinterpretação dramática da silhueta do quimono tradicional.

 

LEIA MAIS

 

 

A peça foi confeccionada a partir do reaproveitamento de tecidos vintage e de um shiromuku — a veste branca e sagrada usada pelas noivas no Japão. O design trazia garças bordadas, delicadas flores de cerejeira aplicadas sobre a superfície e um imponente laço esvoaçante nas costas, que garantia movimento e dramaticidade a cada passo.

 

Por baixo, o uniforme de jogo da Nike mantinha a narrativa com texturas inspiradas na arte do kirigami (o corte de papel tradicional). Com unhas personalizadas em estilo cat-eye combinando com a produção, Naomi provou que seu impacto no esporte vai muito além das raquetes.

 

A tenista ucraniana Marta Kostyuk, que vive o melhor momento de sua carreira após alcançar marcas históricas em Roland-Garros, levou para as quadras londrinas a personificação da elegância romântica com o “The Marta Dress”. O modelo de 2026 é o segundo capítulo de uma parceria entre a atleta e a Diretora Criativa de Sportswear da Wilson, Joelle Michaeloff.

 

Celebrado em um evento exclusivo nos jardins vitorianos do Templeton Hotel, em Londres, o vestido desafiou com maestria as regras estritas do torneio.

 

Trata-se de um conjunto de duas peças estruturado com um sistema de top, colete e saia, inteiramente desenvolvido em uma inovadora renda técnica (engineered lace). Embora a textura rendada transmita uma imagem delicada e digna de alta-costura — inspirada livremente no vestido de noiva da própria atleta —, a peça foi projetada matematicamente em modelagem 3D para evitar o desperdício de tecido e garantir máxima flexibilidade na grama.

 

Com elasticidade multidirecional e alta respirabilidade para suportar as fortes ondas de calor britânicas, o look uniu estilo e funcionalidade, em um estilo meio balletcore que a tenista ironizou nas redes sociais comparando a primeira vitória com uma primeira dança.

 

Se o código de vestimenta de Wimbledon exige roupas brancas, a atual número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, encontrou nas joias a brecha perfeita para expressar sua personalidade audaciosa. Indicada como embaixadora da Gucci, a bielorrussa elevou o nível do torneio ao competir ostentando conjuntos de alta joalheria avaliados em cerca de 160 mil libras (mais de 1 milhão de reais), criados em parceria com a marca nova-iorquina Material Good.

 

Em sua partida de estreia na Quadra Central, Sabalenka surgiu com peças exclusivas feitas de ouro amarelo, diamantes e esmeraldas — uma homenagem sutil à cor das quadras de grama e à sua própria pedra de nascimento. Sob o clássico vestido NikeCourt Heritage, reluzia o colar Aryna Axis, composto por 41 diamantes marrons e dez pingentes de esmeralda em formato de coração. Brincos idênticos completavam o visual de 47.200 dólares.

 

A grande inovação fashionista, contudo, ficou por conta de seus tênis Nike Vapor: deixando o enorme anel de noivado dado pelo empresário brasileiro Georgios Frangulis no vestiário para não atrapalhar o saque, Aryna adotou a tendência da tornozeleira esportiva, costurando 27 esmeraldas lapidadas ao redor dos calcanhares de seus calçados. Um show de luxo em movimento.