Tesouro à beira-mar
JOIA DA COROA NA ROTA TURÍSTICO-CULTURAL DO CEARÁ E DO PAÍS, A COLEÇÃO AIRTON QUEIROZ, EM FORTALEZA, ATRAI VISITANTES DO MUNDO TODO, AO REUNIR UM DOS MAIS COMPLETOS E PRECIOSOS ACERVOS DE ARTE BRASILEIRA DA

JOIA DA COROA NA ROTA TURÍSTICO-CULTURAL DO CEARÁ E DO PAÍS, A COLEÇÃO AIRTON QUEIROZ, EM FORTALEZA, ATRAI VISITANTES DO MUNDO TODO, AO REUNIR UM DOS MAIS COMPLETOS E PRECIOSOS ACERVOS DE ARTE BRASILEIRA DA AMÉRICA LATINA
Dos grandes impressionistas franceses, como Monet e Renoir, aos surrealistas espanhóis, os geniais Joan Miró e Salvador Dalí. Além de alguns dos mais emblemáticos nomes do Modernismo brasileiro, caso de Alfredo Volpi, Cândido Portinari e Tarsila do Amaral. De quebra, os preciosos e inestimáveis acervos bibliográficos pessoais do industrial e mecenas ítalo-paulistano Ciccillo Matarazzo e da escritora cearense Rachel de Queiroz.
Ao lado de cenários à beira-mar de tirar o fôlego, praias, dunas e falésias coloridas que costumam arrancar suspiros de quem visita a costa cearense, o surpreendente acervo de arte brasileira do Espaço Cultural Unifor/Coleção Airton Queiroz, abrigado no moderno campus da Universidade de Fortaleza, no coração da capital cearense, é, de longe, um dos principais tesouros da rota turístico-cultural de sua capital, Fortaleza.
Não por acaso a impressionante coleção de telas, esculturas e instalações — uma das mais completas e abrangentes do país, ao reunir cinco séculos de história num panorama notável que vai do Brasil holandês (século 17) aos dias atuais, e que nunca foram expostas no Brasil, em sua maioria — é apontada como uma das mais valiosas da América Latina, sob o ponto de vista histórico e artístico.
Com curadoria de Fábio Magalhães, José Roberto Teixeira e Max Perlingeiro, e, ainda, sob o olhar atento do chanceler Airton Queiroz, são, no total, mais de 260 obras assinadas pelos principais nomes das artes brasileira, em suas distintas expressões — de Albert Eckhout a Lygia Clark, de Tunga a Aleijadinho —, e da europeia, incluindo expoentes como Renoir, Monet e Max Ernst, entre outros.
Organizada em cinco grandes eixos, a exposição organiza as obras entre períodos históricos e movimentos artísticos bem definidos: Brasil Holandês à República, Modernismo, Abstração, Contemporâneos e Presença Estrangeira. Na primeira parte, destacam-se os cenários bucólicos retratados sob um olhar ultradetalhista e descritivo, semelhante ao fotojornalismo atual, pelo pintor holandês Albert Eckhout (1610-1655).
Primeiro país do Novo Mundo a ser retratado pelos artistas dos colonizadores, o Brasil está representado, em seus primórdios e transformações, nos trabalhos em óleo de Eckhout, como o desenho sobre um menino tapuia — a obra mais antiga da coleção. Eckhout foi um dos pintores a serviço do Conde Maurício de Nassau quando governador do Brasil Holandês, entre 1637 e 1644. O século 19 também é um dos destaques desse primeiro eixo da exposição, com pintores de paisagem, gênero e história, como Nicolas-Antoine Taunay, Jean-Baptiste Debret, Henri Vinet, Georg Grimm, Antônio Parreiras, Castagneto, Benedito Calixto, Nicolao Facchinetti, Eliseu Visconti, além do pintor e gravador cearense Raimundo Cela.
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Na antessala do modernismo, segundo eixo da mostra, o ponto de partida é a obra de Anita Malfatti. A tela, Mulher de Cabelo Verde é, sem dúvida, uma das peças mais importantes do acervo. Trata-se de uma obra icônica, de grande significado para a história da arte brasileira e, em particular, para todo o movimento modernista. A tela participou da Exposição de Pintura Moderna – Anita Malfatti, em São Paulo, no ano de 1917, quando a artista tinha 28 anos.
Também compõem esse espaço, telas de Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Ismael Nery, Lasar Segall, Antônio Gomide, Cícero Dias e Vicente do Rego Monteiro. Além de uma seleção de escultores de primeira grandeza, como Victor Brecheret, Maria Martins, Ernesto de Fiori e Bruno Giorgi — escultor que colaborou com Oscar Niemeyer na construção de Brasília.
Entre as obras que fazem parte da coletânea Abstração vale menção especial à obra O Bicho, de Lygia Clark, que integra a série de construções geométricas articuláveis produzidas entre os anos de 1960 e 1964. É um não-objeto que exige interatividade, feito para ser manipulado. Lygia apresentou a série Bicho na VI Bienal de São Paulo, em 1961, e ganhou o prêmio de melhor escultura nacional. Estão presentes ainda nesse ponto da mostra multiartistas consagrados como Manabu Mabe, Tomie Ohtake, Hermelindo Fiaminghi, Hélio Oiticica, Lygia Pape, Alfredo Volpi, além do cearense Antônio Bandeira.
Nos dois últimos eixos, vale conferir as criações de Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Leonilson e Leda Catunda, dentre outros artistas contemporâneos brasileiros. Bem como a notável legião estrangeira integrada, desde o mestre barroco flamengo Peter Paul Rubens (um dos expoentes máximos da história da pintura ocidental do século 17) a Claude Pierre Auguste Renoir, Marc Chagall, além dos geniais surrealistas europeus do século 20, o alemão Max Ernst e os espanhóis Joan Miró e Salvador Dalí. A América Latina também se faz presente com obras dos uruguaios Joaquín Torres García e Carmelo Arden-Quin, do mexicano Diego Rivera (1886- 1957) e do ultraconhecido figurativista colombiano Fernando Botero, com suas figuras rotundas de contornos e traços plus size.
Além do extraordinário acervo permanente, o Espaço Cultural Unifor tem se tornado um destino cultural obrigatório de quem visita a capital cearense, com uma programação anual intensa recheada de exposições temporárias e mostras exclusivas de artistas brasileiros e estrangeiros, com destaque, ainda, à arte regional. Em resumo: um programa único e imperdível para quem ama arte.
Arte por Marco Merguizzo Especial de Fortaleza (CE) | Matéria publicada na edição 96 da Revista Versatille



