Propriedade compartilhada avança no mercado náutico
Nova operação da BHR combina frações de iates em Angra dos Reis e Paraty com uma rede internacional de experiências e de hospitalidade

Por Celso Masson
O mercado brasileiro de embarcações de lazer acaba de ganhar um novo modelo de negócios voltado ao público de alta renda. A BHR anunciou a criação da BHR Yachts, unidade dedicada ao segmento náutico que nasce com investimento inicial de R$ 30 milhões e aposta na combinação entre propriedade compartilhada e acesso a uma rede internacional de experiências.
A operação será concentrada inicialmente em destinos consagrados da costa fluminense, como Angra dos Reis e Paraty, dois dos principais refúgios náuticos dos paulistas. As embarcações ficarão baseadas em marinas dessas cidades, mas poderão ser visitadas previamente em Santos, estratégia adotada para aproximar o produto do público de São Paulo.
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O modelo segue a lógica da multipropriedade, já consolidada em setores como hotelaria e turismo. Em vez da compra integral de uma embarcação, o cliente adquire uma fração, que garante 28 dias de utilização por ano, distribuídos em um calendário previamente organizado. O valor médio de cada cota gira em torno de R$ 600 mil, com possibilidade de parcelamento conforme o modelo escolhido.
A meta da companhia é comercializar, ao longo de 2026, o equivalente a oito embarcações por meio desse sistema de compartilhamento.
O diferencial da proposta está na integração com a plataforma internacional ThirdHome. Por meio dela, os proprietários podem converter seus períodos de uso em créditos para acessar embarcações em outros destinos ao redor do mundo. Dependendo da disponibilidade e das regras da plataforma, esses créditos também podem ser utilizados para estadias em hotéis e residências de alto padrão.
Segundo a BHR, trata-se da única operação nas Américas e no Caribe a integrar, de forma estruturada, a propriedade compartilhada de barcos com uma rede global de experiências desse tipo.
Para a CEO da empresa, Cassiane Celli, a proposta reflete uma mudança no comportamento de consumo da alta renda, cada vez mais orientada pelo acesso em vez da posse. “A lógica deixa de ser a da propriedade isolada e passa a ser a do acesso. O barco local funciona como ponto de entrada para uma rede global, com foco em experiência”, afirmou.
Além do compartilhamento, a empresa assume toda a gestão operacional das embarcações. Serviços como manutenção, seguros, tripulação e suporte ficam centralizados, reduzindo a complexidade normalmente associada à propriedade de um barco.
De acordo com André Scotti, CCO da BHR, o modelo busca aumentar a eficiência de utilização de um ativo que tradicionalmente permanece boa parte do tempo parado. “O cliente paga cerca de 10% de um barco que usaria sozinho, elimina custos e ainda transforma esse tempo em acesso global”, disse.
A frota inicial contará com embarcações de 40 e 42 pés, escolhidas por oferecerem melhor aproveitamento dos espaços internos e soluções inspiradas no design náutico europeu, características que favorecem o uso compartilhado sem comprometer o conforto a bordo.
Menos capital imobilizado, mais flexibilidade
A entrada da BHR no setor acontece em um momento em que modelos de compartilhamento ganham espaço entre consumidores de alta renda. A combinação de custos elevados de aquisição, manutenção e marina, somada ao uso limitado das embarcações ao longo do ano, faz com que a propriedade integral nem sempre seja a alternativa mais eficiente.

Cotas partem de R$ 600 mil (Divulgação)
A empresa aposta justamente nessa mudança de mentalidade para ampliar o mercado. O modelo também inclui uma estratégia de saída para o investidor: após cinco anos, o proprietário pode optar por renovar sua participação ou vender sua fração à própria companhia, mecanismo que busca oferecer maior previsibilidade financeira.
Sediada nos Estados Unidos e com subsidiária no Brasil, a BHR atua também no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários ligados à marca Registry Collection, linha upper luxury da Wyndham Hotels & Resorts, além de manter parcerias com empresas como a Sessa Marine e a ThirdHome.
Com a operação iniciada no eixo Rio–São Paulo, a expectativa é ampliar a frota e expandir a presença geográfica nos próximos anos.



