Por que a joalheria nacional brilha no exterior? Conheça 3 designers que se destacam por sua autenticidade
Com um mercado de pedras preciosas em constante crescimento, o Brasil também se destaca pela criatividade de seus joalheiros

Há quem diga que nosso país é abençoado por Deus pelas riquezas naturais que ostenta. Biomas diversos, com muita flora e fauna nativas, cenários paradisíacos e uma riqueza mineral exuberante que propicia grande variedade de pedras preciosas. Independentemente da região, é inegável o imenso potencial que o Brasil carrega – algo que a joalheria nacional está sabendo trabalhar com esmero.
Segundo o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), o Brasil está entre os 15 maiores produtores mundiais de joias de ouro, comercializando um total de 22 toneladas de peças. Além disso, de acordo com um levantamento divulgado pela Mordor Intelligence em 2024, o mercado nacional de joias tem um faturamento estimado de 3,59 bilhões de dólares e deve atingir 5,34 bilhões de dólares até 2029, com previsão de crescimento anual de cerca de 8% nos próximos cinco anos.
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Um mercado interno que, embora enfrente adversidades, como a dificuldade de obtenção de certificados de origem e a presença de um mercado informal prejudicial, ainda tem muito espaço para crescer de forma responsável. Pelo menos é assim que especialistas na área, como a joalheira e gemóloga Emilia Studart, enxergam o momento atual: “Nossa riqueza mineral é muito importante. Recentemente, a Sotheby’s leiloou uma alexandrita brasileira de 16 quilates por quase 2 milhões de dólares. São pedras muito valorizadas”. Embora seja surpreendente, essa não é a única característica que vem fazendo o país se destacar.
“O mercado brasileiro de joias é reconhecido e apreciado globalmente por diversas razões. Dentre elas, eu destacaria a criatividade e a diversidade”, revela Emilia. “Os joalheiros têm usado designs inovadores, muitas vezes incorporando elementos da nossa arte e cultura na criação de peças únicas. Isso acaba gerando uma variedade que atende a diferentes gostos e estilos, do mais clássico ao contemporâneo. Além disso, muitos fazem uso de técnicas artesanais de produção, o que agrega bastante valor às peças. Joias feitas em máquinas não têm o mesmo acabamento.”

Anel de esmeralda, Ana Khouri
O Brasil se destaca, então, pela sua autenticidade, mas também tem boa performance quando se trata das tendências globais do mercado de joias – a gemóloga enxerga quatro tópicos principais em alta atualmente: o crescimento do comércio eletrônico; a valorização de designs com pedras preciosas; a busca por peças personalizadas e customizadas; e o apreço por joias com certificados de responsabilidade ética em sua matéria-prima e fabricação.
“Essas tendências refletem mudanças no padrão de consumo, e o Brasil está sabendo trabalhar bem com esse momento do mercado”, ressalta Emilia. Não à toa, torna-se cada vez mais comum a internacionalização das joias nacionais, com celebridades ostentando peças de de-signers brasileiros em tapetes vermelhos de premiações globais como o Oscar e o Grammy. “A presença nesses eventos tem um impacto superpositivo, visto que atrai a atenção de consumidores de luxo, gera um possível aumento das exportações e contribui para o crescimento econômico do país por meio da competitividade interna.”
Para os próximos anos, a tendência é testemunhar o Brasil e os brasileiros mais vezes em momentos de grande visibilidade global. Até lá, já podemos apreciar alguns joalheiros que se consolidaram no mercado nacional e internacional pela sua criatividade e talento.
Ana Khouri

Bracelete Phillipa de Rubellite, diamante branco em ouro 8k Fairmined, Ana khouri
Radicada em Nova York desde que abriu o seu ateliê, em 2013, Ana Khouri tem uma atuação extremamente consolidada no mercado de joias. A brasileira fez faculdade de artes plásticas e começou a carreira como escultora, mas logo se apaixonou pela joalheria e estudou gemologia no Gemological Institute of America, na Califórnia, e design de joias na Central Saint Martins, em Londres. Ana possui um trabalho essencialmente artístico, muito pautado pelo seu início de carreira, mas também se destaca pela sua voz em prol da joalheria consciente e sustentável.
Ara Vartanian

Colar River Chain de rubelita com diamantes brancos e diamante negro em ouro 18 quilates branco e rosé, Ara Vartanian
Ara Vartanian, à frente da marca que leva o seu nome, nasceu em Beirute, no Líbano, e se mudou para o Brasil com a família quando tinha apenas 1 ano de idade. As joias sempre estiveram presentes em sua vida: seu pai era fornecedor de diamantes e gemas preciosas, enquanto sua mãe trabalhava na criação e no design das peças. A genética não falhou. Por mais que Vartanian tenha tentado seguir caminho na economia, a joalheria teve um chamado mais forte e ele começou a assinar as próprias peças em 2002. Hoje, tem suas criações vendidas ao redor do mundo.
O que o diferencia no mercado? “Como eu não faço coleções e vou criando de uma forma mais freestyle, meu processo criativo começa pela busca das pedras, e eu crio a joia a partir delas. É tudo muito intuitivo, reflexo dos meus hobbies e lifestyle. Outra coisa muito importante é que a compra de todas as pedras é feita diretamente por mim, e a execução do trabalho é integralmente no nosso ateliê. Tenho muito contato com a equipe e com os ourives. Esse com certeza é um diferencial da marca.”
Fernando Jorge

Anel Stream Open Madrepérola de ouro amarelo 18k, Fernando Jorge
Com showrooms em Londres, Nova York e São Paulo, Fernando Jorge definitivamente tem o seu espaço garantido no mercado internacional. O brasileiro, que conta com peças nos closets de personalidades como Rihanna, Fernanda Torres, Lady Gaga e Michelle Obama, lançou sua primeira coleção em 2010, após concluir um mestrado em design na Central Saint Martins, em Londres. Na época, ele já tinha anos de experiência no mercado por ter trabalhado em outras joalherias, mas foi apenas na própria marca que conseguiu realmente expressar sua identidade repleta de brasilidade.
Por Beatriz Calais | Matéria publicada na edição 139 da Versatille



