Matchmaking de luxo chega ao Brasil com foco em relacionamentos internacionais
Agência criada nos EUA por mãe e filha brasileiras traz alternativa aos aplicativos de namoro para pessoas que priorizam privacidade, afinidade e projetos de vida em comum

Por Celso Masson
Ainda incipiente no Brasil, o matchmaking de alto padrão chega como mais um sinal de que o mercado de relacionamentos também começa a se segmentar, acompanhando um movimento já consolidado em outros países, onde privacidade, compatibilidade e curadoria humana passaram a valer mais do que a quantidade de opções disponíveis na tela.
Durante anos, os aplicativos de relacionamento transformaram a busca por um parceiro em uma sucessão quase infinita de perfis, algoritmos e deslizes de dedo na tela do celular. Enquanto esse modelo se consolidava no Brasil, um caminho diferente ganhava espaço entre executivos, empresários e investidores na América do Norte e na Europa: as agências de matchmaking de alto padrão, que substituem a lógica do volume pela curadoria personalizada.
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É nesse mercado que atua a Elite Brazil Matchmaking Co., criada pela brasileira-canadense Adriana Perusin em parceria com sua filha, a brasileira-holandesa-canadense Julia Fleischeuer. A empresa nasceu no exterior e agora começa a apresentar seu modelo ao público brasileiro, conectando homens norte-americanos e europeus de alto patrimônio a mulheres brasileiras interessadas em relacionamentos duradouros.
O desafio, segundo Adriana, tem sido explicar um conceito praticamente inexistente no Brasil. “Nos Estados Unidos e na Europa, as agências de matchmaking de alto perfil são amplamente conhecidas. Aqui, muitas pessoas ainda confundem esse trabalho com serviços de acompanhantes de luxo, mas são propostas completamente diferentes”, afirma.
O algoritmo dá lugar à curadoria
Diferentemente dos aplicativos de relacionamento, a agência não trabalha com perfis públicos nem recomendações automatizadas. Cada participante passa por entrevistas aprofundadas, avaliação comportamental e análise de expectativas, estilo de vida e maturidade emocional antes de qualquer apresentação. Segundo Adriana, o processo também é rigoroso na seleção dos clientes masculinos. “Eu não aceito nenhum homem que não apresentaria para minha filha, minhas sobrinhas ou minhas afilhadas”, diz. A renda elevada, embora faça parte do perfil da maioria dos clientes, não é suficiente para ingressar na agência. A compatibilidade emocional, o interesse por um relacionamento estável e valores ligados à família pesam mais na avaliação.
Os homens atendidos pela Elite Brazil têm entre 30 e 65 anos e incluem fundadores de empresas, investidores, executivos e empreendedores. Em comum, além da discrição, está a ligação com o Brasil. Muitos já visitam o país com frequência, possuem negócios ou imóveis por aqui e demonstram interesse pela cultura brasileira.
Do outro lado estão as chamadas Exclusive Members. A participação das brasileiras é gratuita, mas depende de um processo seletivo bastante restritivo. A agência procura mulheres bilíngues, com trajetória profissional consolidada, vivência internacional ou interesse por outras culturas e disponibilidade para construir um relacionamento de longo prazo.
Hoje, a empresa reúne cerca de 28 brasileiras cadastradas e já intermediou a formação de 17 casais. Curiosamente, a maior dificuldade não está em encontrar interessados no exterior, mas em ampliar a rede de brasileiras que se encaixem no perfil definido pela agência. “A procura de clientes estrangeiros acabou sendo maior do que a de mulheres. Tivemos até de interromper temporariamente a entrada de novos clientes porque precisamos aumentar nossa base de Exclusive Members“, diz Adriana. Ela acredita que parte desse desequilíbrio decorre do desconhecimento do próprio mercado. Segundo ela, muitas brasileiras simplesmente não sabem que esse tipo de serviço existe e acaba sendo uma alternativa para quem não se identifica com o ambiente dos aplicativos de namoro.
Amor sob medida
Mais do que substituir plataformas digitais de encontros, a proposta é atender um público que busca um processo mais reservado. Em vez de centenas de contatos, a agência trabalha com poucas apresentações cuidadosamente selecionadas, acompanhadas de orientação sobre diferenças culturais, expectativas e construção de relacionamentos internacionais.
Embora o perfil econômico dos participantes naturalmente desperte curiosidade, Adriana prefere resumir a proposta em outro aspecto: “Nós trabalhamos com amor. Isso traz uma responsabilidade enorme. O nosso objetivo não é criar encontros casuais, mas aproximar pessoas que realmente tenham potencial para construir uma vida juntas.”



