Maria Filó faz desfile em SP fiel às raízes da Zona Sul carioca, com toque boho e aristocrata
A coleção foi apresentada nos jardins do casarão do Iate Clube de Santos, em Higienópolis, com visual setentista e esvoaçante

Com mais de 25 anos de trajetória, a Maria Filó é uma das principais marcas de moda que simboliza uma Zona Sul carioca descontraída e confortável, mas que não abre mão de materiais, caimento e recortes de luxo. O conceito de hippie-chic, não apenas na Filó, mas em outras etiquetas do Rio de Janeiro, cai como uma luva. E não foi diferente no primeiro desfile da marca em São Paulo desde que a diretora criativa, Maria Rita Magalhães Pinto, assumiu o posto em 2023. O evento aconteceu nesta terça-feira, 15 de julho, no Iate Clube de Santos, em Higienópolis.

Maria Rita Magalhães Pinto (Foto: Zé Takahashi)
Dois destaques da coleção de verão 2026 são: a cartela, com cores que vão desde as vibrantes às suaves – como o próprio sol em um dia de céu aberto -, e os trabalhos manuais. O primeiro ponto, os tons, variam do vermelho aberto ou terroso ao lavanda, verde e off-white. Já a artesanalidade surge em recortes decorativos, em vestidos e blusas de linho, feitos de richelieu.
LEIA MAIS:
- “Os criadores são engraçados: tudo o que vivenciamos acaba nos inspirando”, diz a estilista Cris Barros
- Famoso por uma estética que foge do óbvio, Alexandre Pavão conta a história de sua marca homônima
- Na Alta-Costura, Schiaparelli renova elegância com ousadia e Chanel se refresca à espera de diretor criativo
Lenços de seda amarrados nos quadris e nas cinturas, correntes douradas nos pescoços e chapéus de palha com circunferência exagerada criam looks com perfume de anos 70, como em uma fotografia de Ibiza, Búzios ou Saint-Tropez naquela época. A tentativa de dar um toque de modernidade (ainda que inspirada no passado), ou até sobriedade, é feita a partir dos óculos de grau aviador com armação dourada e da alfaiataria.
Os blazers conferem estrutura às peças esvoaçantes, desfiladas no jardim do palacete que pertenceu a Veridiana Valéria da Silva Prado, aristocrata e figura da alta-sociedade que marcou o cenário cultural da cidade no final do Império. A presença de bambus nos jardins da casa foi um atrativo para a marca. “Na coleção, temos bijuterias e acessórios de bambus. Além disso, queríamos um desfile de manhã, solar, porque a Maria Filó é muito essa mulher”, explica a diretora criativa.

Foto: Zé Takahashi
Maria Rita Magalhães Pinto também trabalha com estamparia, como nos florais em vestidos fluídos e no paisley – ambas combinadas entre si e com listras tricolores, o que cria um efeito gráfico. “Eu faço estampas para não ficarem cansativas, que deem para misturar facilmente.” No fim das contas, o visual não é necessariamente datado, mas também não se propõe a reinventar a roda – em termos de silhueta, tecidos, estampas, nada.
Entretanto, esta não precisa ser a intenção de toda marca e de todo criador de moda. Cada um conhece bem o seu público, tem uma estratégia, uma mensagem a comunicar e números para dar conta. “A gente brincou que essa é a coleção da feiticeira, puxando de uma entrevista que Rita Lee deu falando que, ao invés de ficar careta, você pode virar feiticeira”, diverte-se. Daí vêm as bijuterias, lenços no tornozelo e outros acessórios. “Um pouco cigana.”

Foto: Zé Takahashi
A coleção verão 2026 conversa bem com a clientela fiel da Maria Filó e, como prova disso, a locação do jardim no casarão – nem um pouco com ar itinerante cigano – foi uma ótima sacada. Especialmente se tratando de uma cidade que não tem horizonte, um mar sequer para olhar.
Por Thiago Andrill



