LABACE mostra o futuro inteligente da aviação executiva

Segunda maior feira do setor no mundo reúne em São Paulo aeronaves equipadas com sistemas de pouso automático, projetos de propulsão elétrica e tecnologias que ampliam a segurança e a conectividade em voo

Pilatus PC-12 (divulgação)
Pilatus PC-12 PRO, turbo-hélice apresentado pela Synerjet com sistema Autoland e recursos autônomos de proteção de voo (foto: divulgação)

Por Celso Masson

 

Impulsionado pela força do agronegócio, pelas dimensões continentais do país e pela crescente procura de mobilidade aérea por celebridades (tanto do showbiz quanto do esporte) e empresários, o Brasil já é o segundo maior mercado para a aviação geral no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Para mostrar o estado da arte de toda a cadeia movimentada pelo segmento (que engloba aviação executiva, serviços especializados na agricultura, aerofotogrametria e resgate aeromédico, entre outras atividades), a 21ª edição da LABACE (Latin American Business Aviation Conference & Exhibition) ocupa parte do Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, até a quinta-feira (6). A feira também é a segunda maior do planeta

 

Segundo Flavio Pires, diretor da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), cerca de 600 aeronaves são comercializadas anualmente no país, um volume que ajuda a explicar o interesse crescente dos fabricantes pelo mercado brasileiro.

 

A feira reflete esse cenário. Além de reunir alguns dos principais fabricantes e fornecedores da indústria, a edição deste ano evidencia uma mudança de foco na evolução das aeronaves. Se durante décadas desempenho, velocidade e autonomia lideravam as prioridades, agora a inteligência embarcada, a conectividade e os recursos voltados à segurança ocupam o centro das atenções.

 

Um mercado em transformação

 

“Ter um avião deixou há muito de ser apenas um símbolo de status para empresários”, afirmou Flavio Pires durante o soft opening para jornalistas, na tarda da segunda-feira (3). Em um país que exige longos deslocamentos, a aviação tornou-se uma ferramenta de trabalho para produtores rurais, operadores de saúde, empresas de energia e até órgãos públicos. Não por acaso, fabricantes ampliam seus portfólios no Brasil, enquanto empresas de manutenção, treinamento e gerenciamento de aeronaves investem continuamente em estrutura e tecnologia.

 

Essa transformação também pode ser percebida na diversidade dos modelos expostos. Jatos executivos dividem espaço com turbo-hélices, monomotores e helicópteros, refletindo diferentes perfis de operação e necessidades de mercado. Após anos de ausência, a Bombardier é um dos fabricantes que retornou à feira. “A decisão de participar ou não depende depende muito dos lançamentos que a empresa tem a mostrar e também do tamanho da fila de espera”, disse Pires. “Se o fabricante tem pedidos para entregar em um período de dois anos ou mais, pode não fazer sentido investir em um espaço na LABACE, que implica em custos relativamente altos”.

 

Bell 505 Jet Ranger X, representado no Brasil pela TAM Aviação Executiva (foto: divulgação)

Bell 505 Jet Ranger X, representado no Brasil pela TAM Aviação Executiva (foto: divulgação)

 

Numa demonstração da diversidade que caracteriza a aviação geral no Brasil, a TAM Aviação Executiva participa da LABACE na condição de maior expositora pelo nono ano consecutivo. Seu estande reune oito aeronaves, entre jatos Citation, turbo-hélices King Air e Grand Caravan, o monomotor Turbo Skylane e helicópteros Bell.

 

A segurança assume o comando

 

A principal tendência tecnológica da LABACE 2026 talvez não esteja na potência dos motores nem na velocidade de cruzeiro, mas na capacidade de as aeronaves assumirem o controle em situações críticas.

 

Cada vez mais modelos incorporam sistemas de pouso automático capazes de conduzir a aeronave até um aeroporto e realizar a aproximação e o pouso sem intervenção do piloto caso ele fique incapacitado.

 

Vision Jet na pista

Cirrus Vision Jet G3 (foto: divulgação)

A Cirrus apresenta o Vision Jet Generation 3 e o SR22T G7+, ambos equipados com o sistema Safe Return Emergency Autoland. O novo Vision Jet também estreia um interior completamente redesenhado e mais de 30 aprimoramentos voltados à experiência de voo.

 

A mesma direção pode ser observada no novo Pilatus PC-12 PRO, apresentado pela Synerjet. Além do moderno cockpit Garmin G3000 PRIME, o turbo-hélice incorpora o sistema Autoland e recursos autônomos de proteção de voo. Capaz de operar em pistas curtas e não preparadas, ele possui cabine para até nove passageiros e um conjunto de aviônicos que o aproxima da experiência encontrada em jatos executivos de maior porte.

 

Com motores instalados sobre as asas, que se tornou uma assinatura do HondaJet Elite II, o modelo apresentado Líder Aviação combina eficiência de combustível, desempenho e uma cabine silenciosa.

 

Detalhe do HondaJet Elite II (foto: Celso Masson)

Detalhe do Hondajet Elite II (foto: Celso Masson)

 

 

O horizonte da mobilidade aérea

 

Embora ainda em estágio inicial, a eletrificação também marca presença na feira. A Líder apresenta sua parceria estratégica com a Beta Technologies, empresa que desenvolve aeronaves elétricas e a infraestrutura necessária para sua operação, indicando que a transição energética já começa a ganhar espaço também na aviação executiva.

 

Segundo Flavio Pires, da Abag, a Inteligência Artificial também desempenha um papel importante no desenvolvimento da aviação. Em vez de apenas transportar passageiros, as aeronaves aprendem a tomar decisões, ampliar a segurança e manter pessoas conectadas durante todo o trajeto — um retrato bastante preciso do futuro que a aviação executiva começa a desenhar.