João Pimenta ousa com Tropicalismo despretensioso

O desfile inaugural da SPFW, que remete ao Brasil ensolarado (e até à Tropicália), investe na descontração, rompendo com a formalidade que muitos adotam para falar do assunto

Tudo tem de começar por algum lugar e a 60ª edição da SPFW, que marca os 30 anos do evento, começou na manhã desta segunda-feira, 13 de outubro, com João Pimenta. O desfile aconteceu na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Há um outro aniversário envolvido na ocasião: o da própria Biblioteca, que vira uma senhora centenária em 2025.

 

A atriz e diretora Bárbara Paz abriu a apresentação com uma declamação do “Livro do Desassossego”, de Fernando Pessoa. Apesar do título da obra – ou justamente por conta dele -, o desfile trouxe uma versão relaxada de alfaiataria, o carro-chefe de Pimenta. Afinal, quem não gosta de descanso? E com brisa natural, já que a coleção foi batizada de “Tropicalizando”.

 

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Vale destacar que há uma conexão com as recentes passarelas da temporada internacional, com um clima mais descontraído e fora do pedestal. Faixas amarradas marcam o quadril dos modelos, uma contraposição à silhueta mais comprida e solta do corpo proporcionada por blazers, calças às vezes com grandes recortes frontais e jaquetas e sobretudos meio robe, meio puffer, mas inteiramente fluídas. Há um toque de orientalismo, talvez pela possível associação à imagem de um quimono.

 

Foto: reprodução Instagram @SPFW

 

Porém, o gosto é mais que brasileiro. As camisas abertas com elã, a cartela de cores –  branco, off-white, laranja e azuis vibrantes – e o uso de listras com diferentes padronagens, até mesmo a risca de giz, ajudam a construir uma leitura ensolarada e sensual. Tops transparentes justos que deixam parte da barriga à mostra, combinados com calças aladim, modernizam o visual.

 

 

Para incrementar o frescor, o jeans ganha estrutura de alfaiataria, mas sem abandonar a praticidade e o conforto. Já a alfaiataria de algodão e linho fino é refrescada por tops de tule que mostram o torso. Tudo em equilíbrio, sem pesar a mão. 

 

Foto: reprodução Instagram @SPFW

 

O Brasil ensolarado, muito idealizado pelo movimento da Tropicália, vira e mexe, é um tema da indústria cultural. Porém, a abordagem de João Pimenta associa a elegância pela qual este assunto é conhecido à despretensão. Este elemento também fez parte do Tropicalismo, embora muitas vezes seja ignorado. 

 

Foto: reprodução Instagram @SPFW

 

Esta é a ousadia, ou frescor, que João Pimenta traz com a nova coleção. E para encerrar, a atriz Bárbara Paz retornou à passarela e recitou um trecho de “Mudar: Método”, do autor Édouard Louis. Tudo terminou, enfim, com arte.

 

por Thiago Andrill

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