iF Design Award 2026 e o triunfo do design brasileiro em Berlim
Cerimônia no Friedrichstadt-Palast vê design nacional não apenas conquistar troféus, mas estabelecer marcos históricos

Luminárias Tempo, de Claudia Moreira Salles, e Oras Bolas, de Fernando Prado, premiadas no iF Awards 2026 (Foto: montagem sobre imagens de divulgação)
Da Redação
Nesta segunda-feira, 27 de abril, o design brasileiro reafirma sua singularidade durante a cerimônia do iF Design Award 2026, no Friedrichstadt-Palast, em Berlim. Em uma edição extremamente concorrida, com cerca de 10 mil projetos avaliados por 129 especialistas internacionais, o Brasil não apenas conquistou troféus, mas estabeleceu marcos históricos. A Lumini, referência em iluminação, consolidou-se como a marca número um do mundo em seu segmento, enquanto o paisagista Rodrigo Oliveira assinou um feito inédito para o país na categoria de arquitetura de paisagem.
A Lumini celebra uma trajetória de excelência ao somar 29 selos iF ao seu portfólio. O destaque absoluto é a conquista do iF Gold Award pela luminária Tempo, criada por Claudia Moreira Salles. Este troféu representa a distinção máxima do design mundial, entregue a apenas 75 projetos de excelência excepcional. A peça é uma reflexão sensível sobre a passagem do tempo, equilibrando materiais e proporções que transcendem a função técnica.
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Além do ouro, a marca foi premiada pelas luminárias Bloco (Studio MK27), com seu rigor geométrico; Me Leva (Lia Siqueira), focada na portabilidade contemporânea; e Ora Bolas (Fernando Prado), que explora a tensão entre madeira maciça e vidro opalino. Tamanho desempenho colocou a Lumini no topo do ranking global de iluminação do período 2022-2026, superando ícones europeus como a italiana Martinelli Luce e a holandesa Philips, e competindo em prestígio com gigantes como Apple e Samsung.

Casa Lap, com paisagismo de Rodrigo Oliveira, vencedor do iF Awards 2026 (Fotos: Pedro Kok)
Prêmio inédito de paisagismo
Paralelamente ao sucesso da indústria de luz, o paisagismo nacional alcançou um patamar inédito. Rodrigo Oliveira tornou-se o primeiro brasileiro a vencer na categoria Landscape Architecture com o projeto da Casa LAP, em São Paulo. Com arquitetura da Bernardes Arquitetura, o jardim foi reconhecido por não ser meramente um acessório decorativo, mas uma estrutura viva fundamental à experiência de morar.
Oliveira, engenheiro agrônomo com mais de 30 anos de estrada, utilizou uma linguagem naturalista e espécies tropicais para suavizar a densidade urbana de São Paulo, criando um refúgio onde luz, sombra e ventilação são orquestradas pela vegetação.
O projeto distribui o verde por diferentes pavimentos, provando que o jardim é uma ferramenta autoral capaz de transformar a conexão entre a arquitetura e a cidade.
Esses reconhecimentos em Berlim sublinham a maturidade do design nacional, que une precisão técnica, inovação e uma identidade autoral inconfundível.
Seja na escala do objeto ou do território, o Brasil demonstra que sua capacidade de criar ambientes acolhedores e tecnologicamente avançados é, hoje, uma referência incontestável para o debate internacional sobre a moradia e o bem-estar contemporâneos.

