Exposição de Robert Rauschenberg
De 21 de maio até 17 de setembro. A exposição Robert Rauschenberg: Among Friends reúne mais de 250 trabalhos, incluindo pintura, escultura, desenho, estampas, fotografia, trabalhos com som e cenas filmadas de performance.

Uma retrospectiva abrangendo a carreira de seis décadas dessa figura definidora da arte contemporânea estará em exibição no The Museum of Modern Art (MoMA) de 21 de maio até 17 de setembro de 2017. Organizada em colaboração com o Tate Modern em Londres, a exposição Robert Rauschenberg: Among Friends reúne mais de 250 trabalhos, integrando a gama surpreendente da produção de Rauschenberg por meio de mídias, incluindo pintura, escultura, desenho, estampas, fotografia, trabalhos com som e cenas filmadas de performance.
Em 1959, Robert Rauschenberg (1925-2008) escreveu que “a pintura se relaciona tanto com a arte quanto com a vida. Nenhuma das duas pode ser feita. Eu tento agir na lacuna entre as duas”. Seu trabalho nessa lacuna definiu a prática artística para os anos seguintes. O início dos anos 1950, quando Rauschenberg lançou sua carreira, era o apogeu da pintura gestual heroica do Expressionismo Abstrato. Rauschenberg desafiou essa tradição artística com uma abordagem igualitária a materiais, trazendo as coisas do mundo diário para a sua arte.
Trabalhando sozinho e em colaboração com artistas, dançarinos, músicos e escritores, inventou novas formas interdisciplinares de prática artística que estabeleceram o curso para a arte dos dias de hoje. Ele criou trabalhos que mesclam materiais tradicionais de arte com objetos comuns, imagens encontradas e tecnologia de ponta de uma era digital emergente; desenvolveu novos modos de performance e trabalho performático; e organizou projetos colaborativos que cruzaram as fronteiras entre mídias e nações.
“O caráter que permeia o trabalho de Rauschenberg — uma transparência, comprometimento com diálogo e colaboração, e curiosidade global — fazem dele, agora mais que nunca, uma pedra de toque para nossos tempos conturbados,” diz a curadora da exposi- ção Leah Dickerman.
Entre os muitos destaques, a exposição apresentará, também, as largamente celebradas Combines do artista (1954-1964) e pinturas em silkscreen (1962-1964) em novas formas, incluindo dois trabalhos raros emprestados: Charlene (1954, Stedelijk Museum, Amsterdam), um dos maiores da série do artista de Red Paintings, que incorpora espelhos, parte das roupas de baixo de um homem, um guarda- -chuva, tiras cômicas, e uma luz que pisca; e Monogram (1955-1959, Moderna Museet, Estocolmo), a famosa Combine (termo que Rauschenberg inventou para descrever uma série de obras que combinam aspectos da pintura e da escultura) montada a partir de uma cabra angorá empalhada e pneu sobre uma plataforma de madeira pintada e com colagem.
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Ao mesmo tempo, a exposição vai trazer luz sobre períodos menos conhecidos de sua carreira, incluindo seu trabalho dos primeiros anos 1950 e os últimos anos 1960, os quais são cada vez mais convincentes e proféticos para olhos contemporâneos. Entre os marcos iniciais de Rauschenberg estão seu Erased de Kooning Drawing (1953) e Automobile Tire Print (1953), ambos na coleção do San Francisco Museum of Modern Art. O último trabalho foi feito quando o artista instruiu o compositor John Cage a dirigir seu Ford Modelo A sobre uma piscina de tinta e, então, por 20 folhas de papel.
Galerias posteriores apresentarão dois de seus mais ambiciosos experimentos tecnológicos, ambos feitos em colaboração com engenheiros: Oracle (com Billy Klüver, Harold Hodges, Per Biorn, Toby Fitch, Robert K. Moore, 1962-1965, Centre Pompidou, Paris), uma escultura de cinco partes que combina tesouros de metal recuperados de ferro-velho com os circuitos de transistor sem fio mais avançados, e Mud Muse (com Frank La Haue, Lewis Ellmore, George Carr, Jim Wilkinson, Carl Adams e Petrie Mason Robie, 1968-1971, Moderna Museet, Estocolmo), uma cuba com 4.000 kg de lama de furadeira, que borbulha como um poço de piche em ritmo sincopado com som ativado por compressores de ar.
Para focar a atenção na importância do diálogo criativo e colaboração com o trabalho de Rauschenberg, a apresentação do MoMA está estruturada como uma “monografia aberta”: assim como outros artistas, dançarinos, músicos e escritores fizeram parte da vida criativa de Rauschenberg, seus trabalhos entrarão na exposição, mapeando a troca de ideias. Essas figuras, entre as mais influentes da cultura de pós-guerra americana, incluem John Cage, Merce Cunningham, Sari Dienes, Jasper Johns, Billy Klüver, Yvonne Rainer, Paul Taylor, Jean Tinguely, David Tudor, Cy Twombly, Susan Weil, e muitos outros.
As galerias de exposição agruparão trabalhos por meio de mídias de momentos particulares e lugares nos quais Rauschenberg e juntamente com os colaboradores e interlocutores se encontraram, fazendo arte e, frequentemente, a apresentando em associação, começando com o Black Mountain College, perto de Asheville, Carolina do Norte, então mudando para os estúdios de Rauschenbert na Fulton Street e Peal Street na cidade de Nova York, e finalmente para Captiva Island, Flórida, onde o artista concluiu a prolífica carreira.
A curadora do MoMA Leah Dickerman convidou o artista e cineasta Charles Atlas para colaborar na apresentação da exposição em Nova York. Com 14 trabalhos na coleção do museu, Atlas trabalhou com a Merce Cunningham Dance Company desde os primeiros anos 1970 até 1983 como diretor de palco, designer de iluminação, e cineasta interno, e manteve uma relação próxima de trabalho com Cunningham até sua morte, em 2009. Atlas reconta que Rauschenberg, que colaborou com Cunningham em mais de 20 performances de 1954 a 1964, foi a razão para a primeira associação do jovem artista com a companhia: “Fui ver o trabalho de Rauschenberg — essa foi a minha introdução a Merce… Rauschenberg tem sido minha principal inspiração por toda a minha vida artística”. O trabalho de Atlas com as equipes de curadoria e design da exposição vão mostrar o engajamento profundo de Rauschenberg com a dança e a performance, sublinhando as maneiras como essas disciplinas fundamentalmente formaram a própria abordagem de fazer arte.
Exposição por Raphael Andrade | Matéria publicada na edição 96 da Revista Versatille



