Especial alta joalheria: Da Jazida ao Ultra luxo

Conheça os destaques da alta joalheria, da coleção Emerald Lake e das esmeraldas da Mina Belmont às criações de Louis Vuitton e Cartier.

Explosão Criativa: Anel Magma Vivum

 

Inspirado na energia vulcânica do Monte Etna, na Sicília, o anel Magma Vivum que ilustra esta página, foi criado especificamente para representar o Brasil no Inhorgenta Award 2027, considerado o Oscar da joalheria mundial.

 

A peça, concebida por Márcio Granatowicz, fundador da Casa Granatowicz e designer da Art’G, transforma forças geológicas em uma escultura contemporânea, unindo engenharia artesanal, inovação em acabamento e um dos elementos mais raros da natureza: um cristal bruto de esmeralda de 17 quilates da Mina Belmont.

 

O anel, 100% brasileiro em design e matéria-prima, foi escolhido para abrir o Alta Joalheria desta edição de Versatille, com 12 páginas dedicadas à criatividade, ao domínio técnico e à excelência na criação de joias. Além da Casa Granatowicz, revelamos a alta joalheria da Louis Vuitton, sob a direção criativa de Francesca Amfitheatrof, e a “arte do equilíbrio” de Jacqueline Karachi para Cartier.

 

Alta joalheria anel Magma Vivum

Foto: divulgação

 

Coleção Esmerald Lake: Da Jazida ao Ultra luxo

 

A coleção Emerald Lake une as esmeraldas rastreadas da Mina Belmont, em Itabira, ao design primoroso da Casa Granatowicz – Art’G, conectando gemas brasileiras aos mais elevados padrões da alta joalheria internacional.

 

A história que você lerá a seguir combina duas trajetórias singulares. Uma começa nas profundezas da Mina Belmont, em Itabira (MG), onde esmeraldas são extraídas a mais de 150 metros de profundidade. A outra nasceu às margens do Emerald Lake, nas Montanhas Rochosas canadenses, cuja superfície esverdeada inspirou a mais recente coleção do designer de joias Márcio Granatowicz.

 

Do encontro entre duas famílias dedicadas a transformar gemas em arte nasceu uma parceria que vai além da criação de joias. A coleção que inaugura a Casa Granatowicz – nova assinatura de alta joalheria da Art’G – estabelece uma conexão direta entre a origem da pedra e sua transformação em peça única. Em um setor que valoriza cada vez mais a procedência dos materiais, a rastreabilidade tornou-se uma das maiores virtudes que a indústria do luxo pode oferecer.

 

A coleção utiliza exclusivamente esmeraldas da Mina Belmont, considerada uma das maiores e mais modernas operações de extração de esmeraldas do mundo. Cada gema pode ser acompanhada desde a jazida até a joia pronta, um processo raro na alta joalheria internacional e que aproxima o Brasil dos padrões de transparência, responsabilidade ambiental e controle de origem hoje exigidos pelos principais mercados consumidores.

 

Para Márcio Granatowicz, esse lançamento representa uma evolução natural de uma trajetória iniciada em 1984, quando fundou a Art’G. Ao longo de mais de quatro décadas, o designer construiu uma identidade própria baseada na simplicidade das formas, na ergonomia e em soluções artesanais que se tornaram assinatura da marca. Uma delas é o Ouro 18k Veludo, acabamento cuja textura acetinada absorve parte da luz e valoriza ainda mais a intensidade das gemas.

 

Esse trabalho ganhou projeção internacional neste ano, quando Granatowicz foi finalista do Inhorgenta Awards, uma das principais premiações mundiais da oalheria, com o Anel Buquê. Criada originalmente em homenagem à mãe do designer e reinterpretada recentemente, a peça chamou a atenção do júri pelo equilíbrio entre escultura, conforto e acabamento, reforçando o reconhecimento internacional da joalheria autoral brasileira.

 

A criação da Casa Granatowicz amplia esse posicionamento. Em vez de aumentar a produção, a proposta foi restringi-la. Cada coleção será distribuída para apenas dez joalherias brasileiras cuidadosamente selecionadas, preservando a exclusividade das peças e aproximando o conceito de alta joalheria da ideia de colecionismo.

 

Por dentro da maior mina de esmeraldas

 

É somente ao entrar na Mina Belmont que a dimensão dessa parceria se revela por completo. Depois de vestir equipamentos de segurança, a descida leva o visitante por galerias abertas na rocha até uma profundidade superior a 150 metros. Caminhões, perfuratrizes e escavadeiras trabalham continuamente em um ambiente onde geologia e engenharia convivem em perfeita sintonia. A imagem romântica do garimpo manual desaparece rapidamente. O que existe ali é uma operação industrial de alta precisão. Ainda assim, um ponto esverdeado e brilhante em uma parede de pedra chama a atenção. Dali saíram 15 quilos de esmeraldas, retiradas a marteladas. Parece muito. E é mesmo, mas nada que se compare ao volume de produção da maior mina de esmeraldas do mundo.

 

Todos os dias, cerca de mil toneladas de minério são retiradas e colocadas em caminhões que as transportam até a planta de beneficiamento. O material passa por sucessivas etapas de britagem, lavagem, separação e classificação até revelar as gemas escondidas na rocha. Esteiras equipadas com sistemas de identificação ótica e a laser separam as pedras com sinais de esmeraldas, formadas há cerca de 500 milhões de anos.

 

coleção esmerald lake alta joalheria

 

“A esmeralda é formada quando fluidos hidrotermais misturam o berílio ao cromo. Sob alta pressão e temperatura, esses elementos se cristalizam, dando origem à estrutura do berilo com a coloração verde característica da esmeralda”, explicou o geólogo Rildo Rafael durante a expedição pela mina. No Brasil, além do arco formado pelos municípios mineiros de Itabira e a vizinha Nova Era, são encontradas esmeraldas em Goiás e na Bahia. No mundo, os maiores produtores são a Colômbia e a Zãmbia.

 

Na Mina Belmont, ao final de um ano inteiro de trabalho, saem 600 quilos de esmeraldas. Apenas 0,3% desse total é usado na altíssima joalheria. São gemas destinadas a maisons internacionais como Louis Vuitton, Cartier, Chopard e Tiffany & Co., alcançando valores que podem superar US$ 1 milhão.

 

Mas nem só os números ajudam a entender por que as pedras de melhor qualidade são tão raras – e caras. “Você pode ter o dinheiro que for, e ainda assim vai gastar muita sola de sapato para encontrar uma esmeralda parecida com esta. Igual você não vai achar”, afirmou Marcelo Ribeiro, atual CEO e diretor-presidente do Grupo Belmont, apontando para o telão que mostrava um colar da Louis Vuitton com a gema em forma de gota da Belmont que conquistou o primeiro lugar no Grand Prix de alta joalheria de Mônaco. E não se trata apenas de ter o mesmo tom, as mesmas inclusões, o mesmo formato. Além da preciosidade, há a questão da rastreabilidade.

 

A Belmont trabalha exclusivamente com material extraído em sua própria mina, sem adquirir pedras de terceiros ou de garimpos independentes. Cada lote pode ser acompanhado desde a extração até os leilões internacionais, garantindo um controle de origem incomum mesmo entre grandes produtores mundiais.

 

Essa organização é resultado de uma história iniciada muito antes da descoberta das esmeraldas. A fazenda pertence à família Ribeiro há cinco ou seis gerações. Seus antepassados descendem de judeus sefarditas que deixaram Portugal durante a Inquisição. Parte da família estabeleceu-se na região de Belmonte, enquanto outro ramo atravessou o Atlântico e se fixou em Minas Gerais. A propriedade recebeu o nome da cidade portuguesa e, com o passar dos anos, acabou transformando Belmonte em Belmont.

 

O responsável pela descoberta da jazida foi Mauro Ribeiro, avô do atual presidente da empresa, Marcelo Ribeiro. Depois de construir uma carreira no setor de mineração de ferro e fornecer minério para a Vale, Mauro decidiu abandonar a rotina empresarial e retornar à fazenda para criar gado.

 

Durante a construção de um açude, o corte feito na terra interceptou um depósito aluvionar de onde as esmeraldas brotavam do solo. A descoberta provocou uma corrida pela posse dos direitos minerários. Enquanto Mauro buscava registrar a área em Brasília, centenas de garimpeiros chegaram à região, seguidos por disputas políticas e tentativas de invasão. Em vez de permitir que a área se transformasse em um garimpo improvisado, ele decidiu estruturar uma operação empresarial. Contratou engenheiros, implantou processos industriais e consolidou um modelo de mineração organizado, que se tornaria referência no setor.

 

Hoje, a Belmont figura entre os principais produtores globais da gema. A empresa realiza dois grandes leilões internacionais por ano em Bangkok, reunindo compradores de diversos países. A maior parte das pedras segue para Jaipur, na Índia, principal centro mundial de lapidação de esmeraldas. Só 5% do que a Belmont produz fica no mercado interno. E é justamente dessa parcela extremamente rara que saem as pedras escolhidas para a coleção Emerald Lake, da Casa Granatowicz.

 

Ao unir uma mina capaz de controlar toda a cadeia produtiva a um designer que construiu sua carreira valorizando o trabalho artesanal, a parceria entre Belmont e Casa Granatowicz oferece algo que vai além da beleza da gema. Em um mercado em que exclusividade deixou de ser suficiente, a procedência passa a fazer parte do próprio valor da joia.

 

Mito traduzido em alta joalheria

 

Louis Vuitton une pedras raras, inovação e storytelling em uma jornada simbólica de transformação formada por 110 peças da coleção Mythica, na qual a maison coloca a mulher como protagonista de sua própria história

 

Comparada ao legado centenário da Maison Louis Vuitton no universo do luxo, sua história na alta joalheria é relativamente recente. Justamente por isso, carrega uma potência simbólica singular. Conhecida mundialmente por sua expertise em marroquinaria e equipamentos para viagens, a marca fundada em 1854 construiu, ao longo das décadas, um imaginário associado à excelência artesanal, inovação e design autoral. Foi apenas em 2009 que a Louis Vuitton entrou oficialmente no território da alta joalheria, trazendo consigo não apenas uma nova categoria de produto, mas uma nova linguagem: uma joalheria que traduz movimento, narrativa e identidade.

 

Desde então, a Maison vem consolidando seu espaço com coleções que fogem do óbvio e desafiam os códigos tradicionais da Place Vendôme. Sob a direção criativa de Francesca Amfitheatrof, a alta joalheria da Louis Vuitton passou a incorporar elementos arquitetônicos, referências culturais amplas e, principalmente, um forte senso de storytelling – cada coleção é concebida como uma jornada, um universo próprio. Não se trata apenas de exibir pedras raras, mas de construir significado por meio delas.

 

É nesse contexto que surge Mythica, a nova coleção de alta joalheria da Louis Vuitton, apresentada como um verdadeiro manifesto contemporâneo sobre identidade, transformação e poder feminino. Trata-se de uma coleção que funciona como narrativa. E no centro dela está a mulher Louis Vuitton – não como musa passiva, mas como protagonista absoluta, heroína de sua própria história.

 

Dividida em 11 capítulos e composta por 110 peças únicas, Mythica propõe uma jornada simbólica que atravessa desafios, descobertas e culmina em um triunfo pessoal. Cada tema representa uma etapa desse percurso – uma metáfora visual e emocional construída por meio de gemas excepcionais, lapidações exclusivas e um trabalho artesanal de altíssimo nível.

 

A história começa com Conquest, onde a flecha (símbolo de direção e propósito) inaugura o caminho da heroína. Aqui, a joalheria assume um papel quase narrativo: rubis intensos, diamantes lapidados no icônico corte LV Monogram Star e o contraste gráfico do ônix criam peças que expressam movimento e decisão. Não é apenas estética – é intenção materializada.

 

Em seguida, Totem introduz a ideia de proteção e identidade. As peças funcionam como emblemas pessoais, combinando ouro amarelo e branco em estruturas volumosas que evocam força e pertencimento. É a joia como extensão da personalidade – um conceito cada vez mais relevante em um mercado que valoriza individualidade.

 

Com Fortitude, a narrativa ganha densidade emocional. A escolha da zirconita azul – uma pedra raríssima na alta joalheria – não é casual. Ela simboliza resistência, profundidade e transformação. Aqui, o design reforça a ideia de crescimento interno, com peças que equilibram imponência e delicadeza, em um diálogo sofisticado entre técnica e emoção.

 

 

O mistério entra em cena com Enigma, onde formas fluidas e combinações inusitadas de pedras – como águas-marinhas e topázios olho-de-gato – criam uma atmosfera quase hipnótica. É o momento da dúvida, da introspecção, da construção do próprio mito.

 

Essa dimensão sensorial se intensifica em Spell, um dos capítulos mais inovadores da coleção. Diamantes fluorescentes que revelam padrões sob luz UV trazem uma nova camada de experiência à joalheria – invisível à primeira vista, mas poderosa em sua revelação. Aqui, a tecnologia encontra o simbolismo, traduzindo a ideia de intuição e luz interior.

 

No auge do encantamento surge Mesmerism, com uma das peças mais emblemáticas da coleção: uma esmeralda colombiana de 17,18 quilates, envolta em uma construção rendada de diamantes. É a materialização do fascínio – uma joia que não apenas brilha, mas captura o olhar e suspende o tempo.

 

Whisper suaviza a narrativa com leveza e fluidez. Safiras, diamantes e estruturas quase etéreas evocam um estado de contemplação, como um respiro antes da reta final. É a fase da conexão interna, da escuta, da intuição.

 

Guiada pela estrela Sirius, a heroína entra em um plano mais elevado, onde o céu noturno se traduz em composições de turmalinas, tanzanitas e águas-marinhas. Aqui, a joalheria se aproxima do cosmos, ampliando a narrativa para além do indivíduo.

 

Em Fortune, surge a recompensa – não apenas material, mas simbólica. Diamantes em degradê, pérolas douradas e construções exuberantes representam abundância, conquista e reconhecimento. É o momento em que a jornada começa a fazer sentido.

 

Triumph marca o renascimento. Inspirado na fênix, o tema traz peças esculpidas em ouro com texturas contrastantes, simbolizando superação e reconstrução. A joalheria aqui é quase escultórica, reforçando o caráter artístico da coleção. E então, Victory. O ápice. Uma celebração final traduzida em diamantes coloridos que percorrem todo o espectro cromático, formando peças que evocam coroas de louros – símbolo máximo de conquista. É o fechamento de um ciclo, mas também o início de outro.

 

Mythica não é apenas uma coleção de alta joalheria. É um reflexo de um momento cultural em que luxo, identidade e narrativa se entrelaçam de forma cada vez mais profunda. A Louis Vuitton, ao investir nesse tipo de construção simbólica, reforça seu posicionamento não apenas como marca, mas como criadora de universos. Por fim, o que Mythica propõe é simples – e ao mesmo tempo poderoso: cada mulher é autora da própria história. E, assim como nas joias, essa história é construída camada por camada, escolha por escolha, brilho por brilho.

 

Coleção Cartier: Cor, forma e movimento

 

Nova coleção de alta joalheria da Cartier combina geometrias precisas, pedras raras e composições fluidas para reafirmar a tradição da maison francesa de unir sofisticação, técnica artesanal e equilíbrio absoluto.

 

Ao longo de mais de um século, a alta joalheria da Cartier construiu um vocabulário próprio dentro do universo do luxo. Fundada em Paris, em 1847, pela família Cartier, a maison atravessou décadas transformando pedras preciosas em narrativas visuais marcadas pela precisão estética, pela ousadia cromática e pelo equi líbrio absoluto entre técnica e criatividade. Não à toa, tornou-se conhecida como “a joalheira dos reis e a rainha dos joalheiros”, título eternizado pelo rei Eduardo VII da Inglaterra no início do século 20.

 

A Cartier consolidou uma assinatura reconhecível justamente pela contenção. Em vez do excesso, a maison francesa sempre privilegiou a pureza da linha, a construção arquitetônica das formas e a harmonia entre volumes, espaços vazios e pedras excep cionais. É essa filosofia que atravessa sua nova coleção de alta joalheria, apresentada como uma ode à precisão e ao equilíbri – conceitos que seguem no centro da identidade criativa da marca.

 

A nova coleção reforça uma característica histórica da Cartier: transformar joias em composições quase abstratas, nas quais cor, movimento e geometria coexistem em per feita tensão. Entre a simplicidade minimalista e a extravagância controlada, as peças exploram contrastes sofisticados e traduzem aquilo que Jacqueline Karachi, diretora de criação de alta joalheria da maison, define como “a arte do equilíbrio”. Para a exe cutiva, “Criar uma linha distinta por meio da discrição é o paradoxo da simplicidade sofisticada. É a arte de olhar as coisas de forma diferente, mas também de equilibrá-las com precisão”.

 

Entre os destaques da coleção está o colar Eufonia, que traduz de forma precisa a obsessão da Cartier pela harmonia visual. A peça combina um raro conjunto de rubis e diamantes lapidados em corte esmeralda, unidos em uma construção geométrica fluida e altamente arquitetônica. Diamantes quadrados, baguetes e brilhantes intensificam o ritmo da composição, enquanto um fecho deslizante permite ajustar a estrutura do colar ao movimento do corpo. O resultado é uma joia dinâmica, quase pulsante, onde o trabalho vazado e a alternância entre pedras criam uma sensação contínua de movimento.

 

Já Splendea leva ao extremo a expertise técnica da maison. O colar reúne 34 diamantes perfeitamente combinados em uma estrutura que remete a uma fita de luz líquida.

 

A cravação praticamente invisível reforça a impressão de fluidez absoluta, como se as pedras simplesmente flutuassem sobre a pele. A construção de cada curva cria um efeito de onda contínua, evidenciando a delicadeza do savoir-faire artesanal da Cartier.

 

Na peça Parcae, a simplicidade se transforma em linguagem máxima de sofisticação. O colar concentra o olhar em três safiras de Madagascar lapidadas em formato de pera, totalizando 16,59 quilates. As pedras azuis parecem suspensas sobre delicados fios de diamantes com cortes variados, entre pipa, brilhante e diamante tradicional, criando ritmo e profundidade visual. Aqui, a ideia do “nada em excesso” surge como essência absoluta da joalheria Cartier: cada linha existe apenas porque é necessária.

 

O diálogo entre cores intensas e materiais inesperados aparece em Ondora, talvez uma das criações mais orgânicas da coleção. O colar mistura crisoprásio, espinélios, turquesa e diamantes em uma composição inspirada nos movimentos fluidos das águas-vivas. O contraste entre elementos geométricos e formas orgânicas reforça um dos códigos históricos da Cartier, que desde o início do século 20 explora combinações cromáticas ousadas e pouco convencionais. A peça também resgata outra tradição da maison: as joias transformáveis. Com dois pingentes – um frontal e outro ajustável na parte posterior – o colar une versatilidade e virtuosismo técnico.

 

Por trás de cada criação está um trabalho artesanal minucioso que segue sendo um dos pilares da alta joalheria francesa. Segundo Alexa Abitbol, diretora das oficinas de alta joalheria da Cartier, o grande desafio da maison continua sendo transformar uma intenção estética em perfeição técnica.

 

“O verdadeiro desafio na alta joalheria está na transcrição técnica da intenção estética original. Tudo depende da precisão e da maestria dos artesãos, que dão vida a peças excepcionais carregadas de emoção”, resume.

 

Mais do que acompanhar tendências, a nova coleção reafirma a posição da Cartier como uma das grandes guardiãs da alta joalheria contemporânea. Em um mercado cada vez mais acelerado, a maison francesa aposta justamente no oposto: tempo, precisão e equilíbrio. Uma visão onde luxo não significa excesso, mas a capacidade rara de transformar simplicidade em algo extraordinário.

 

COLEÇÃO CARTIER Alta joalheria
A coleção Cartier: Um dos mais importantes acervos de alta joalheria do mundo, a coleção teve seu início em 1973, durante um leilão em Genebra, quando a maison adquiriu pela primeira vez uma peça criada por ela mesma décadas antes: um relógio misterioso Portique. A partir desse momento, nasceu um acervo dedicado a preservar a evolução criativa e técnica da marca. Hoje, a coleção reúne mais de 3 mil peças, entre joias, relógios e objetos preciosos produzidos entre 1860 e o final do século 20. O acervo revela a maneira como a Cartier construiu uma assinatura reconhecível, especialmente na seleção das pedras preciosas. Cada diamante, por exemplo, passa por critérios rigorosos de avaliação. Em vez de adaptar a pedra a uma estrutura prédefinida, a maison desenvolve a joia ao redor da gema. As pedras coloridas também ocupam papel central no universo criativo. Safiras, rubis e esmeraldas são escolhidos para criar combinações cromáticas sofisticadas, muitas vezes inspiradas pela natureza e por referências culturais de diferentes partes do mundo. Outro conceito essencial da Cartier é o chamado “design em movimento”. Colares, pulseiras e anéis são desenvolvidos para acompanhar o corpo com leveza e fluidez, criando uma sensação quase orgânica sobre a pele. Entre os símbolos mais emblemáticos da maison está a pantera, introduzida em 1914 e transformada em ícone absoluto da Cartier. Ao longo das décadas, artesãos aperfeiçoaram técnicas capazes de reproduzir em joias a musculatura, a textura e a força do animal em três dimensões.