Entre coaches, pulgas e as pequenas mudanças de comportamento

Nelson Spritzer fala como 'grandes mudanças' podem ser apenas uma simples questão de reposicionamento

Duas pulgas estavam conversando e uma disse para a outra: — Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí, nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas no mundo. Moscas voam. E elas tomaram a decisão de aprender a voar.

 

Contrataram uma mosca como coach, entraram num programa intensivo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra: — Sabe, voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro. Portanto, o nosso tempo de reação é menor do que a velocidade da coçada dele. Temos que aprender a fazer como as abelhas, que sugam e levantam voo rapidamente.

 

Então elas contrataram o serviço de uma abelha coach que lhes ensinou a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu. — Nossa bolsa para armazenar sangue é muito pequena, por isso temos que ficar sugando por muito tempo. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando adequadamente. Temos que aprender com os pernilongos como é que eles fazem.

 

Um pernilongo coach lhes ensinou sobre como incrementar o tamanho do abdômen. Ficaram felizes, mas durou pouco. Como tinham ficado muito maiores, sua aproximação era facilmente percebida pelo cachorro. E elas começaram a ser espantadas antes mesmo de conseguirem pousar.

 

Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha dos velhos tempos: — Ué, o que aconteceu com vocês? Estão enormes! Fizeram plástica? — Pois é. Nós agora somos pulgas adaptadas aos grandes desafios do século XXI e da indústria 4.0. Voamos, em vez de saltar, picamos rapidamente e podemos armazenar muito mais alimento.

 

— E por que é que vocês estão com essas caras de subnutridas? — Isso é temporário. Já estamos fazendo coaching com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar. E você? — Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sacudida.

 

Era verdade. A pulguinha estava viçosa e bem alimentada. Mas as duas pulgonas não quiseram dar a pata a torcer: — Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em fazer um coaching? — E quem disse que eu não tenho um? Contratei uma lesma coach. — Hã? O que lesmas têm a ver com pulgas? — Tudo.

 

Eu tinha o mesmo problema que vocês. Pedi que a lesma avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. Depois de um bom tempo e muita observação, ela me disse:— Você não precisa fazer nada radical para ser mais eficiente.

 

Muitas vezes, uma “grande mudança” é apenas uma simples questão de reposicionamento. Sente-se no cocuruto do cachorro. É único lugar que ele não consegue alcançar com a pata”. Nem sempre mudanças radicais são necessárias ou apropriadas. Às vezes pequenas mudanças de comportamento já dão resultados incríveis.

 

 

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