Dress code da Copa: por que os maiores craques do mundo decidiram jogar de rosa?

De um tabu à quebra total de barreiras de gênero, o rosa − ou pink − agora dita o visual nos estádios

chuteiras rosa na copa
Vini Jr., Mbappé, Haaland... O pink tomou conta dos gramados (Reprodução Instagram)

Por Karina Hollo

 

Quem acompanhou os jogos da Copa do Mundo nas últimas semanas não pode passar batido: o futebol, historicamente associado a cores sóbrias e tradicionais, mergulhou de cabeça em um tom bem chamativo − o rosa.

 

Teve gente que chegou a pensar que fosse coisa da Inteligência Artificial: as marcas teriam perguntado pro chat qual cor daria mais contraste na grama verdinha… Mas a real não foi exatamente essa. Das chuteiras fúcsia aos uniformes fluorescentes de goleiros, a cor virou uma espécie de código sintonizado com as passarelas globais da moda (veja a última temporada de Maison Margiela, Dries Van Noten, Fendi, Chloé).

 

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Os números por trás dessa tendência são impressionantes e deixam claro que não se trata de mero capricho estético dos atletas. Antes do início das grandes competições internacionais, os fabricantes esportivos colocaram calçados vibrantes no mercado. O resultado foi imediato: a grande maioria dos atletas titulares adotou a novidade. Nas principais plataformas de venda de artigos esportivos, as versões mais procuradas são justamente estas.

 

Esse fenômeno encontra um paralelo perfeito no design. Análises de tendências de comportamento e consumo já previam que o chamado pink elétrico dominaria o cenário cultural. Dito e feito: nas coleções das principais grifes de alta-costura, a cor emergiu com força total, seja em vestidos fluidos combinados com calçados casuais, em bermudas brilhantes ou peças de tricô com acessórios combinando.

 

Essa invasão vai muito além da preferência visual imediata. Embora o tom seja associado ao universo fashion, sua presença no esporte carrega um peso estatístico curioso. Quando uma tonalidade sinaliza sucesso e prestígio, toda a indústria presta atenção. Grandes marcas mundiais realizam pesquisas antes de lançar seus produtos, avaliando as reações mentais às cores, cruzando dados e medindo a autoconfiança de quem está sob os refletores. Se a ciência indica que o pink impulsiona a presença de espírito e a atenção coletiva, o mercado o abraça sem qualquer hesitação.

 

O desempenho divide espaço com o desejo de diferenciação. O tom tornou-se sinônimo de individualidade. Assim como a moda rejeita o minimalismo ao colocar peças chamativas nas passarelas, os jogadores usam os pés para expressar personalidade e estilo.