‘Dias Felizes’, de Samuel Beckett, ganha nova montagem em São Paulo

Texto foi adaptado pela Armazém Companhia de Teatro e fica em cartaz até 16 de julho no Sesc Pompeia

Cena de "Dias Felizes" em montagem da Armazém Companhia de Teatro (Divulgação/Mauro Kury)
Cena de "Dias Felizes" em montagem da Armazém Companhia de Teatro (Divulgação | Mauro Kury)

Por André Sollitto

 

Escrita por Samuel Beckett (1906-1989) em 1961, a peça “Dias Felizes” tornou-se um dos principais textos do autor irlandês. Foi escolhida pelo jornal inglês The Independent como uma das 40 maiores peças já escritas. E ganha agora uma nova montagem no Brasil pela Armazém Companhia de Teatro no teatro do Sesc Pompeia. A temporada fica em cartaz até o dia 16 de julho, com sessões de quinta a domingo.

 

A peça acompanha Willie, enterrada até a cintura e, depois, até o pescoço, que encontra em pequenos rituais a última linha de defesa contra o colapso. Entre o sino estridente que pontua seu dia como um despertador sem trégua e o sol impiedoso que derrete qualquer noção de tempo, ela se apega ao conteúdo de sua bolsa espaçosa: uma escova de dentes, um batom, um espelho – e, mais ameaçadoramente, um revólver.

 

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A montagem é dirigida por Paulo de Moraes, vencedor do Prêmio APTR de Melhor Direção por “Brás Cubas” em 2024. Winnie é interpretada pela atriz Patrícia Selonk, vencedora dos prêmios Shell, Mambembe e APTR. E Willie é interpretado em dias alternados por Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes.

 

“A luta de Willie não é apenas pessoal, mas também coletiva. Se, no passado, a paisagem desolada da peça remetia à catástrofe nuclear, hoje ela ressoa com a paisagem ressecada do aquecimento global. A crise existencial do eu se funde à crise da espécie – e talvez do planeta”, afirma o diretor, Paulo de Moraes, em material divulgado à imprensa.

 

Cena de “Dias Felizes” (Divulgação | Mauro Kury)

 

O trabalho de Beckett provoca estranheza e vem desafiando respostas e análises há mais de 60 anos. Mesmo assim, é possível entender o texto criado pelo autor irlandês como uma reflexão sobre a passagem do tempo e a impossibilidade de evitar seus efeitos devastadores.

 

No texto, traduzido por Jopa Moraes, as referências originais de Beckett a autores são trocadas por menções a escritores de língua portuguesa. Trata-se de um recurso usado pelo próprio Beckett, que escreveu a peça em inglês, com referências a autores de língua inglesa, e depois substituiu as referências quando adaptou o texto para o francês

 

SERVIÇO

 

  • “Dias Felizes” está em cartaz no Sesc Pompeia, na Rua Clélia, 93, em São Paulo, até o dia 19 de julho.
  • As sessões acontecem às quintas, às 20h, sextas às 16h e 20h, sábados às 20h e domingos às 18h.
  • Os ingressos custam R$ 70.