Coven promove diálogo entre moda, arte e arquitetura
Coleção de inverno 2026 da Coven traduz formas e volumes em superfícies ricas e sensoriais

Da Redação
A coleção Inverno 26 da Coven, inspirada no trabalho da arquiteta Juliana Vasconcellos, traz técnicas artesanais e superfícies autorais em apresentação na Casa Triângulo.
Há encontros que não nascem do acaso, mas de afinidades silenciosas que atravessam o tempo. É nesse território sensível — onde estética, memória e criação se entrelaçam — que a Coven constrói sua coleção de Inverno 26. Inspirada na obra e no universo de Juliana Vasconcellos, a coleção traduz em linguagem têxtil um olhar que transita entre arquitetura, design e arte.
A escolha da arquiteta como ponto de partida não é recente, mas fruto de uma admiração cultivada ao longo dos anos. “A Juliana sempre foi minha amiga, e há muitos anos nutrimos um carinho e uma admiração por ela e pelo seu trabalho. A ideia de realizar uma colaboração com a Ju é antiga”, revela Liliane Rebehy, diretora criativa da marca.
LEIA MAIS:
Embora não haja peças assinadas diretamente pela designer, o processo criativo foi permeado por encontros e trocas. Foi muito natural, porque partimos de elementos que já fazem parte do meu trabalho. “Mesmo sem uma assinatura direta, existe uma continuidade clara nas tramas, nas proporções e na forma como os volumes são construídos. O que achei mais interessante foi ver isso sair do espaço e ir para o corpo”, comenta Juliana. Mais do que inspiração formal, a coleção mergulha também na dimensão pessoal da arquiteta. “Buscamos referências na sua vida, no seu estilo e até na forma como ela se veste. Sempre a enxergamos como uma persona da marca.”
Reconhecida por seu trabalho com tricô e pela valorização do feito à mão, a Coven explora novas possibilidades técnicas nesta temporada. “Buscamos constantemente reinventar o trabalho de superfície, explorando novas abordagens para técnicas artesanais”, afirma. Esse diálogo com a obra de Juliana se revela em detalhes minuciosos: bordados em fio de seda, broches inspirados em seu mobiliário e composições em juta que evocam sua linguagem material.
Entre as referências pessoais e projetos que mais influenciaram a coleção estão as cadeiras e as tapeçarias. “Eu trabalho muito com trama como estrutura, não só como superfície. A tapeçaria Mirage e algumas cadeiras mais gráficas têm bastante relação com a coleção, nesse equilíbrio entre construção e trabalho manual”, fala a arquiteta. Peças emblemáticas do repertório da designer também ganham releitura têxtil. “Destacam-se os broches inspirados no mobiliário da Juliana, o patchwork inspirado na tapeçaria Passagem e os tricôs com confetes bordados, técnica inspirada na cadeira Confete, todos construídos manualmente”, conta Liliane.
O resultado é uma coleção que traduz formas e volumes em superfícies ricas e sensoriais. “No mobiliário, a trama muitas vezes sustenta. Aqui, ela acompanha o corpo. O tricô trouxe essa continuidade, quase como um sistema, e os bordados deixam muito visível o tempo do fazer. Tem precisão, mas também tem uma irregularidade que eu gosto”, acrescenta Juliana.
O lançamento aconteceu na Casa Triângulo, espaço que reforça o conceito da coleção ao promover o encontro entre diferentes linguagens criativas.


