Conheça a corajosa forma de viver do explorador profissional Mike Horn, embaixador da Panerai há mais de duas décadas
Em entrevista para a Versatille, o aventureiro falou sobre sua vocação e relação de mais de 20 anos com a famosa marca de relógios

Há quem goste tanto de se colocar em risco e se aventurar que faz disso uma profissão. O sul-africano-suíço Mike Horn descobriu, ainda muito cedo, que faria das longas explorações a sua fonte vital de sobrevivência – e felicidade: “Eu não acredito que você pode se tornar um explorador. Eu acredito que tem que nascer assim: sempre fui fascinado pela natureza e por suas histórias. Quando eu era criança, isso me fazia sonhar. E quando é algo que faz você sonhar, você procura meios para tais sonhos se tornarem possíveis”, inicia Horn, ao ser questionado sobre como acabou “virando” um explorador profissional.
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A sua profissão é, em poucas palavras, desafiar-se diariamente, partindo em missões inóspitas e batendo recordes. Recentemente, o explorador acompanhou um grupo de clientes da Panerai – que adquiriram o Submersible GMT Titanio Mike Horn Experience Edition PAM01670 – em uma expedição ao Butão. Já são mais de 20 anos com a marca. Confira, na sequência, a conversa.
Versatille: O que motivou você a persistir na carreira de explorador?
Mike Horn: Nem sempre é fácil, porque você corre riscos, e a possibilidade de até mesmo morrer jovem está ali de forma constante. E também tem a parte de ficar distante de sua família. Mas o amor por isso vira a fonte da sua vida. E, assim que você mergulha nisso, é muito difícil de abandonar, porque nada traz tantas emoções à sua vida como isso. Em 32 anos, nada me trouxe.
V: Como foi profissionalizar o que já era a sua vocação?
MH: Quando eu terminei os meus estudos, fiz trabalho militar na África do Sul, deixei o país e me mudei para a Suíça. Por um tempo, atuei como instrutor de esqui. Foi ali que recebi um convite para o meu primeiro trabalho, que era quebrar um recorde, para uma marca. Para um explorador, o suporte é muito importante, porque permite que seus sonhos se tornem realidade. Exploração não é um trabalho. É uma paixão, e você não ganha dinheiro, mas gasta. Há 22 anos, a Panerai me procurou e falou que gostava do que eu fazia. Um superexecutivo do Grupo Richemont veio até mim, tirou o próprio relógio e me deu: “Deste dia em diante, você usará apenas Panerai, para todas as suas ideias”. Esse foi um ponto de virada na minha vida.
V: Como a Panerai se conecta com a sua rotina?
MH: Eu passo mais tempo sozinho do que com a minha família, e, quando estou eu, na minha tenda, a única coisa que está passando é o tempo. Ticking. Vou contar alguns fatos: numa vida de 82 anos, temos quase 30 mil dias para viver. Essa é a média, se você for sortudo. Metade dos dias, você dorme. Ou seja, 15 mil dias para viver. O “pequeno” tempo que temos não pode ser desperdiçado. Eu adoro envelhecer, ver que estou mais fraco, porque isso significa que eu vivi de forma muito intensa quando eu era mais jovem. Se você aproveitar todos os segundos, aí sentirá que fez algo com a sua vida.
V: Você consegue materializar a sensação de aventura, em algumas palavras?
MH: Vou contar uma história. A minha mulher faleceu, ela teve um câncer, e essa perda me fez perceber como a vida passa. Eu corro muitos riscos todas as horas, eu quem não deveria sobreviver. Um dia estava indo para o Polo Sul, e ela me ligou para contar da descoberta da doença. Ela era a mulher mais incrível do mundo: me deu toda a liberdade e suporte para fazer o que eu queria. Cuidou das crianças, dos meus patrocínios, da minha comunicação. No momento da notícia, eu estava indo viajar e pensei que a minha vida estava difícil, mas a dela é que estava. Eu pensei em voltar, e ela logo me disse que não, que eu não podia fazer nada por ela – e, sim, suportá-la por meio da minha força. Eu disse a ela: “Eu amo a minha vida, mas eu gostaria de morrer com você, porque nunca mais serei feliz”. Então, ela me disse algo incrível: “Não morra por mim, mas viva por mim, viva por duas pessoas. Um dia você pode se juntar a mim”. E é isso que a aventura traz para a minha vida.
Por Giulianna Iodice | Matéria publicada na edição 139 da Versatille



