CASACOR SP 2026: 5 nomes para conhecer e se encantar

Arquitetos e designers transformam memórias pessoais, arte, natureza e afeto em alguns dos ambientes mais interessantes da mostra paulista deste ano

Living Ritmo Vital, da Maai Arquitetura (foto: MCA/divulgação)
Living Ritmo Vital, da Maai Arquitetura Integrada, formada por Mônica Pinto, Arnaldo Pinho e Isabel Veiga (Foto: MCA Estúdio | Divulgação)

Por Celso Masson

 

Sob o tema “Mente e Coração”, a CASACOR São Paulo 2026 abre suas portas no Parque da Água Branca propondo uma reflexão sobre a forma como habitamos os espaços e nos relacionamos com nossas emoções. A mostra reúne projetos que ultrapassam a função estética para abordar pertencimento, memória, bem-estar e conexão humana. Entre dezenas de ambientes, alguns se destacam pela força narrativa e pela capacidade de transformar histórias pessoais em arquitetura.

 

Parada obrigatória é o Living Ritmo Vital, da Maai Arquitetura Integrada, formada por Mônica Pinto, Arnaldo Pinho e Isabel Veiga. Em sua segunda participação na mostra, o trio apresenta um ambiente de 83 metros quadrados que propõe uma desaceleração consciente. A inspiração vem das ancestralidades indígenas e da compreensão da natureza como um organismo vivo e interligado.

 

O espaço combina living, bar e lavabo em um percurso sensorial construído a partir de materiais naturais, como madeira, palha e mármore, além de peças produzidas por artesãos brasileiros. Entre os destaques estão a Mesa de Chá Mariana, desenhada pelo escritório em madeira imbuia, uma mesa de centro em mármore Travertino Giallo e um bar escultórico inspirado na forma de uma pata de elefante. Mais do que objetos de decoração, essas peças funcionam como elementos narrativos que reforçam a relação entre natureza, memória e experiência.

 

Casa Coral Celeiro Alvorada - Nildo José - CASACOR São Paulo - Crédito MCA - Denilson Machado

Casa Coral Celeiro Alvorada, projeto assinado pelo arquiteto Nildo José e pela NJ+ Arquitetura para a Evviva São Paulo (Crédito MCA – Denilson Machado/divulgação)

Na Casa Coral Celeiro Alvorada, assinada por Nildo José, que ocupa 213 metros quadrados, parte de uma homenagem às origens rurais do arquiteto. O espaço resgata lembranças ligadas ao pai, à vida no campo e às referências afetivas da infância. Com pé-direito duplo e amplas aberturas voltadas para o verde do parque, o ambiente foi concebido como um refúgio de permanência e contemplação. O elemento central é uma monumental estante-biblioteca com cerca de 4 mil livros, responsável por organizar visualmente todo o projeto. Fotografias, objetos pessoais e poemas dividem espaço com os livros, criando uma narrativa que fala sobre herança cultural e memória.

 

Integradas à composição, cozinha e sala de jantar assumem protagonismo, demonstrando como os ambientes de convivência continuam sendo o coração da casa. A marcenaria personalizada desenvolvida pela Evviva ganha destaque também em divisórias curvas, cabeceiras e estruturas revestidas em lâmina natural de nogueira. O projeto marca ainda a estreia do acabamento Old Brass, inspirado na aparência dos metais envelhecidos pelo tempo.

 

A arte contemporânea ganha protagonismo no loft de Léo Shehtman, que recebe duas obras da série Aurora, do artista Marcello Dei Prati. Com 84 metros quadrados, o ambiente estabelece um diálogo sofisticado entre arquitetura e expressão artística. As obras Aurora Roseburn e Aurora Umber, produzidas em 2026, exploram a interação entre luz, matéria e percepção visual.

 

Conhecido por desenvolver trabalhos que transitam entre o abstrato e o sensorial, Dei Prati cria composições que convidam o visitante a desacelerar o olhar. Inseridas no contexto arquitetônico concebido por Shehtman, as obras ampliam a atmosfera contemplativa do espaço e demonstram como a arte pode transformar a experiência de habitar.

 

"Aurora Umber", de Marcello Dei Prati para o loft de Leo Shehtman (divulgacao)

“Aurora Umber”, de Marcello Dei Prati para o loft de Leo Shehtman (divulgacao)

Entre as estreias da edição está o quarto de bebê Amanhecer no Campo, assinado por Tássia e Thaisa Pereira, do escritório TT Interiores (foto no final do artigo). Com 21 metros quadrados, o ambiente abandona os clichês normalmente associados aos espaços infantis para construir uma proposta mais atemporal e acolhedora.

 

A inspiração vem do amanhecer nas áreas rurais, traduzido em um mural pintado à mão pela artista Camila Lemes. O projeto organiza a rotina do cuidado em áreas distintas para descanso, amamentação, troca e convivência, sem perder a unidade visual. A escolha de madeiras em tons mais escuros, fibras naturais e tecidos de textura suave confere personalidade ao ambiente e permite que ele acompanhe o crescimento da criança ao longo dos anos. Elementos originais do espaço, como piso e janela, foram preservados, reforçando uma abordagem sustentável baseada na valorização do que já existe.

 

A arquiteta Rafaella Manso apresenta um dos projetos mais emocionais da mostra. Em Notas em Linhas, ambiente de 74 metros quadrados, a profissional transforma uma lembrança familiar em uma experiência arquitetônica imersiva. O ponto de partida é um piano de 1951 que pertenceu à sua avó e marcou momentos da infância vividos ao lado da família.

 

Rafaella Manso Arquitetura (foto: Wesley Nery/divulgação)

A arquiteta Rafaella Manso e o piano da família (Foto: Wesley Nery | Divulgação)

O instrumento ocupa posição central sobre um tablado de mármore vermelho, elemento que rompe a neutralidade da paleta predominante e simboliza a presença do coração dentro da proposta conceitual do espaço. O ambiente foi concebido como um percurso de desaceleração, onde a luz natural, os tons suaves e os detalhes artesanais conduzem o visitante a uma experiência de introspecção.

 

As linhas inspiradas em partituras musicais aparecem em diferentes elementos do projeto, do tapete ao móbile suspenso. Já o vitral geométrico baseado na sequência de Fibonacci e na proporção áurea estabelece uma relação direta entre arquitetura, matemática e música. O resultado é um espaço que fala de pertencimento, memória e afeto sem recorrer à literalidade.

 

Juntos, esses cinco ambientes ajudam a compreender por que a CASACOR São Paulo continua sendo uma das principais vitrines da arquitetura, do design e da decoração no país. Mais do que apresentar tendências, eles mostram como os espaços podem refletir histórias, valores e emoções, transformando a experiência de morar em algo profundamente humano.

 

 

Quarto de bebê Amanhecer no Campo, assinado por Tássia e Thaisa Pereira, do escritório TT Interiores (foto: Maura Mello/divulgação)

Quarto de bebê Amanhecer no Campo, assinado por Tássia e Thaisa Pereira, do escritório TT Interiores (foto: Maura Mello | Divulgação)

 

SERVIÇO

 

CASACOR São Paulo 2026

Parque da Água Branca: Rua Dona Ana Pimentel, s/n, portaria G4 do PAB, São Paulo (SP)
De 2 de junho a 9 de agosto
Horário de funcionamento: terça a domingo, das 11h às 22h (bilheteria: terça a domingo, das 11h às 20h15)