Beleza asiática disputa espaço no Brasil
Com inovação da J-Beauty e K-Beauty, tendências de beleza asiática e skincare conquistam o mercado.

Por Karina Hollo
A influência da beleza asiática nunca foi tão forte no mercado brasileiro. Motivadas pelo sucesso global da K-Beauty, da Coreia do Sul, e da J-Beauty, do Japão, essas duas vertentes vêm transformando a forma como consumidores enxergam o skincare e, mais recentemente, os cuidados capilares. Em um país que ocupa a posição de terceiro maior mercado de beleza do mundo, cresce o interesse por produtos que combinam inovação, pesquisa científica e foco na saúde da pele a longo prazo.
Embora frequentemente sejam agrupadas sob o mesmo conceito, J-Beauty e K-Beauty seguem filosofias bastante distintas. A japonesa aposta na simplicidade, na consistência e na longevidade. “A filosofia japonesa basicamente foca em poucos produtos que sejam essenciais para a manutenção de uma pele saudável com o passar do tempo.
Nesse sentido, a longevidade torna-se a palavra de ordem”, explica a dermatologista Amanda Voltareli, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Segundo ela, o conceito japonês se apoia em pilares básicos e permanentes. “O básico bem feito sempre é interessante em termos de qualidade e prevenção. Limpeza, hidratação e fotoproteção são os principais passos”, afirma.

Dupla limpeza da japonesa Curél
Já a K-Beauty ganhou notoriedade pela capacidade de lançar tendências e incorporar rapidamente novos ativos e tecnologias. Rotinas com múltiplas etapas, máscaras faciais, essências e séruns concentrados ajudaram a popularizar ingredientes antes pouco conhecidos fora da Ásia.

Sérum Facial Madagascar Centella Ampoule, da também coreana Skin1004
Para a dermatologista Cintia Martins, da Clínica Juliana Piquet, no Rio de Janeiro, a principal diferença está na abordagem.
“A J-Beauty tradicionalmente prioriza a simplicidade, a consistência e o uso de poucos produtos multifuncionais. Já a K-Beauty ficou conhecida por suas rotinas mais elaboradas, com múltiplas etapas e uma constante incorporação de novos ativos e tecnologias cosméticas”, explica.

Tratamento com Proteína de Revestimento de Colágeno e Ceramida, da coreana Elizavecca
Apesar da fama das rotinas coreanas com dez ou mais passos, as especialistas concordam que não existe uma fórmula universal.
“A melhor estratégia depende das necessidades individuais, do tipo de pele, da presença de doenças dermatológicas e da tolerância aos produtos utilizados”, afirma Cintia.
A força dos ativos e da barreira cutânea
O interesse crescente pela beleza asiática também está ligado à popularização de ingredientes inusitados e curiosos. “Há estudos promissores em relação à centella asiática, que se mostrou excelente antioxidante e anti-inflamatório, e à mucina de caracol, por seu efeito regenerativo epidérmico”, afirma Amanda.

Espuma de limpeza facial para pele oleosa e com tendência à acne da japonesa Bioré
O fortalecimento da barreira cutânea tornou-se um dos conceitos centrais tanto na J-Beauty quanto na K-Beauty. A tendência surge como resposta ao aumento de quadros de sensibilidade, irritação e vermelhidão provocados pelo uso excessivo de produtos.
“Hoje entendemos que a barreira cutânea é um dos principais determinantes da saúde da pele. Ela funciona como um escudo que impede a perda excessiva de água e protege contra agentes irritantes, alérgenos e microrganismos”, explica Cintia.
Amanda lembra que esse conceito não é novidade para a dermatologia. “Quando a barreira está comprometida, observamos uma pele seca, que coça, com vermelhidão e até descamação.”

Pad Facial PDRN Madecassoside Micro Spicule Pad, da coreana Wati for Skin
Essa preocupação impulsionou outra tendência importante da beleza coreana: o chamado skin soothing, ou skincare calmante, que prioriza ingredientes restauradores e anti-inflamatórios em vez de tratamentos agressivos.
“Existe um fenômeno chamado over-skincare, caracterizado pelo excesso de etapas e pela utilização simultânea de muitos ativos.
Isso pode resultar em vermelhidão, ardência e sensibilidade”, alerta Cintia.
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Do skincare ao haircare
A influência asiática também já ultrapassou os cuidados faciais e chegou ao universo capilar. O conceito de scalp care, que trata o couro cabeludo como uma extensão da pele, vem ganhando espaço em lançamentos focados em microbiota, longevidade capilar e saúde dos folículos. “O couro cabeludo é revestido por pele e deve ser cuidado com o mesmo carinho com que cuidamos o resto do corpo. Para termos um fio bonito, é preciso ter uma pele saudável ao seu redor”, explica Amanda.
Cintia reforça que a qualidade dos fios depende diretamente da saúde dessa região. “Quando existe inflamação, excesso de oleosidade ou desequilíbrio do microbioma local, o ambiente folicular pode ser prejudicado.”
Tendência global, mas com adaptações
Com a chegada crescente de marcas japonesas e coreanas ao Brasil, as dermatologistas destacam a importância da individualização. Clima tropical, alta incidência solar e diversidade de fototipos exigem adaptações que nem sempre são consideradas em produtos desenvolvidos para mercados asiáticos.
“Minha recomendação é que o consumidor veja essas tendências como fontes de inspiração, mas não como regras universais”, afirma Cintia. “O skincare ideal é aquele individualizado, que leva em consideração as características específicas da pele, o estilo de vida e os fatores ambientais.” Amanda também faz um alerta. “Muitos produtos chegam ao Brasil com promessas milagrosas que não se traduzem na prática. Antes de incorporar qualquer novidade à rotina, é fundamental consultar um dermatologista.”
