Angela Brito recorta e decora a alfaiataria para falar das cisões da terra e do povo

A diretora criativa de Cabo Verde, que mora no Brasil, refletiu sobre a Pangeia e os movimentos de escravização em uma coleção predominantemente preta, branca e vermelha

Foto: Divulgação

A diretora criativa Angela Brito, nascida em Cabo Verde e atualmente morando no Rio de Janeiro, se inspirou na Pangeia, em separações e uniões, para o novo desfile da SPFW, que apresentou um prolongamento de suas últimas coleções. O resultado, conferido no domingo (20) no Centro Cultural São Paulo, foi uma profusão de recortes e assimetrias, sempre com base na alfaiataria.

 

A coleção é quase toda em preto, branco e vermelho. A partir dessas cores e da temática de divisão, união e fissuras, a designer refletiu sobre a separação e a discriminação racial, assim como sobre a própria Terra, considerando o movimento das placas tectônicas ocorrido há milhões de anos.

 

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Foto: Marcelo Soubhia @agfotosite / reprodução spfw.com.br

 

Plissados, botões na parte de trás da camisa (em vez da frente) e franjas de contas foram outros elementos utilizados na coleção. Muitas vezes, eles aparecem nos limites das roupas, como na barra de um top ou na junção da peça — como no caso dos botões posteriores —, o que reforça a ideia de cisão do desfile.

 

Foto: Marcelo Soubhia @agfotosite / reprodução spfw.com.br

 

Foto: Marcelo Soubhia @agfotosite / reprodução spfw.com.br

 

Por fim, e em consonância com todo o conceito, o desenho de rostos que se unem estampou algumas peças. A criação foi do artista de Cabo Verde que cresceu em Portugal — assim como Angela —, Dino d’Santiago.

 

Foto: Marcelo Soubhia @agfotosite / reprodução spfw.com.br

 

por Thiago Andrill

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