America’s Cup e Panerai: a tecnologia na vela de luxo
Como Gillo Nobili, engenharia, precisão e Panerai definem o destino da equipe Luna Rossa no maior campeonato da modalidade.

Por Karina Hollo
No ápice da vela mundial, onde milésimos de segundo e detalhes imperceptíveis a olho nu separam o triunfo da derrota, a tecnologia é a alma do espetáculo. Mas para que ela se traduza em velocidade nas águas, é preciso um mestre para orquestrá-la. Engenheiro de computação por formação e esportista por vocação, Gilberto Nobili — carinhosamente conhecido como Gillo — é a mente estratégica que conecta a precisão dos algoritmos à fúria dos ventos.

Gilberto Nobili, Diretor de Tecnologia e Operações da lendária equipe italiana Luna Rossa Prada Pirelli
Como Diretor de Tecnologia e Operações da lendária equipe italiana Luna Rossa Prada Pirelli, Nobili acumula um currículo invejável: disputou edições históricas da America’s Cup, ergueu o cobiçado troféu três vezes e se prepara para sua oitava campanha no torneio — a quinta vestindo as cores da esquadra italiana.

A trajetória de Nobili se confunde com a própria revolução tecnológica da vela nas últimas décadas. Dos monohull clássicos aos barcos voadores equipados com hydrofoils que ultrapassam os 90 km/h, ele esteve presente em marcos definitivos do esporte, como a introdução de dispositivos portáteis para tripulantes na Oracle Team em 2010 ou os sistemas de moagem por pedal (cyclors) desenvolvidos com a Emirates Team New Zealand.

Contudo, em uma era saturada por dados e automação, sua filosofia de liderança é pautada pelo pragmatismo. “Minha abordagem é introduzir as tecnologias mais recentes, mas sempre de forma pragmática. Nova tecnologia não significa automaticamente melhor desempenho. Ela só cria valor quando atende a uma necessidade real e quando é introduzida no momento certo e da maneira correta”, fala. “A este nível, o desafio não é usar o máximo de tecnologia possível. É entender qual tecnologia realmente importa, integrá-la adequadamente ao sistema e garantir que, no final, ela ajude os velejadores e o barco a desempenharem melhor.”
A simbiose única entre sua mente analítica e a experiência prática no mar é o combustível que impulsiona a inovação na Luna Rossa. A engenharia da computação ofereceu a Nobili uma estrutura sólida para resolver problemas complexos, mas foi o oceano que o ensinou a lidar com o imponderável. “A engenharia de computação me deu uma maneira estruturada de olhar para os problemas, entender sistemas e encontrar conexões entre coisas que inicialmente podem parecer separadas”, explica o velejador e engenheiro.
“A vela me deu algo complementar: a compreensão de que o mundo real nunca é tão limpo quanto um modelo teórico, e que o desempenho, em última análise, tem que funcionar na água, sob pressão. Para mim, a inovação acontece quando esses dois mundos se encontram.”
Relógios Panerai como ferramentas
Na busca obsessiva pela máxima performance e precisão, a equipe italiana encontrou uma aliada natural na relojoaria de luxo. A Panerai, marca que desenvolve coleções exclusivas e instrumentos de alta precisão para a Luna Rossa, compartilha com o time a busca incessante pelo rigor técnico e a valorização do design refinado. Essa parceria vai além dos patrocínios tradicionais: representa o encontro entre duas instituições que honram a tradição italiana ao mesmo tempo em que desafiam os limites da engenharia moderna.

Nobili usa os relógios como parte de seu equipamento no veleiro Luna Rossa. Eles fazem parte da rotina do barco, pois eles são resistentes a quedas, submersões e também apresentam muitas vezes funções muito úteis a bordo, como o modelo Luminor Luna Rossa Chrono – Pam01768, que possui a função de cronógrafo que permite medir intervalos de tempo de forma independente. Dentro de um veleiro como o Luna Rossa, o uso do cronógrafo ajuda a gerenciar procedimentos táticos e os tempos das regatas.
Para Nobili, contudo, a ligação com a alta relojoaria possui um significado ainda mais íntimo e afetivo. “A precisão é fundamental no nosso mundo, mas acho que a conexão com a Panerai vai além da marcação do tempo. Como nós, a Panerai busca constantemente a excelência técnica, mas sem esquecer que o que você cria também deve ser belo. Há também um forte senso de história e herança de ambos os lados”, reflete.
“Para mim, há uma conexão muito pessoal. Nunca me canso de contar essa história: quando venci minha primeira America’s Cup, o presente que comprei para mim mesmo foi um Panerai. Isso foi muito antes da nossa relação atual com a marca, então essa ligação vai muito além da parceria.”
Mesmo após décadas na elite da vela internacional, o fascínio de Nobili pelo desafio permanece intocado. Ao ser questionado sobre o que o mantém motivado a enfrentar o ciclo exaustivo de preparação de uma nova America’s Cup, sua resposta evoca a essência dos grandes pioneiros da tecnologia e do esporte. Para ele, o horizonte da inovação é infinito, e a régua do desempenho é constantemente elevada a cada nova geração de embarcações.
“Se você gosta de experimentar, desafiar ideias existentes e tentar construir algo que nunca foi feito antes, existem poucos lugares no mundo como a America’s Cup”, conclui Nobili. “A competição esportiva e tecnológica de 20 anos atrás parecia muito diferente do que vemos hoje, mas não acho que era menos avançada ou menos emocionante. Cada geração trabalha no limite das ferramentas e dos conhecimentos disponíveis. As tecnologias vão mudar, mas esse espírito de competição e inovação é o que continua me fazendo voltar.”
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