Além da academia: marcas de snacks e bebidas proteicas conquistam público em busca de qualidade de vida

Mais do que uma forma de alcançar o corpo desejado, o segmento de suplementos ganha espaço com consumidores que se preocupam com a saúde preventiva

Nude (Foto: Divulgação)

A conversa sobre meta de proteína diária não é novidade para aqueles que costumam frequentar academias assiduamente. Quem vive um estilo de vida “fitness”, com muitos treinos e disciplina, costuma consumir suplementos para auxiliar no ganho de massa muscular e na redução de gorduras. Por mais que não seja nenhuma novidade, parece que o assunto tem ganhado força nas redes sociais nos últimos meses e, mesmo aqueles que não fazem treinos rigorosos, estão se interessando pelo potencial da proteína.  

 

Isso acontece porque a proteína realmente é benéfica para o corpo: ela é essencial para a construção e manutenção da massa muscular, o que ajuda a retardar a perda de força corporal associada ao envelhecimento e à sarcopenia. Se preocupar com a ingestão de certos nutrientes na juventude é uma tentativa de garantir um envelhecimento mais saudável e com mais qualidade de vida — algo que as pessoas almejam cada vez mais, principalmente no pós-pandemia de Covid-19. 

 

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Desde 2021, o mercado de suplementos esportivos vem crescendo cerca de dois dígitos ao ano, segundo dados da consultoria Euromonitor. Para especialistas, o resultado tem relação com o impacto da pandemia, que reforçou a importância da saúde preventiva e de bons hábitos de vida. Com isso, o segmento movimentou R$ 4,3 bilhões no Brasil apenas em 2023. A expectativa é de que esse valor mais que dobre até 2028, alcançando R$ 9,5 bilhões.  

 

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Em meio a esse cenário, a proteína realmente é a protagonista. O whey protein foi o grande destaque na pesquisa de 2023, representando 66% da categoria de nutrição esportiva. Já os produtos não proteicos representam em torno de 34% do segmento, segundo a Euromonitor. A explicação para isso? O suplemento não é mais uma exclusividade dos “marombas” — como as pessoas costumam dizer. O mercado se diversificou e agora alcança novos públicos.  

 

MERCADO PARA TODOS  

 

Esqueça aquela ideia de que, para suplementar proteína, as únicas opções são whey protein e barrinhas proteicas. Hoje, muitas marcas investem em produtos que oferecem os nutrientes de uma maneira mais criativa e capaz de agradar diferentes consumidores. Foi nesse mercado que o empresário Marcelo Achcar encontrou o caminho para o crescimento de sua empresa, a Zaya, que foi oficialmente lançada em 2017, como uma marca de farinhas sem glúten – e que hoje faz parte da Positive Company, dona de marcas como A Tal da Castanha e Plant Power.  

 

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A ideia era atender o público de alérgicos e celíacos, mas durante a pandemia a marca também ganhou popularidade entre influenciadores por ser “clean label” — em português, rótulo limpo, um termo que se refere a produtos mais naturais, com o mínimo possível de aditivos químicos. Em uma época com muitos vídeos de receitas na internet, visto que o isolamento social estava em seu auge, personalidades como Marcella Tranchesi utilizavam a farinha e impulsionavam organicamente a Zaya. 

 

Na pandemia, nós triplicamos de tamanho. Não ficamos gigantes, mas nossas vendas aumentaram. No fim de 2021, começamos a nos preocupar com a empresa. Fizemos sucesso durante o isolamento, mas o que vai acontecer quando a vida voltar ao normal? Por isso começamos a pesquisar o desenvolvimento de novos produtos”, conta Achcar. “Em meio a testes, fizemos uma massa líquida à base de farinha de mandioca e acabamos criando a Zaytas. Não esperava que fizesse sucesso tão rápido, mas fez.” 

 

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Hoje, o salgadinho sem glúten e sem ovos representa 85% do faturamento da empresa. Alguns sabores, como o de alecrim e flor de sal e o de azeitona, possuem 20g de proteína. Outros, como o de gota de chocolates, não oferece suplementação proteica, mas promete matar a vontade de comer doce em um produto sem leite, soja, glúten e conservantes. “Não estou preocupado em ser ‘diet’, mas sim em entregar o produto mais saudável possível e que atende o maior número de consumidores”, diz o empresário. 

  

A Zaytas também se encaixa em outra tendência alimentar em ascensão: a “snackficação” das refeições. A vida está corrida e recorrer a um alimento pronto é extremamente atrativo, mas a preocupação com a saudabilidade se mantém. É aí que o mercado de snacks saudáveis ganha força — e o segmento de bebidas segue a mesma lógica.  

 

Para quem tem um olhar atento, é inegável o quanto as prateleiras de leites e derivados têm oferecido mais opções de produtos saudáveis nos últimos anos. “Lembro que antigamente era bem difícil encontrar essa variedade de opções no mercado e praticamente impossível achar algo saudável e ao mesmo tempo gostoso”, recorda Giovanna Meneghel, CEO e cofundadora da Nude, foodtech que desenvolve seus alimentos a partir da aveia.   

 

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Referência como bebida vegetal, a Nude nasceu com o objetivo de oferecer produtos com uma tabela nutricional balanceada e uma lista de ingredientes limpos. “Por conta disso, inicialmente caímos nas graças das pessoas com restrições, intolerâncias e alergias. Todo nosso portfólio é 100% plant-based e sem glúten”, explica a empresária. Mas uma vez que os produtos proteicos – leite e creme de aveia – foram lançados, a marca começou a conquistar outros públicos.  

 

No caso do cereal de aveia proteico, que será lançado em junho, o rótulo ainda ostenta o reconhecimento do Edital de Meio Ambiente – Movimento Conexão Circular, do Pacto Global da ONU, pelo seu projeto upcycled. “Somos a primeira marca do segmento a calcular e comunicar o impacto climático de nossos produtos nas embalagens. Para reduzir as emissões de nossos fornecedores, identificamos no processo de filtragem de nossos ‘leites’ uma biomassa que não estava sendo aproveitada. Este foi o ponto de partida para o desenvolvimento do cereal, que ao aproveitar este ingrediente passou a contribuir com a redução do impacto ambiental do nosso portfólio como um todo.” 

 

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Em alinhamento completo com as novas gerações, que também se preocupam com o impacto ambiental, a Nude busca acompanhar a mudança de perfil dos consumidores. Assim como ela, marcas como a Moving, focada em bebidas proteicas prontas para consumo, e a famosa sorveteria Momo Gelato, que no início do ano lançou uma linha de gelatos proteicos e sem açúcar, compõem esse cenário de marcas que visam saudabilidade aos seus consumidores.  

 

 

“Acreditamos que a temática wellness nunca esteve tão em evidência quanto agora, assim os temas de longevidade e saúde mental. Isso acontece tanto por uma mudança de mindset dos millennials, quanto por uma característica inerente da gen Z e da próxima geração que está surgindo”, conclui Giovanna.  

 

Por Beatriz Calais

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