Em Milão, St. James cria floresta do futuro com Matteo Cibic
Ao completar cinco décadas, a St. James avança com menos reverência ao passado e mais abertura ao diálogo criativo

Da Redação
Na agenda repleta de mostras que integram Semana de Design de Milão, algumas instalações conseguem ir além do impacto visual imediato. É o caso de Floresta Futuristica, projeto que marca os 50 anos da St. James e ocupa os ambientes do Senato Hotel Milano com uma narrativa sensorial assinada por Matteo Cibic.
Conhecido por transitar entre design e arte com liberdade quase lúdica, Cibic propõe um território híbrido, uma paisagem que mistura botânica imaginada, esculturas e objetos utilitários. O resultado é uma espécie de jardim onírico onde o rigor técnico encontra o gesto criativo, deslocando a St. James de seu território tradicional para um campo mais experimental.
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Matteo Cibic com a Cafuné desenvolvida em parceria com a Bosa Ceramiche (divulgação)
No centro da instalação, a coleção Cafuné estabelece o tom. Desenvolvida em parceria com a Bosa Ceramiche, ela explora o diálogo entre metal e cerâmica em peças de forte presença escultórica. São formas orgânicas, quase táteis, que convidam ao olhar demorado — e, sobretudo, ao toque imaginado. Aqui, função e expressão convivem sem hierarquia.
Espalhadas pelo jardim cenográfico — pontuado por fontes florais e volumes escultóricos —, as peças diluem a fronteira entre natureza e artefato. O ambiente não se limita a exibir objetos; constrói um ecossistema estético onde cada elemento parece evoluir em relação ao outro.
O percurso culmina em um tea room que revela uma faceta mais doméstica, sem abrir mão da fantasia. Ali, a coleção Rapunzel ganha novos desdobramentos: bule, leiteira, açucareiro e carrinho de bar ampliam a linha com o mesmo vocabulário formal que combina humor, elegância e precisão artesanal. É nesse ponto que o visitante percebe a coerência do projeto — do objeto à instalação, tudo responde a uma mesma lógica narrativa.
Ao completar cinco décadas, a St. James sinaliza um movimento claro: menos reverência ao passado e mais abertura ao diálogo criativo. Em Milão, não se trata apenas de celebrar uma trajetória, mas de reposicioná-la — com inteligência — no mapa global do design contemporâneo.


