IA entra no mercado de luxo e redefine a gestão por dados

Uso de IA permite aprofundar o conhecimento sobre o consumidor, antecipar demandas e ajustar estoques e coleções com maior precisão

Rodrigo Murta, CEO da Looqbox
O CEO da Looqbox, Rodrigo Murta, que fechou com Dolce & Gabbana e Iguatemi: inteligência artificial ganha papel estratégico no varejo premium (Divulgação)

Da Redação

 

O avanço da inteligência artificial no mercado de luxo começa a deixar de ser tendência para se consolidar como prática. A Looqbox, plataforma brasileira de inteligência de dados que opera como um “ChatGPT corporativo”, acaba de firmar parcerias com Dolce & Gabbana e Iguatemi, dois nomes que sintetizam o posicionamento aspiracional do setor. O movimento sinaliza uma mudança silenciosa: a sofisticação deixa de estar apenas no produto e passa a incluir, também, a inteligência por trás da operação.

 

Fundada em dezembro de 2013 pelos irmãos Rodrigo e Daniel Murta, a Looqbox nasceu de uma inquietação prática: simplificar o acesso a dados operacionais no dia a dia das empresas. A aposta na linguagem natural — permitir que executivos “conversem” com os dados — encontrou seu primeiro terreno na rede St. Marche. Dois anos depois, já estruturada como startup com investimento familiar, a empresa ganhava nome e direção.

 

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A entrada no Cubo Itaú, em 2016, marcou o início de uma fase de aceleração. No ano seguinte, vieram os primeiros contratos com grandes corporações, incluindo o Grupo Casas Bahia, ampliando o alcance da tecnologia. Em 2022, um aporte de R$ 15 milhões consolidou a trajetória no universo de business intelligence, já então em transformação pela chegada da inteligência artificial generativa.

 

Esse novo ciclo reposicionou a Looqbox. De ferramenta de consulta, evoluiu para uma plataforma de gestão da operação de vendas baseada em agentes de IA, capazes de interpretar dados, sugerir ações e apoiar decisões em tempo real. Na prática, desloca a análise de dados do backoffice para a linha de frente do negócio.

 

Os números ajudam a dimensionar essa mudança. Nos últimos 12 meses, a plataforma processou mais de 73 milhões de perguntas e passou a monitorar cerca de R$ 11 bilhões em vendas mensalmente. A escala revela não apenas a adoção crescente, mas uma mudança cultural: o dado deixa de ser domínio técnico para se tornar linguagem corrente nas empresas.

 

Para Rodrigo Murta, CEO da Looqbox, a entrada no universo do luxo é consequência natural desse amadurecimento. “O luxo sempre foi sinônimo de excelência, precisão e experiência impecável. A inteligência artificial entra exatamente para potencializar esses atributos, ajudando as marcas a tomarem decisões mais rápidas e embasadas, sem perder a essência”, afirma.

 

Mais do que eficiência operacional, o uso de IA permite aprofundar o conhecimento sobre o consumidor, antecipar demandas e ajustar estoques e coleções com maior precisão — um ponto sensível em um segmento onde excesso e escassez têm impactos diretos na percepção de valor.

 

Nesse contexto, tecnologia deixa de ser suporte e assume papel estratégico. “Grandes marcas já entenderam que dados e IA são aliados fundamentais para otimizar operações e antecipar tendências. Não se trata de substituir o olhar humano, mas de ampliá-lo com inteligência e escala”, diz Murta.

 

Ao conectar marcas como Dolce & Gabbana e Iguatemi a uma plataforma originalmente pensada para democratizar o acesso à informação, a Looqbox ilustra um paradoxo interessante: no topo da pirâmide do consumo, o luxo passa a depender, cada vez mais, de decisões orientadas por dados — invisíveis para o cliente, mas determinantes para a experiência final.

 

No fim, a promessa permanece a mesma: excelência. A diferença é que, agora, ela também é calculada.